Algures, Van Gogh, deixou escrito:
“Não tenho a certeza de nada, mas a visão das estrelas faz-me sonhar.”
Dentro da minha ignorância sobre tanta coisa, pintura incluída, Van Gogh é o meu pintor.
Lembro-me, desde miúdo, ver, na biblioteca do meu pai, um livro da correspondência trocada entre Van Gogh e o irmão Theo.
O livro não tinha imagens, era uma edição inglesa, e nunca saberei como esse livro me chamou a atenção e esse olhar me acompanhou pela vida, ao ponto de ainda hoje lhe saber as cores da capa. Procurei na internet as edições das cartas de Van Gogh, são muitas, mas nenhuma é o que via em casa do meu pai.
Ainda faltavam alguns anos para saber quem era Van Gogh e conhecer os quadros, e mais anos faltavam para ouvir Vincent, uma lindíssima canção que Don McLean escreveu, como homenagem ao pintor, depois de ter lido um livro sobre a atribulada vida do pintor.
Noite estrelada
Pinta os teus quadros de azul e
cinza
Olha os dias de Verão
Com olhos que sabem da escuridão da minha alma.
A 20 de Maio de 1890, Vincent Van Gogh desceu
de um comboio em Anvers-sur-Oise, aldeia um pouco a norte de Paris. Alugou um
quarto no albergue mais barato e pôs-se a trabalhar febrilmente. Em 70 dias
pintou 72 quadros. A 27 de Julho, um domingo, foi pelos campos em redor e deu
um tiro no peito. Voltou ao albergue sem avisar ninguém. O proprietário
encontra-o moribundo. No dia seguinte chega o irmão.
Não obstante os cuidados do Dr. Gauchet e seu irmão, Van Gogh morrerá nessa noite. As suas últimas palavras terão sido: “A tristeza durará sempre.”
Tinha 37 anos.
Meia dúzia de pessoas estiveram no funeral.
Quantos quadros, em vida, Van Gogh, conseguiu vender?
Hoje são disputados e valem milhões.
«Há girassóis entre as flores amarelas lançadas sobre a sua campa.»
Nas últimas cartas que, de Auvers-sur-Oise, escreveu ao irmão, há uma constante que marca quase todos os começos: preciso de algum dinheiro:
Se lá para o fim-de-semana me pudesses enviar dinheiro… pois o que tenho chegará até então, mas não por muito mais tempo. (21.05.1890).
Obrigado pela tua carta, que recebi esta manhã, e pelos 50 francos que a acompanhavam (25.05.1890).
Muito obrigado pela tua carta de anteontem e pela nota de 50 francos que ela continha. (17.06.1890)
Esta manhã chegou a tua carta, a qual te agradeço assim como a nota de 50 francos que ela continha. (30.06.1890).
Muito obrigado pela tua carta de anteontem e pela nota de 50 francos que ela continha. (17.06.1890)
Obrigado pelo envio das cores,
da nota de 50 francos e do artigo sobre os Independentes.
Desta vez o meu dinheiro não me durará muito tempo, pois no meu regresso tive de pagar as despesas das bagagens de Arles (10.07.1890)
Obrigado pela tua carta de hoje e pela nota de 50 francos que ela continha. (24.07.1890)
É esta a última
carta de Van Gogh a Theo.

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