segunda-feira, 8 de julho de 2013

OLHARES


Lisboa, Parque Eduardo VII.

domingo, 7 de julho de 2013

GENTE DESCEREBRADA!


O Pedro, com o Paulo ao lado, garantiu que o acordo de governo, agora, alcançado é sólido, abrangente e permite fechar o programa de ajustamento no prazo previsto, para que em Junho de 2014 Portugal possa "recuperar a autonomia económica e financeira.

Só falta Cavaco, no intervalo dos seus afazeres-corta-fitas-e-de-passeatas, dizer o que pensa, ou alguém por ele.

Por outro lado, o Tó Zé, em romaria pelo Portugal profundo, defendeu, hoje,  que o país precisa de um governo coeso, forte e confiável para ultrapassar a crise, sublinhando que os portugueses e os investidores já não acreditam no actual executivo.

Os três rapazes saíram das respectivas jotas partidárias.

Chegaram onde estão, à custa de habilidades, intrigas, facadas nas costas, jogadas de aparelho partidário.
Decididamente, o povo de um país, não pode estar nas mãos desta tralha inculta, impreparada, imatura, ignorante e incompetente.

Não pensamos que seja preciso um ajuste orçamental brutal até ao máximo.

O Pedro, com o Paulo ao lado, garantiu que o acordo de governo, agora, alcançado é sólido, abrangente e permite fechar o programa de ajustamento no prazo previsto, para que em Junho de 2014 Portugal possa "recuperar a autonomia económica e financeira. 

Só falta Cavaco, no intervalo dos seus afazeres-corta-fitas-e-de-passeatas, dizer o que pensa, ou alguém por ele.

Por outro lado, o Tó Zé, em romaria pelo Portugal profundo, defendeu, hoje,  que o país precisa de um governo coeso, forte e confiável para ultrapassar a crise, sublinhando que os portugueses e os investidores já não acreditam no actual executivo.
Os três rapazes saíram das respectivas jotas partidárias.

Chegaram onde estão, à custa de habilidades, intrigas, facadas nas costas, jogadas de aparelho partidário.

Decididamente, o povo de um país, não pode estar nas mãos desta tralha inculta, impreparada, imatura, ignorante e incompetente.

Entretanto a senhora Lagarde, num encontro de economistas, em Aix-en-Provence, chegou, mais uma vez, a uma conclusão simples, mas que teima em não ter efeitos práticas na vida dos países sujeitos aos brutais programas da troika:

Não pensamos que seja preciso um ajuste orçamental brutal até ao máximo. Temos de ter uma perspectiva a longo prazo. Os erros cometidos pelo FMI na sua avaliação de algumas políticas aplicadas em certos países foram uma consequência de parâmetros que mostraram não serem fiáveis. Estávamos errados.
 a longo prazo. Os erros cometidos pelo FMI na sua avaliação de algumas políticas aplicadas em certos países foram uma consequência de parâmetros que mostraram não serem fiáveis. 
Estávamos errados.

VELHOS DISCOS


Nestes dias de calor, de verdadeiro sufoco, nada como voltar à Esplanada do Marques na praia da Trafaria.
Colocar a moeda na Juke Box e escolher Moliendo Café.
Poderia ser Quando Calienta el Sol, ou Pepito,  ou Guantanamera, mas escolhi esta.
Este velho disco, quase como não poderia deixar de ser, comprei-o na Grande Feira do Disco.
Na Esplanada do Marques, o Moliendo Café era cantado pelo Lucho Gatica, mas esta é a minha versão preferida.

NA MORTE DE MANUELA PORTO


Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos os
amigos mais íntimos com um cartão de convite para o
ritual do Grande Desfazer: «Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje às 9
horas. Traje de passeio».
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir
à despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio. «Adeus!
Adeus!»
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes... (primeiro, os olhos...
em seguida, os lábios... depois os cabelos... ) a carne,
em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se em
fumo... tão leve... tão subtil... tão pólen... como
aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...

José Gomes Ferreira em Poesia III, Portugália Editora, Lisboa Março de 1963.

Legenda: fotografia de Manuela Porto.

sábado, 6 de julho de 2013

NOTÍCIAS DO CIRCO


Seria penoso trazer aqui os acontecimentos da semana louca que agora termina.

