O Adeus à Brisa
Urbano Tavares
Rodrigues
Capa: ilustração
de Manuela Pinheiro
Colecção
Contemporânea nº 6
Publicações
Europa-América, Lisboa, Outubro de 1998
Doem-lhe as pernas de tanto andar. Mais ainda lhe dói o peito, opresso, de tanta humilhação que tem enxugado, tanta indiferença a repeli-lo. Lá do cimo da Ajuda, onde mora ainda com os pais (sem isso como sobreviver?) vira logo de manhã o cavalo cor-de-rosa da alvorada empinar-se sobre o Tejo, esparzindo com os cascos as suas chamas subtis. Podia ser bom sinal. Mas não. Os dias bonitos até são às vezes os mais cruéis.

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