segunda-feira, 8 de julho de 2013
domingo, 7 de julho de 2013
GENTE DESCEREBRADA!
O Pedro, com o Paulo ao
lado, garantiu que o acordo de governo, agora, alcançado é sólido, abrangente e permite fechar o
programa de ajustamento no prazo previsto, para que em Junho de 2014 Portugal
possa "recuperar a autonomia económica e financeira.
Só falta Cavaco, no
intervalo dos seus afazeres-corta-fitas-e-de-passeatas, dizer o que pensa, ou
alguém por ele.
Por outro lado, o Tó Zé,
em romaria pelo Portugal profundo, defendeu, hoje, que o país precisa de um governo coeso, forte e confiável para ultrapassar a
crise, sublinhando que os portugueses e os investidores já não
acreditam no actual executivo.
Os três rapazes saíram das
respectivas jotas partidárias.
Chegaram onde estão, à
custa de habilidades, intrigas, facadas nas costas, jogadas de aparelho
partidário.
Decididamente, o povo de
um país, não pode estar nas mãos desta tralha inculta, impreparada, imatura,
ignorante e incompetente.
Não pensamos que seja preciso um ajuste orçamental brutal até ao
máximo.
O Pedro, com o Paulo ao lado, garantiu que o acordo de governo, agora, alcançado é sólido, abrangente e permite fechar o programa de ajustamento no prazo previsto, para que em Junho de 2014 Portugal possa "recuperar a autonomia económica e financeira.
Só falta Cavaco, no intervalo dos seus afazeres-corta-fitas-e-de-passeatas, dizer o que pensa, ou alguém por ele.
Por outro lado, o Tó Zé, em romaria pelo Portugal profundo, defendeu, hoje, que o país precisa de um governo coeso, forte e confiável para ultrapassar a crise, sublinhando que os portugueses e os investidores já não acreditam no actual executivo.
Os três rapazes saíram das respectivas jotas partidárias.
Chegaram onde estão, à custa de habilidades, intrigas, facadas nas costas, jogadas de aparelho partidário.
Decididamente, o povo de um país, não pode estar nas mãos desta tralha inculta, impreparada, imatura, ignorante e incompetente.
Entretanto a senhora Lagarde, num encontro de economistas, em Aix-en-Provence, chegou, mais uma vez, a uma conclusão simples, mas que teima em não ter efeitos práticas na vida dos países sujeitos aos brutais programas da troika:
Não pensamos que seja preciso um ajuste orçamental brutal até ao máximo. Temos de ter uma perspectiva a longo prazo. Os erros cometidos pelo FMI na sua avaliação de algumas políticas aplicadas em certos países foram uma consequência de parâmetros que mostraram não serem fiáveis. Estávamos errados.
a longo prazo. Os erros cometidos pelo FMI
na sua avaliação de algumas políticas aplicadas em certos países foram uma
consequência de parâmetros que mostraram não serem fiáveis.
Estávamos errados.
VELHOS DISCOS
Nestes dias de calor, de verdadeiro sufoco, nada como voltar à Esplanada do Marques na praia da Trafaria.
Colocar a moeda na Juke Box e escolher Moliendo Café.
Poderia ser Quando Calienta el Sol, ou Pepito, ou Guantanamera, mas escolhi esta.
Este velho disco, quase como não poderia deixar de ser, comprei-o na Grande Feira do Disco.
Na Esplanada do Marques, o Moliendo Café era cantado pelo Lucho Gatica, mas esta é a minha versão preferida.
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NA MORTE DE MANUELA PORTO
Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos os
amigos mais íntimos com um cartão de convite para o
ritual do Grande Desfazer: «Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje às 9
horas. Traje de passeio».
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir
à despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio. «Adeus!
Adeus!»
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes... (primeiro, os olhos...
em seguida, os lábios... depois os cabelos... ) a carne,
em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se em
fumo... tão leve... tão subtil... tão pólen... como
aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
José Gomes Ferreira em Poesia III, Portugália Editora, Lisboa Março de 1963.