Teria sido divertido se não houvesse a parte trágica em que o povo vê o seu destino nas mãos de uma série de garotos.

Dois lideres de partidos responsáveis por uma coligação governamental, que não se entendem, que  não têm  qualquer ponta de sentido de responsabilidade de estado, não têm carácter, não têm maturidade, que se invejam, que se odeiam.

Inadmissíveis as atitudes de Pedro Passo Coelho e de Paulo Portas, mas em que Cavaco Silva, de modo algum, pode ficar de fora deste chafurdar no caneiro de merda a céu descoberto, em que o país se transformou.

No meio de todas estas lamentáveis trapalhadas, há uma notícia que passou um pouco ao lado.

A notícia em que se fica a saber que o governo alemão exige aos seus parceiros da União Europeia que mantenham uma política de austeridade em vez de apoiar iniciativas destinadas a incentivar o crescimento como em Portugal e Espanha.

Foi neste ponto do percurso que a troika, antes do eclodir da palhaçada, pediu ao Governo português  para ir mais longe nas alterações às leis laborais. As autoridades internacionais, que estiveram em Lisboa na semana passada para uma visita intercalar, propuseram a redução do salário mínimo e um novo corte de quatro dias nas indemnizações por despedimento e que actualmente está nos 12 dias por ano.


NÃO SOU UM SEM-ABRIGO


Silvano Toniolo, de 80 anos, trabalhou toda a vida como enfermeiro, foi despejado há oito meses do pequeno apartamento que tinha em Turim e, desde então, vive nos comboios de Itália. Não os que estão parados. Os que estão em movimento. Para isso, usa um passe de inválido, que lhe permite viajar gratuitamente. Assim, evita tornar-se mais um sem-abrigo a vaguear pelas ruas do país.

Ao longo desses últimos oito meses, Silvano não saiu do comboio a não ser para mudar de rota. Conhece de cor os horários e as diversas combinações que pode fazer para chegar às mais diversas cidades.
Trabalhei como enfermeiro. Também fui missionário de uma missão no Uganda, contou Silvano Toniolo, explicando que não tem familiares e durante as viagens que faz aproveita para visitar amigos. Estes, às vezes, convidam-no para comer.

Nunca dorme nas estações, sublinha, contando como passa as noites: Viajo toda a noite, saio no final da viagem e, depois, volto a subir noutro comboio, que parte.
Como bagagem tem só uma mochila, preta, que lhe serve de almofada.

Não sou um sem-abrigo.

Silvano Toniolo é apenas um dos muitos rostos da crise em Itália, onde a cada dia 2 500 pessoas ficam sem emprego.

ATEMPADAMENTE... IRREVOGÁVEL...


Como as notícias com os políticos da nova geração governamental, mudam de minuto a minuto, neste momento o que se diz, não o que se sabe, e apenas neste breve momento, é que Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque, a nova ministra das Finanças contestada pelo líder do CDS, ficam no Governo.

Portas dissera, em carta com pompa de sentido de estado,  que a sua saída do governo era irrevogável.

Ninguém, muito menos um ministro-barata-tonta, deve dizer nunca.

É o primeiro conselho inútil que se dá aos governantes com tendência para o irresponsável.

Não só volta ao governo, como terá por companhia a Maria Luís.



Citação do Dicionário cá da casa, o velho Morais define irrevogável:




Paulo Portas que se sente acima de tudo e de todos, não entende que um país não é um recreio. Que o país não é a redacção do Independente onde brincava com Miguel Esteves Cardoso e mais um alargado grupo de  meninos.

O Paulo não cresceu.

A culpa não é tanto dele.

É mais de quem o colocou a presidir a um partido, que lhe permitiu, com habilidade e cinismo, chegar ao governo da nação.

O Paulo não oferece qualquer ponta de confiança mas agora parece que se espetou mesmo… ao comprido.

Nem a Nossa Senhora de Fátima, de quem é profundamente seguidor, o salvará…

Já ao cair do dia de ontem soube-se de mais uma brincadeira do Paulo.

