quinta-feira, 14 de março de 2019

OLHAR AS CAPAS


A Truta

Roger Vaillland
Tradução: Gina de Freitas
Capa: Infante do Carmo
Colecção Dois Mundos nº 95

Pagámos e saímos. Durante o trajecto do Café de Paris à moradia, não falámos. Perguntei a mim próprio do que falaria ele com Frédérique. Do que é que se pode falar com Frédérique? O que é que Frédérique lê? A Frédérique talvez não leia. Não sei nada a respeito dos gostos de Frédérique. Conhece bem as trutas, mas que género de sentimentos nutre ela pelas trutas? Reparei que pensava em Frédérique em termos de animal. Ela é um bicho de respiração lenta e sangue quente. Coberta de lã? De seda? Um puma? Antes um animal de um ramo divergente da evolução, um tarseiro da Malásia, um lamuriano de Madagáscar. Não me aborrecia mesmo nada ser obrigado a pensar em Frédérique em termos de animal. A psicologia, falsa ciência, má literatura. Saberei tudo de de Frédérique quando for capaz de indicar o seu animal, a sua planta, o seu mineral. Voltei-me para Rambert e disse-lhe:
- Não imaginas o prazer que tenho em saber que a Frèdérique te faz andar à nora.

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