quarta-feira, 25 de março de 2026

TRUMPALHADAS


Os estilhaços da guerra desencadeada por Benjamim Netanyahu e com o beneplácito de Donald Trump, vão caindo no nosso dia-a-dia aumentando os riscos de um viver ainda mais difícil.

Como é que estes dois loucos não sabiam que é impossível vencer uma guerra contra fanáticos religiosos dispostos a tudo, incluindo pôr um povo a morrer em nome de Deus?

1.

«Conversações produtivas.” Assim se define a porta entreaberta por Trump quanto a um possível fim da guerra, ao suspender a vontade imperial de bombardear, arrasar, pulverizar, o Irão, com armas convencionais ou mesmo nucleares, como insinua a sua narrativa torpe e alucinada. O problema desta porta entreaberta é que ela vem de uma palavra presidencial que não vale nada. Trump, já sabemos, diz hoje uma coisa e, hoje ainda, o seu contrário. A sua conceção do mundo convocaria, na melhor das hipóteses, Dirty Harry, o justiceiro que celebrizou Clint Eastwood, mas não está sequer próxima do rastejante e traiçoeiro Tuco, protagonizado pelo genial Eli Wallach. Trump é apenas um asqueroso vilão, psicopata narcísico e corrupto. A sua fortuna triplicou num ano, está a rebentar os contrapesos da democracia americana, usa a seu bel-prazer a máquina judicial contra quem o contraria, como está a fazer com Joe Kent

As “conversações produtivas” com o Irão são um eufemismo, de quem procura uma saída, já muito penosa, para o maior desastre norte-americano a seguir ao Vietname e ao Iraque. A sua própria base de apoio tem vindo a intensificar os sinais de que os EUA têm de sair do Irão depressa e em força. Perderam o controlo da guerra e o próprio aliado, Israel, faz o que quer. Como se Trump fosse uma marioneta nas suas mãos, depois de já se ter percebido que também o é para Putin. É este o Presidente que a América tem e de que será difícil desembaraçar-se.»

Eduardo Dâmaso no Correio da Manhã

2.

Trump em cada dia que passa diz já ter vencido o Irão mas… acabou por envia ao Irão um plano com 15 pontos destinado a pôr fim à guerra no Médio Oriente, plano foi entregue através do Paquistão.

Segundo David Pereira no Diário de Notícias as condições abrangem todos os objetivos de guerra dos Estados Unidos e de Israel, mas a estação televisiva israelita indica que Jerusalém está preocupada com o facto de Trump e a sua equipa quererem pressionar rapidamente para um "acordo-quadro, um acordo de princípio" com o Irão, em vez de insistir nestas exigências como condição para interromper a guerra.

3.

O Presidente norte-americano anunciou na segunda-feira um prolongamento de cinco dias no prazo de 48 horas que estabelecera dois dias antes para começar a atacar instalações energéticas iranianas, caso Teerão não desbloqueasse o Estreito de Ormuz.

4.

A embaixada iraniana no Paquistão considerou a oferta de negociações dos Estados Unidos como “uma farsa", negando qualquer diálogo com Washington.

"O Irão considera o pedido de negociações dos Estados Unidos como uma nova tentativa de dissimulação para se reagrupar e, encontrar brechas” com vista a “intensificar novamente os ataques", declarou na rede social X a representação iraniana em Islamabad.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou pelo seu lado na segunda-feira que o Presidente norte-americano acredita na possibilidade de “alcançar os objetivos da guerra” através de um acordo com o Irão, mas advertiu que Israel vai defender os seus “interesses vitais em qualquer circunstância”.

5.

Entretanto O Pentágono anunciou que Donald Trump está a planear enviar três mil soldados paraquedistas para o Médio Oriente, para apoiar os combates no Irão. A Casa Branca afirmou que as operações militares norte-americanas na região vão continuar. Atualizamos aqui, ao minuto, todas as informações sobre o conflito no Médio Oriente.

6.

As negociações entre os Estados Unidos e o Irão existem mesmo?

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, afirmou que não estão actualmente a decorrer negociações entre Teerão e Washington, acrescentando que a troca de mensagens através de diferentes mediadores “não significa negociações”. 

Segundo Araghchi, as principais autoridades iranianas estão a analisar as propostas de paz apresentadas, mas Teerão não tem intenção de negociar com os EUA, algo que nesta fase seria reconhecer uma derrota. O Irão prefere "continuar a resistir", para "terminar a guerra nos próprios termos" e criar condições "para que nunca mais se repita", disse o ministro à televisão estatal iraniana, citado pela agência Lusa.

Os norte-americanos falharam em alcançar os seus principais objectivos, entre eles uma vitória militar rápida e a mudança de regime no Irão, aponta o ministro iraniano, afirmando também que os EUA falharam na protecção dos seus aliados no Médio Oriente, apesar das bases militares instaladas na região, notou, insistindo que o estreito de Ormuz está "fechado apenas aos inimigos".


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