A decisão de impedir a aterragem em Lisboa do avião oficial do Presidente boliviano, Evo Morales, foi tomada pelo ministro demissionário Paulo Portas, em plena crise governamental. O Presidente boliviano regressava a La Paz após visita a Moscovo, na passada terça-feira. Por suspeitas de que poderia transportar consigo Edward Snowden, vários países europeus - Portugal, Espanha, França e Itália - não permitiram a aterragem do seu avião. Morales acabou por fazer escala em Viena e reagiu com violência à situação. Outros países da América Latina acompanham-no num coro de protestos que poderá ter reflexos económicos, dia 12, na reunião de países do Mercosul, Mercado Comum do Sul.

Até a Venezuela, país com o qual Portugal tem um conjunto de acordos de investimento em curso, está a reagir com violência, o que faz recear no Ministério dos Negócios Estrangeiros consequências desastrosas para a diplomacia económica nacional.

 Para quem se diz apetrechado para as coisas da economia… muito mais há a esperar em tempos futuros.

Valham-nos os deuses todos do Olimpo!

DO BAÚ DOS POSTAIS


Fronteira da Noruega com a Rússia.
Ennviado pela Dorte e pelo Ortwin em 25 de Julho de 2007.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

MARCADORES DE LIVROS


À CONVERSA...


Perguntaram-lhe:

Que tipo de livros lia?

Respondeu:

Tudo. Devo a minha paixão pela literatura a muitos livros maus que li, aqueles dramalhões que liam as minhas tias velhas. Chorava imenso e tinha sempre vontade de ler mais. Por isso, nunca digo a alguém para não ler um livro por ser mau. Nunca se sabe qual é o toque que nos leva a gostar de outros. Eu não gosto, mas Paulo Coelho é capaz de fazer ler muita gente.


Alice Vieira numa entrevista ao JL, 8 de Setembro de 2009

quinta-feira, 4 de julho de 2013

BRINCADEIRAS DO C...


Total impreparação para governar, arrogância,, ignorância, incompetência, imaturidade.
Contas feitas por alto mostram , as brincadeiras do Pedro e do Paulo, ontem no recreio
da escola, custaram aos portugueses 4,2 mil milhões de euros.
Fora os restantes dias...
Um inominável desprezo pelos portugueses!

OLHAR AS CAPAS


A Implosão

Nuno Júdice
Capa: Rui Garrido
Publicações Dom Quixote, Lisboa Fevereiro de 2013

Já reparaste que ninguém ouve os pobres? Estão à porta do metropolitano, a estender o chapéu, a vender inutilidades, ou sentados no passeio, junto a grandes lojas, e só balbuciam qualquer coisa quando por eles passamos, coisas que não nos chegam aos ouvidos, palavras, frases que só eles sabem o querem dizer. E cada vez haverá mais pobres, até serem uma multidão, sentados nas praças, debaixo de tectos de paragens de autocarro, e as suas vozes continuarão inaudíveis. É o dinheiro que dá voz aos homens, por isso, se lhes tirarem o dinheiro, ficarão sem voz. É isto que pensam os que governam, é isto que estão a fazer, devagarinho, como quem não quer a coisa, como se nos estivessem a fazer um favor, e tivéssemos de lhes ficar agradecidos por nos cortarem a língua. E qualquer dia virão dizer, como o Ditador dizia, que a mendicidade é um cicio, e são muito capazes de cobrar imposto sobre as esmolas, basta criar um programa informático para a s calcular em função da área em que o mendigo actua.

POSTAIS SEM SELO


Seja pois rápida a decisão, antes que os espíritos perplexos sejam dominados por alguma conspiração ou engano que causem novas desgraças.

William Shakespeare, Hamlet, Círculo de Leitores, Janeiro 1983.

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O JOGO DE PASSA CULPAS



O Pedro e o Paulo continuaram, perversamente, a brincar no recreio da escola.
Como o presidente da escola não lhes puxou as orelhas, amanhã voltarão às tropelias…

Legenda: imagem de Match Point, filme de Woody Allen, 2005.