Legenda: fotografia de Manuela Porto.
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sábado, 6 de julho de 2013
NOTÍCIAS DO CIRCO
Seria penoso trazer aqui os
acontecimentos da semana louca que agora termina.
Teria sido divertido se
não houvesse a parte trágica em que o povo vê o seu destino nas mãos de uma
série de garotos.
Dois lideres de partidos
responsáveis por uma coligação governamental, que não se entendem, que não têm qualquer ponta de sentido de responsabilidade de
estado, não têm carácter, não têm maturidade, que se invejam, que se odeiam.
Inadmissíveis as atitudes
de Pedro Passo Coelho e de Paulo Portas, mas em que Cavaco Silva, de modo algum,
pode ficar de fora deste chafurdar no caneiro de merda a céu descoberto, em que
o país se transformou.
No meio de todas estas lamentáveis
trapalhadas, há uma notícia que passou um pouco ao lado.
A notícia em que se fica a
saber que o governo alemão exige aos seus parceiros da União Europeia que
mantenham uma política de austeridade em vez de apoiar iniciativas destinadas a
incentivar o crescimento como em Portugal e Espanha.
Foi neste ponto do percurso
que a troika, antes do eclodir da
palhaçada, pediu ao Governo português para ir mais longe nas alterações às leis
laborais. As autoridades internacionais, que estiveram em Lisboa na semana
passada para uma visita intercalar, propuseram a redução do salário mínimo e um
novo corte de quatro dias nas indemnizações por despedimento e que actualmente
está nos 12 dias por ano.
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NÃO SOU UM SEM-ABRIGO
Silvano
Toniolo, de 80 anos, trabalhou toda a vida como enfermeiro, foi despejado há
oito meses do pequeno apartamento que tinha em Turim e, desde então, vive nos
comboios de Itália. Não os que estão parados. Os que estão em movimento. Para
isso, usa um passe de inválido, que lhe permite viajar gratuitamente. Assim,
evita tornar-se mais um sem-abrigo a vaguear pelas ruas do país.
Ao longo desses últimos
oito meses, Silvano não saiu do comboio a não ser para mudar de rota. Conhece
de cor os horários e as diversas combinações que pode fazer para chegar às mais
diversas cidades.
Trabalhei como enfermeiro. Também
fui missionário de uma missão no Uganda, contou Silvano Toniolo, explicando que não tem familiares e durante as viagens
que faz aproveita para visitar amigos. Estes, às vezes, convidam-no para comer.
Nunca dorme nas estações,
sublinha, contando como passa as noites: Viajo toda a noite, saio no final da viagem
e, depois, volto a subir noutro comboio, que parte.
Como bagagem tem só uma
mochila, preta, que lhe serve de almofada.
Não sou um sem-abrigo.
Silvano Toniolo é apenas
um dos muitos rostos da crise em Itália, onde a cada dia 2 500 pessoas ficam
sem emprego.
ATEMPADAMENTE... IRREVOGÁVEL...
Como as notícias com os políticos da nova geração
governamental, mudam de minuto a minuto, neste momento o que se diz, não o que
se sabe, e apenas neste breve momento, é que Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque, a nova ministra das Finanças
contestada pelo líder do CDS, ficam no Governo.
Portas dissera, em carta com pompa de sentido de
estado, que a sua saída do governo era
irrevogável.
Ninguém, muito menos um ministro-barata-tonta, deve
dizer nunca.
É o primeiro conselho inútil que se dá aos
governantes com tendência para o irresponsável.
Não só volta ao governo, como terá por companhia a Maria
Luís.
Citação do Dicionário cá da casa, o velho Morais define
irrevogável:
Paulo Portas que se sente acima de tudo e de todos,
não entende que um país não é um recreio. Que o país não é a redacção do
Independente onde brincava com Miguel Esteves Cardoso e mais um alargado grupo
de meninos.
