segunda-feira, 23 de março de 2026

À LUPA


«Quem terá sido o assessor que aconselhou António José Seguro a andar com cara de governante em tempo de catástrofe, sempre grave e rígido? Cavaco era assim e vejam como acabou. Em todo o caso, gostei de saber que o novo Presidente serviu um vinho pouco conhecido no jantar oficial da tomada de posse. Chama-se Serra P e é produzido pelo próprio Presidente. É um luxo termos um vitivinicultor em Belém.

O vinho de Seguro, os lobos de Hollywood e a bulha no Chega
De certeza que o vinho foi oferta da casa, para poupar no orçamento da Presidência e mostrar que o país não vive só de Barca Velha ou Pêra-Manca. Há mais país e vinho no jardim. Imagino o que estarão a pensar alguns leitores: “Lindo começo, ao primeiro jantar oficial serve logo o seu vinho e não o esconde de ninguém. Já parece o Trump.” Mas não há razão para tanto. Seguro é assim, um rural honesto e simples, desses vitivinicultores que se orgulham das suas raízes e têm brio no que fazem. Quando recebem alguém em casa, não vão comprar frango assado ao Continente ou bacalhau com natas ao Pingo Doce. Cozinham algo especial e servem o seu melhor vinho. Por norma, perguntam: “É bom, não é?” Foi o que aconteceu, aposto. Além do mais, e para que não houvesse dúvidas, Seguro já tinha passado o negócio do vinho e do turismo para os filhos.»

Pedro Garcias no
Público

 

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