O DIA SEGUINTE


A PIAF


Esta voz que sabia fazer-se canalha e rouca,
ou docemente lírica e sentimental,
ou tumultuosamente gritada para as fúrias santas do “Ça ira”,
ou apenas recitar meditativa, entoada, dos sonhos perdidos,
dos amores de uma noite que deixam uma memória gloriosa,
e dos que só deixam, anos seguidos, amargura e um vazio ao lado
nas noites desesperadas da carne saudosa que se não conforma
de não ter tido plenamente a carne que a traiu,
esta voz persiste graciosa e sinistra, depois da morte,
como exactamente a vida que os outros continuam vivendo
ante os olhos que se fazem garganta e palavras
para dizerem não do que sempre viram mas do que adivinham
nesta sombra que se estende luminosa por dentro
das multidões solitárias que teimam em resistir
como melodias valsando suburbanas
nas vielas do amor
e do mundo.

Quem tinha assim a morte na sua voz
e na vida. Quem como ela perdeu
toda a alegria e toda a esperança
é que pode cantar com esta ciência
do desespero de ser-se um ser humano
entre os humanos que o são tão pouco.


Jorge de Sena de Arte de Música (1968) em Poemas Escolhidos , Círculo de Leitores, Lisboa  Março de 1989.

QUOTIDIANOS


Dizia o Che:

Os grandes só nos parecem grandes porque estamos ajoelhados perante eles.

O belga Raoul Vaneigem acrescentava:

Levantemo-nos.

terça-feira, 2 de julho de 2013

BATER NO FUNDO DOS FUNDOS


Um governo, morto que está, só falta ser enterrado, ainda quer continuar a governar.

Um presidente da República, cada vez mais um ser desprezível, de cabeça perdida, não sabe para que lado se voltar.

Não lhe chegando as trapalhadas de Passos Coelho, cada vez mais um objecto de desprezo, viu, hoje, ser arquivado o processo que moveu contra Miguel Sousa Tavares por este lhe ter chamado palhaço. 

Criancices, incompetências, gente sem moral, sem ética, corruptos, sei lá mais o quê.

Seria motivo para rir à gargalhada com esta ópera bufa, não fossem os milhares de desempregados, os jovens a abandonarem o país, os milhares de portugueses passando terríveis dificuldades, os que já não têm casa, os que passam fome.

O terrível presente que enfrentamos.

Um futuro que irá ser pior.

Definitivamente, isto não é um país,antes um sítio mal frequentado, tal como dizia o Zé Cardoso Pires.

Ou  o desespero do Enrique Vila-Matas: sou optimista, mas as coisas acabam sempre mal.

Estaremos completamente perdidos senão abrirmos os olhos e voltarmos a entregar o nosso futuro a esta gente, gente  impreparada que salta das jotas dos partidos, sem ter terem trabalhado, sem saberem o que é a vida.

Apenas uma desesperada ânsia de poder!... e de futuros negócios  quando saírem dos ministérios, das assesorias, do raio que os parta a todos!...

OLHARES


Viagem de autocarro, no 30, das Picoas para a Picheleira.
Não resisti e tirei a fotografia a este sono tranquilo.
Uma verdadeira ternura.

30º FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA


JOAQUIM BENITE: ENCENADOR, PEDAGOGO, COMBATENTE

Conheci o Joaquim quando ainda trabalhava com PeterBrook. No Verão de 1998 estávamos com o Je suis un phénomène no Teatro da Trindade e um dia, por curiosidade, resolvi apanhar o barco para vir conhecer o director do Festival de Almada. Nascemos no mesmo ano, com alguns dias de intervalo. Autodidactas, considerávamo-nos estudantes a longo prazo. Mas, tal como ele se divertia a lembrar, eu era originário de uma família burguesa, e ele só tinha recebido o seu primeiro par de sapatos aos dez anos de idade!

Nesse Verão de 1998 deparei-me com um homem alegre, sensível, entusiasta, generoso, humilde, habitado pela poesia, pela literatura, e pelo teatro eivado de ideologia. Imediatamente me propôs trabalhar consigo: “Abramos uma escola para técnicos e cenógrafos aqui em Almada!”. Mas, num país no qual os ministros da Cultura se sucediam mais velozmente do que as estações do ano, tivemos de desistir desse projecto.No entanto, empreendedor como ele era, depressa me seduziu para outra aventura.Queria um novo abrigo para a sua Companhia. E então construímos um teatro à sua imagem, um teatro universal: com uma pequena equipa técnica e administrativa (não acreditava na eficácia de um grande número de pessoas em seu redor), criámos uma sala que pudesse receber qualquer tipo de espectáculo, quer durante o ano, quer em
Julho, durante o Festival.

