A Portugália entregou a Mário Dionísio a tarefa de escrever o prefácio para o 7º volume da Colecção Poetas de Hoje, que é Poemas Completos do Manuel da Fonseca.
Mário
Dionísio foi o melhor, o mais puro historiador do neo-realismo português, tão
vilmente depreciado por críticos e autores.
«Não
sei compreender um poeta e a sua obra, desligando-o e desligando-a da realidade
em que nasceu, de que nasceu, que ele veio, a seu modo, enriquecer e,
enriquecendo, transformar.»
Alentejano,
um extraordinário contador de histórias, Manuel da Fonseca escreveu poemas de
uma simplicidade cativante - «Ser espontâneo dá-me muito trabalho.»
Assim
como «Domingo que vem eu vou fazer as coisas mais belas que um homem pode
fazer na vida.» parece tão fácil, tão fácil como aquele endeusar dos
tangidos bandolins, fitas violas gritos da heroica marcha Almadanim tocada pela
Tuna do Zé Jacinto.
E um homem nunca é uma ilha isolada, um homem só não pode nada e «dá-me raiva ouvir seja quem for lamentar-se. Eu nunca me lamento».
Aldeia é o poema que Manuel da
Fonseca deixou para seu autógrafo. E sempre o largo, que «antigamente era o
centros do mundo».
Nove casas,
duas ruas,
ao meio das ruas
um largo,
ao meio do largo
um poço de água fria.
Tudo isto tão parado
e o céu tão baixo
que quando alguém grita para longe
um nome familiar
se assustam pombos bravos
e acordam ecos no descampado.

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