domingo, 1 de março de 2026

OLHAR AS CAPAS


Olhos Azuis, Cabelo Preto

Marguerite Duras

Tradução: Teresa Coelho

Colecção Mil Folhas nº 18

Público, Lisboa, Agosto de 2002

Ele agarra-lhe nas mãos, segura-as encontadas ao rosto.

Pergunta-lhe se são os olhos azuis que a fazem chorar. Ela diz que é isso, sim, acontece que é isso, que pode dizer-se assim.
Deixa-o pegar-lhe nas mãos.
Ele pergunta quando foi.
Hoje.
Ele beija-lhe as mãos como se fosse o rosto, a boca.
Ele diz que ela tem o perfume leve e doce do fumo.
Ela dá-lhe a boca para beijar.
Diz-lhe que a beije, ele, esse desconhecido, diz: Beije o corpo nu, a boca, a pele inteira, os olhos.
Choram até de manhã o desgosto mortal da noite de Verão.

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