terça-feira, 9 de agosto de 2016

QUOTIDIANOS


A minha mãe amava-me profundamente e era talvez uma mãe superprotectora e um pouco possessiva. Eu era muito pedinchão, adorava fazer listas, escrever coisas, colecionar recortes de jornais, e a minha mãe não só tolerava como incentivava todos estes comportamentos, mantendo-me sempre abastecido de papel e lápis. Chamava-me «The Peerie Professor», «peerie» queria dizer «pequeno» no dialecto das Shetland. Eu amava-a, mas talvez o tipo de mundo onde tinha vindo nascer não favorecesse a minha identificação com a sua nostalgia do passado; havia em mim algo mais forte que me empurrava para o mundo do meu pai, e, afinal, isso era o que se esperava dos rapazes nos anos 20.

Eric Lomax em Uma Longa Viagem

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