Combatente, como também foi, conseguiu dobrar aqueles que ousaram atacar as suas Fracas subvenções. O seu público — aquele que passou a encher a sua nova sala, cinco vezes maior do que a anterior — saiu em defesa do seu teatro, no célebre Abraço ao Teatro Azul, em Dezembro de 2010.

Pedagogo, podia falar durante horas aos seus actores do texto que trabalhavam, do seu significado político, do Autor — mas quando se tratava de discutir um novo espectáculo comigo, combinávamos tudo em meia dúzia de palavras. E as suas ideias eram tão claras que muitas vezes, logo de seguida, fazia-lhe uma primeira maqueta do cenário.

E retomávamos as nossas intermináveis discussões sobre o estado do Mundo.



(Detalhes e programação em 30º Festivalde Almada).

POSTAIS SEM SELO


Avançando, coxia fora, noto pela primeira vez que há poucos passageiros. Sento-me no meu lugar, abro o jornal. Não consigo concentrar-me. Os pensamentos afastam-se da leitura. Lembro-me da família, os vizinhos, a vila, neste instante tão perto do comboio onde viajo. Teimo em ler. Mas, as recordações voltam. Nítida, ressoa-me na memória uma voz familiar:
- Olha que não deves ler nos comboios. Ou noutros meio de transporte.
- Porquê, tia?
- Porque pode provocar um descolamento da retina.

- Manuel da Fonseca em Crónicas Algarvias

segunda-feira, 1 de julho de 2013

COMPLETAMENTE INCOMPETENTES


Mas também arrogantes, autoritários, autistas e cegos.

Demonstraram um soberano desprezo pelas pessoas.

Definitivamente gente nada recomendável. 

Outro fim não poderia ter esta estratégia de suicídio colectivo a que Victor Gaspar meteu ombros.


Mas não vale a pena gastar mais cera com tão ruim defunto.

Fica a notícia, conhecida a meio da tarde de hoje:

O Presidente da República aceitou hoje a exoneração do ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, e a sua substituição por Maria Luís Albuquerque, até agora secretária de Estado do Tesouro, propostas pelo primeiro-ministro.

O cangalheiro já tirou as medidas ao caixote.

Só falta anunciar a data e hora do funeral.

E que não descansem em paz!...

A ETERNA QUESTÃO


Começou ontem a Volta à França.

Trata-se da sua 100ª edição e nada melhor para comemorar o acontecimento que o norte-americano Lance Armstrong, despojado dos sete títulos conquistados na Volta à França, numa entrevista ao Le Monde, considerar impossível ganhar o Tour sem recorrer ao dopping.

Roger Vailland escreveu que não se ganha a Volta a França sozinho e Joaquim Agostinho, sem papas na língua disse um dia,  que não se sobe o Tourmalet  a comer bifes e a beber Água do Luso.

O antigo ciclista belga Eddy Merckx, que venceu a Volta a França por cinco vezes,  numa entrevista ao Parisien Dimanche, contestou as palavras de  Armstrong e garantiu que se pode ganhar o Tour sem recurso ao dopping.

30º FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA


ESCOLHER CERTO


Em 1978 Joaquim Benite, com o seu Grupo de Campolide, sai do Teatro da Trindade e instala-se numa colectividade  almadense. Abandona uma das mais belas salas do País e vem para o meio dos operários. Estreia um autor comunista desconhecido, José Saramago. Cria uma mostra de teatro amador, que se  transforma num dos mais importantes festivais da Europa—trinta edições depois, verificamos que escolheu certo.

Apostando na diversidade estética, pautada pela excelência artística, o Festival de Almada tem sido um local de encontro – de encontro entre artistas, mas sobretudo de encontro entre artistas e o público. Como tal, numa recente época de relativa abundância, durante a qual pulularam luminárias fátuas e vazias de sentido, nessa época em que a Cultura foi também um negócio, o Festival apostou no fortalecimento de laços
com os teatros seus parceiros(aqueles geridos por artistas) — e com a sua Cidade.

