sexta-feira, 20 de março de 2026

É ESTE O MEU SEGREDO

É este o meu segredo –

fechar-me, calar-me, adormecer espantosamente.

 

Sem mover os dedos,

sem abrir os lábios,

irei devagar, mais tarde, à hora do sol que se

apaga,

à beira de um rio negro,

quando o coração pára.

Serei apenas um homem sem nome,

caminhando ao acaso, pelas ruas de uma cidade

que devora a sua luz.

 

Não quero ser mais nada.

Sou a estátua cega, sou de dentro, e por dentro

me perdi.


José Agostinho Baptista

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