O Paulo não cresceu.
A culpa não é tanto dele.
É mais de quem o colocou a presidir a um partido,
que lhe permitiu, com habilidade e cinismo, chegar ao governo da nação.
O Paulo não oferece qualquer ponta de confiança mas
agora parece que se espetou mesmo… ao comprido.
Nem a Nossa Senhora de Fátima, de quem é profundamente seguidor, o salvará…
Já ao cair do dia de ontem soube-se de mais uma
brincadeira do Paulo.
A decisão de impedir a aterragem em Lisboa do avião
oficial do Presidente boliviano, Evo Morales, foi tomada pelo ministro
demissionário Paulo Portas, em plena crise governamental. O Presidente
boliviano regressava a La Paz após visita a Moscovo, na passada terça-feira.
Por suspeitas de que poderia transportar consigo Edward Snowden, vários países
europeus - Portugal, Espanha, França e Itália - não permitiram a aterragem do
seu avião. Morales acabou por fazer escala em Viena e reagiu com violência à
situação. Outros países da América Latina acompanham-no num coro de protestos
que poderá ter reflexos económicos, dia 12, na reunião de países do Mercosul,
Mercado Comum do Sul.
Até a Venezuela, país com o qual Portugal tem um
conjunto de acordos de investimento em curso, está a reagir com violência, o
que faz recear no Ministério dos Negócios Estrangeiros consequências
desastrosas para a diplomacia económica nacional.
Para quem se diz apetrechado para as coisas da
economia… muito mais há a esperar em tempos futuros.
Valham-nos os deuses todos do Olimpo!
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sexta-feira, 5 de julho de 2013
À CONVERSA...
Perguntaram-lhe:
Que
tipo de livros lia?
Respondeu:
Tudo.
Devo a minha paixão pela literatura a muitos livros maus que li, aqueles
dramalhões que liam as minhas tias velhas. Chorava imenso e tinha sempre
vontade de ler mais. Por isso, nunca digo a alguém para não ler um livro por
ser mau. Nunca se sabe qual é o toque que nos leva a gostar de outros. Eu não
gosto, mas Paulo Coelho é capaz de fazer ler muita gente.
Alice Vieira numa entrevista ao JL, 8 de Setembro de
2009
quinta-feira, 4 de julho de 2013
BRINCADEIRAS DO C...
Total impreparação para governar, arrogância,, ignorância, incompetência, imaturidade.
Contas feitas por alto mostram , as brincadeiras do Pedro e do Paulo, ontem no recreio
da escola, custaram aos portugueses 4,2 mil milhões de euros.
Fora os restantes dias...
Um inominável desprezo pelos portugueses!
OLHAR AS CAPAS
A Implosão
Nuno Júdice
Capa: Rui Garrido
Publicações Dom Quixote, Lisboa Fevereiro de 2013
Já reparaste que ninguém ouve os pobres? Estão à porta do metropolitano, a estender o chapéu, a vender inutilidades, ou sentados no passeio, junto a grandes lojas, e só balbuciam qualquer coisa quando por eles passamos, coisas que não nos chegam aos ouvidos, palavras, frases que só eles sabem o querem dizer. E cada vez haverá mais pobres, até serem uma multidão, sentados nas praças, debaixo de tectos de paragens de autocarro, e as suas vozes continuarão inaudíveis. É o dinheiro que dá voz aos homens, por isso, se lhes tirarem o dinheiro, ficarão sem voz. É isto que pensam os que governam, é isto que estão a fazer, devagarinho, como quem não quer a coisa, como se nos estivessem a fazer um favor, e tivéssemos de lhes ficar agradecidos por nos cortarem a língua. E qualquer dia virão dizer, como o Ditador dizia, que a mendicidade é um cicio, e são muito capazes de cobrar imposto sobre as esmolas, basta criar um programa informático para a s calcular em função da área em que o mendigo actua.
