Olhos Azuis, Cabelo Preto
Marguerite Duras
Tradução: Teresa
Coelho
Colecção Mil
Folhas nº 18
Público, Lisboa,
Agosto de 2002
Ele agarra-lhe nas mãos, segura-as encontadas ao
rosto.
Pergunta-lhe se são os olhos azuis que a fazem
chorar. Ela diz que é isso, sim, acontece que é isso, que pode dizer-se
assim.
Deixa-o pegar-lhe nas mãos.
Ele pergunta quando foi.
Hoje.
Ele beija-lhe as mãos como se fosse o rosto, a boca.
Ele diz que ela tem o perfume leve e doce do fumo.
Ela dá-lhe a boca para beijar.
Diz-lhe que a beije, ele, esse desconhecido, diz: Beije o corpo nu, a boca, a
pele inteira, os olhos.
Choram até de manhã o desgosto mortal da noite de Verão.
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