Fotografia de Benoit Terrier da Reuters, publicada no Público,:navios ancorados no estreito de Ormuz vistos a partir de Muscat, em Omã, a arma dos iranianos com que o presidente louco, apoiado por loucos, eleito por outros loucos, parece não ter contado.
1.
«A questão que se coloca com cada vez mais pertinência é simples: os Estados
Unidos avaliaram todas as consequências da guerra contra o Irão antes de
lançarem o ataque conjunto com Israel que entra hoje no seu 16.º dia?
Provavelmente, esperavam uma rendição ou destruição do regime mais rápida.
Provavelmente, não avaliaram a capacidade de resistência do regime, preparada,
não ontem, mas há muito tempo. Provavelmente, a pressão de Israel foi decisiva.
Já ouvimos Donald Trump dar as mais variadas explicações sobre os objectivos da
guerra e a sua oportunidade. Todos os dias, promete bombardeamentos ainda mais
fortes para o dia seguinte. O Irão resiste. Continuamos sem ter uma perspectiva
sobre a duração desta guerra. Mas há uma coisa que já sabemos — as suas
consequências para a economia global serão enormes. Porque os países do Golfo
fornecem mais de 20% da energia consumida no mundo. Porque a produção desses
países está a ser alvo de drones e mísseis iranianos. Porque o Estreito de
Ormuz, por onde passam os navios que abastecem o mundo inteiro de petróleo e gás,
está bloqueado. Praticamente nenhum navio o atravessa neste momento. As imagens
de satélite são impressionantes.»
Teresa de Sousa no Público
2.
«Quase duas semanas
depois do início da guerra da aliança EUA/Israel ao Irão, o que sobra? Os
factos são claríssimos. O regime iraniano não caiu e o povo, por um misto de
medo e orgulho nacional, não se revoltou. Os dois maiores exércitos e secretas
do Mundo não conseguiram, sequer, manter a navegabilidade do estreito de Ormuz.
O choque petrolífero,
por causa disso, está a capturar o Mundo inteiro, incluindo a América, numa
armadilha económica que ameaça arrastar o cenário de crise por demasiado tempo.
A subida do custo de vida, dos juros, da energia, agita a sombra tenebrosa da
estagflação, essa velha mistura entre inflação e ausência de crescimento
económico. Nos EUA, o galão de gasolina já bate nos 4 dólares e Trump
arrisca-se a ficar enredado na sua própria política.
São também muito claras as contradições políticas e militares entre os dois aliados. Os EUA a tentarem, de forma incipiente, construir uma narrativa de saída do vespeiro iraniano, e Israel a assumir que ainda vai demorar uns tempos a bombardear o Líbano e o Irão. A União Europeia reage a várias vozes, em torno da ideia de medidas preventivas de defesa, mas, no essencial, avulta a ausência de liderança em Bruxelas. Com os caminhos que tudo isto leva, quem precisa de inimigos, se tem aliados como Trump e Netanyahu?!»
Eduardo
Dâmaso no Corrreio da Manha
3.
«Ele acrescentou que os jactos norte-americanos sobre o Irão estão “a
controlar os céus, a atingir alvos” e a trazer “morte e destruição do céu,
durante todo o dia”.
Pete Hegseth,
chefe do Pentágono (palavras citadas em vários jornais, no dia 3 de Março)
Não se espera que a linguagem da guerra seja macia e benevolente. Mas devemos
notar que em relação às guerras anteriores a que assistimos, desde a guerra dos
Balcãs, nunca este tipo de linguagem tinha sido utilizada. “Viva la muerte”
é um grito que vem da Guerra Civil de Espanha e que permaneceu silenciado
durante bastante tempo. Ressurgiu agora de uma maneira ainda mais cruel, sob a
forma não de uma palavra de ordem, mas de um regozijo indisfarçável. Não falo
do lugar de um pacifista; falo do lugar em que me sinto arrepiado por esta
linguagem, sabendo que ela é performativa: traz a morte ao ser proferida e
dissemina-a por toda a terra, e não apenas pelo território onde caem as
bombas».
António Guerreiro no Público
4
«A frase sobre o ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irão não foi dita por
um crítico do Presidente norte-americano. Foi proferida nesta semana por um dos
maiores podcasters do mundo, Joe Rogan, um reconhecido apoiante de Donald
Trump.
Não é fácil, a quem quer se seja, encontrar uma racionalidade nesta guerra, até
porque para Trump ela já foi um pouco de tudo. Num dia, o que está em causa é a
mudança de regime, no outro dia só quer destruir a capacidade militar do Irão.
Num dia, nunca haverá tropas no terreno, no outro dia já é possível que isso
aconteça. Hoje, Trump quer ter uma palavra na escolha do novo líder iraniano,
amanhã quer que todas as lideranças pereçam. Num dia, está aberto a
negociações, no dia seguinte pede “uma rendição incondicional”.»
Isabel França

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