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Olhar as Capas
POSTAIS SEM SELO
Seja pois rápida a decisão, antes que os espíritos
perplexos sejam dominados por alguma conspiração ou engano que causem novas
desgraças.
William Shakespeare, Hamlet, Círculo de Leitores,
Janeiro 1983.
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quarta-feira, 3 de julho de 2013
O JOGO DE PASSA CULPAS
O Pedro e o Paulo continuaram, perversamente, a
brincar no recreio da escola.
Como o presidente da escola não lhes puxou as orelhas,
amanhã voltarão às tropelias…
A PIAF
Esta voz que sabia fazer-se canalha e rouca,
ou docemente lírica e sentimental,
ou tumultuosamente gritada para as fúrias santas do “Ça ira”,
ou apenas recitar meditativa, entoada, dos sonhos perdidos,
dos amores de uma noite que deixam uma memória gloriosa,
e dos que só deixam, anos seguidos, amargura e um vazio ao lado
nas noites desesperadas da carne saudosa que se não conforma
de não ter tido plenamente a carne que a traiu,
esta voz persiste graciosa e sinistra, depois da morte,
como exactamente a vida que os outros continuam vivendo
ante os olhos que se fazem garganta e palavras
para dizerem não do que sempre viram mas do que adivinham
nesta sombra que se estende luminosa por dentro
das multidões solitárias que teimam em resistir
como melodias valsando suburbanas
nas vielas do amor
e do mundo.
ou docemente lírica e sentimental,
ou tumultuosamente gritada para as fúrias santas do “Ça ira”,
ou apenas recitar meditativa, entoada, dos sonhos perdidos,
dos amores de uma noite que deixam uma memória gloriosa,
e dos que só deixam, anos seguidos, amargura e um vazio ao lado
nas noites desesperadas da carne saudosa que se não conforma
de não ter tido plenamente a carne que a traiu,
esta voz persiste graciosa e sinistra, depois da morte,
como exactamente a vida que os outros continuam vivendo
ante os olhos que se fazem garganta e palavras
para dizerem não do que sempre viram mas do que adivinham
nesta sombra que se estende luminosa por dentro
das multidões solitárias que teimam em resistir
como melodias valsando suburbanas
nas vielas do amor
e do mundo.
Quem tinha assim a morte na sua voz
e na vida. Quem como ela perdeu
toda a alegria e toda a esperança
é que pode cantar com esta ciência
do desespero de ser-se um ser humano
entre os humanos que o são tão pouco.
Jorge de Sena de Arte de Música (1968) em Poemas
Escolhidos , Círculo de Leitores, Lisboa
Março de 1989.
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QUOTIDIANOS
Dizia o Che:
Os grandes só nos parecem grandes porque estamos
ajoelhados perante eles.
O belga Raoul Vaneigem acrescentava:
terça-feira, 2 de julho de 2013
BATER NO FUNDO DOS FUNDOS
Um governo, morto que está, só falta ser enterrado,
ainda quer continuar a governar.
Um presidente da República, cada vez mais um ser desprezível, de cabeça perdida, não
sabe para que lado se voltar.
Não lhe chegando as trapalhadas de Passos Coelho, cada vez mais um objecto de desprezo, viu, hoje, ser arquivado o processo que moveu contra Miguel Sousa Tavares por este lhe ter chamado palhaço.
Não lhe chegando as trapalhadas de Passos Coelho, cada vez mais um objecto de desprezo, viu, hoje, ser arquivado o processo que moveu contra Miguel Sousa Tavares por este lhe ter chamado palhaço.
Criancices, incompetências, gente sem moral, sem
ética, corruptos, sei lá mais o quê.
Seria motivo para rir à gargalhada com esta ópera
bufa, não fossem os milhares de desempregados, os jovens a abandonarem o país,
os milhares de portugueses passando terríveis dificuldades, os que já não têm
casa, os que passam fome.
O terrível presente que enfrentamos.
Um futuro que irá ser pior.
