«Quem terá sido o assessor que aconselhou António José Seguro a andar com cara de governante em tempo de catástrofe, sempre grave e rígido? Cavaco era assim e vejam como acabou. Em todo o caso, gostei de saber que o novo Presidente serviu um vinho pouco conhecido no jantar oficial da tomada de posse. Chama-se Serra P e é produzido pelo próprio Presidente. É um luxo termos um vitivinicultor em Belém.
O vinho de Seguro, os
lobos de Hollywood e a bulha no Chega
De certeza que o vinho foi oferta da casa, para poupar no orçamento da
Presidência e mostrar que o país não vive só de Barca Velha ou Pêra-Manca. Há
mais país e vinho no jardim. Imagino o que estarão a pensar alguns leitores:
“Lindo começo, ao primeiro jantar oficial serve logo o seu vinho e não o esconde
de ninguém. Já parece o Trump.” Mas não há razão para tanto. Seguro é assim, um
rural honesto e simples, desses vitivinicultores que se orgulham das suas
raízes e têm brio no que fazem. Quando recebem alguém em casa, não vão comprar
frango assado ao Continente ou bacalhau com natas ao Pingo Doce. Cozinham algo
especial e servem o seu melhor vinho. Por norma, perguntam: “É bom, não é?” Foi
o que aconteceu, aposto. Além do mais, e para que não houvesse dúvidas, Seguro
já tinha passado o negócio do vinho e do turismo para os filhos.»
Pedro Garcias no Público

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