Nesta 30.ª edição apresentamos de novo os grandes criadores e intérpretes do teatro europeu; regressa a mais importante Companhia portuguesa independente, a Cornucópia; há duas óperas, um concerto sinfónico, seis estreias e um ciclo de teatro nórdico — e, não por acaso, há também espectáculos de cada um dos PIIGS. Sabíamos o que aí vinha: o desinvestimento na Cultura não começou com este Governo, não
se trata desta ou daquela cor política, deste ou daquele governante – é outra coisa. Sabíamos que a ideologia liberal não encara o livre acesso dos cidadãos à Cultura como um direito, embora ele esteja consagrado na Constituição. Sabemos que a uma classe dirigente inculta e mal preparada não lhe convém uma população bem formada e com poder reivindicativo. Aos jovens formados pelo Estado, em cuja educação o mesmo Estado tanto investiu numpassado recente, é-lhes agora sugerido que emigrem. E, como
Prevíamos o que aí vinha, reunimo-nos àqueles que pensam como nós e preparámo-nos para resistir, apresentando uma das melhores programações dos últimos anos.

Em 2013 a subvenção estatal diminuiu ainda mais – mas apresentamos mais dez espectáculos do que no ano passado, com a garantia de qualidade, por exemplo, do Odeón – Théâtre de l’Europe, ou do Théâtre de la Ville. Acreditamos, porque no-lo ensinaram, que um público mais informado e mais exigente reivindicará num futuro próximo aquilo que lhe é devido.

Podíamos ter ficado a chorar sobre o leite derramado—mas a gente não escolhe assim
.
Rodrigo Francisco
Director Artístico


 (Detalhes e programação em 30ªFestival de Almada).

LENDO VERSOS, OUVINDO BOB DYLAN


CANÇÃO PARA WOODY

Aqui estou a mil milhas de casa
Percorrendo um caminho que outros homens percorreram
Vejo o teu mundo de pessoas e coisas
Os teus pobres e camponeses e príncipes e reis.

Ei, ei, Woody Guthrie (1), e escrevi-te uma canção
Sobre um singular velho mundo que está a surgir
Parece doente e está faminto, cansado e dilacerado
Parece moribundo e ainda mal nasceu

Ei Woody Guthrie, mas eu sei que tu sabes
Todas as coisas de que estou a falar e muitas vezes mais
Estou a cantar-te a canção, mas não consigo cantar o suficiente
Pois não há muitos homens que tenham feito as coisas que fizeste

Saúdo Cisco e Sonny e Leadbelly (2) também
E toda a gente boa que viajou contigo
Saúdo os corações e as mãos dos homens
Que chegam com a poeira e partem com o vento
Parto amanhã mas poderia partir hoje,
Para algum lado estrada abaixo qualquer dia
A última coisa de todas que queria fazer
É dizer que a minha viagem tem sido dura também

Bob Dylan em Canções, Volume I (1962-1973) Relógio D’Água, Lisboa Setembro de 2006

(1) Woody Guthrie, de seu nome completo Woodrow Wilson Guthrie (1912-1967), compositor, cantor e escritor norte-americano. Foi a maior influência ( e não somente musical), assumida pelo próprio, na carreira de Bob Dylan.
(2) Cisco Houston (1918-1961), Sony Terry (1911-1986) e Leadbelly (Huddie William Ledbetter, 188-1949) são cantores, de música folk e de blues, que trabalharam com Woody Guthrie. Todos eles tiveram uma forte influência da orientação musical de Dylan, que chegou a conhecer Cisco Houston umas semanas antes da sua morte. Sonny Terry, que Dylan também conheceu e cujo trabalho na harmónica influenciou o seu modo de tocar aquele instrumento, ficou mumdialmente famosos pela dupla que formou com o guitarrista de blues Brownie McGhere.
(Notas dos tradutores).


Nota do editor: o título é roubado a uma crónica que José Cardoso Pires publicou no Diário Popular de 30 de Março de 1967.