Na mão de Deus, na sua
mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.
Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.
Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,
Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!
Antero
de Quental em Sonetos
Nota do Editor:
António Lobo Antunes, deixou algumas
disposições para o seu funeral: a leitura
deste soneto de Antero de Quental era
uma delas.
«Enviando-lhe Na Mão de Deus, desde
Vila do Conde a um amigo, escrevia-lhe
Antero: «O meu
pessimismo tem-se
desvanecido com esta vista contemplativa
no meio da boa natureza».
Sem comentários:
Enviar um comentário