Definitivamente, isto não é um país,antes um sítio mal frequentado, tal como dizia o Zé
Cardoso Pires.
Ou o desespero do Enrique Vila-Matas: sou optimista, mas as
coisas acabam sempre mal.
Apenas uma desesperada ânsia de poder!... e de futuros negócios quando saírem dos ministérios, das assesorias, do raio que os parta a todos!...
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OLHARES
Viagem de autocarro, no 30, das Picoas para a Picheleira.
Não resisti e tirei a fotografia a este sono tranquilo.
Uma verdadeira ternura.
30º FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA
JOAQUIM BENITE: ENCENADOR, PEDAGOGO, COMBATENTE
Conheci o Joaquim quando ainda trabalhava com PeterBrook. No Verão de 1998 estávamos com o Je suis un phénomène no Teatro da Trindade e um dia, por curiosidade, resolvi apanhar o barco para vir conhecer o director do Festival de Almada. Nascemos no mesmo ano, com alguns dias de intervalo. Autodidactas, considerávamo-nos estudantes a longo prazo. Mas, tal como ele se divertia a lembrar, eu era originário de uma família burguesa, e ele só tinha recebido o seu primeiro par de sapatos aos dez anos de idade!
Conheci o Joaquim quando ainda trabalhava com PeterBrook. No Verão de 1998 estávamos com o Je suis un phénomène no Teatro da Trindade e um dia, por curiosidade, resolvi apanhar o barco para vir conhecer o director do Festival de Almada. Nascemos no mesmo ano, com alguns dias de intervalo. Autodidactas, considerávamo-nos estudantes a longo prazo. Mas, tal como ele se divertia a lembrar, eu era originário de uma família burguesa, e ele só tinha recebido o seu primeiro par de sapatos aos dez anos de idade!
Nesse Verão de 1998 deparei-me com um homem alegre, sensível,
entusiasta, generoso, humilde, habitado pela poesia, pela literatura, e pelo
teatro eivado de ideologia. Imediatamente me propôs trabalhar consigo: “Abramos
uma escola para técnicos e cenógrafos aqui em Almada!”. Mas, num país no qual
os ministros da Cultura se sucediam mais velozmente do que as estações do ano, tivemos
de desistir desse projecto.No entanto, empreendedor como ele era, depressa me
seduziu para outra aventura.Queria um novo abrigo para a sua Companhia. E então
construímos um teatro à sua imagem, um teatro universal: com uma pequena equipa
técnica e administrativa (não acreditava na eficácia de um grande número de
pessoas em seu redor), criámos uma sala que pudesse receber qualquer tipo de
espectáculo, quer durante o ano, quer em
Julho, durante o Festival.
Combatente, como também foi, conseguiu dobrar
aqueles que ousaram atacar as suas Fracas subvenções. O seu público — aquele que passou
a encher a sua nova sala, cinco vezes maior do que a anterior — saiu em defesa do
seu teatro, no célebre Abraço ao Teatro Azul, em Dezembro de 2010.
Pedagogo, podia falar durante horas aos seus actores
do texto que trabalhavam, do seu significado político, do Autor — mas quando se
tratava de discutir um novo espectáculo comigo, combinávamos tudo em meia dúzia de
palavras. E as suas ideias eram tão claras que muitas vezes, logo de seguida, fazia-lhe
uma primeira maqueta do cenário.
E retomávamos as nossas intermináveis discussões sobre
o estado do Mundo.
(Detalhes e programação em 30º Festivalde Almada).
POSTAIS SEM SELO
Avançando, coxia fora, noto pela primeira vez que há
poucos passageiros. Sento-me no meu lugar, abro o jornal. Não consigo
concentrar-me. Os pensamentos afastam-se da leitura. Lembro-me da família, os
vizinhos, a vila, neste instante tão perto do comboio onde viajo. Teimo em ler.
Mas, as recordações voltam. Nítida, ressoa-me na memória uma voz familiar:
- Olha que não deves ler nos comboios. Ou noutros
meio de transporte.
- Porquê, tia?
- Porque pode provocar um descolamento da retina.
- Manuel da Fonseca em Crónicas Algarvias
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Manuel da Fonseca,
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segunda-feira, 1 de julho de 2013
COMPLETAMENTE INCOMPETENTES
Mas também arrogantes, autoritários, autistas e cegos.
Demonstraram um soberano desprezo pelas pessoas.
Definitivamente gente nada recomendável.
Outro fim não poderia ter esta estratégia de
suicídio colectivo a que Victor Gaspar meteu ombros.
Mas não vale a pena gastar mais cera com tão ruim
defunto.
Fica a notícia, conhecida a meio da tarde de hoje:
O Presidente da República
aceitou hoje a exoneração do ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, e
a sua substituição por Maria Luís Albuquerque, até agora secretária de Estado
do Tesouro, propostas pelo primeiro-ministro.
O cangalheiro já tirou as
medidas ao caixote.
Só falta anunciar a data e
hora do funeral.
E que não descansem em
paz!...
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Cavaco Silva,
Governo de Direita
A ETERNA QUESTÃO
Começou ontem a Volta à França.
Trata-se da sua 100ª edição e nada melhor para
comemorar o acontecimento que o norte-americano
Lance Armstrong, despojado dos sete títulos conquistados na Volta à França, numa
entrevista ao Le Monde, considerar impossível ganhar o Tour sem recorrer ao dopping.
Roger Vailland escreveu que
não se ganha a Volta a França sozinho e Joaquim Agostinho, sem papas na língua
disse um dia, que não se sobe o Tourmalet a comer bifes
e a beber Água do Luso.
30º FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA
ESCOLHER CERTO
Em 1978 Joaquim Benite, com o seu Grupo de
Campolide, sai do Teatro da Trindade e instala-se numa colectividade almadense. Abandona uma das mais belas salas
do País e vem para o meio dos operários. Estreia um autor comunista desconhecido,
José Saramago. Cria uma mostra de teatro amador, que se transforma num dos mais importantes festivais
da Europa—trinta edições depois, verificamos que escolheu certo.
Apostando na diversidade estética, pautada pela
excelência artística, o Festival de Almada tem sido um local de encontro – de encontro
entre artistas, mas sobretudo de encontro entre artistas e o público. Como tal,
numa recente época de relativa abundância, durante a qual pulularam luminárias fátuas
e vazias de sentido, nessa época em que a Cultura foi também um negócio, o Festival
apostou no fortalecimento de laços
com os teatros seus parceiros(aqueles geridos por
artistas) — e com a sua Cidade.
Nesta 30.ª edição apresentamos de novo os grandes
criadores e intérpretes do teatro europeu; regressa a mais importante Companhia
portuguesa independente, a Cornucópia; há duas óperas, um concerto sinfónico,
seis estreias e um ciclo de teatro nórdico — e, não por acaso, há também espectáculos
de cada um dos PIIGS. Sabíamos o que aí vinha: o desinvestimento na Cultura não
começou com este Governo, não
se trata desta ou daquela cor política, deste ou
daquele governante – é outra coisa. Sabíamos que a ideologia liberal não encara o livre
acesso dos cidadãos à Cultura como um direito, embora ele esteja consagrado na
Constituição. Sabemos que a uma classe dirigente inculta e mal preparada não lhe convém uma
população bem formada e com poder reivindicativo. Aos jovens formados pelo
Estado, em cuja educação o mesmo Estado tanto investiu numpassado recente, é-lhes
agora sugerido que emigrem. E, como
Prevíamos o que aí vinha, reunimo-nos àqueles que pensam
como nós e preparámo-nos para resistir, apresentando uma das melhores
programações dos últimos anos.
Em 2013 a subvenção estatal diminuiu ainda mais –
mas apresentamos mais dez espectáculos do que no ano passado, com a garantia
de qualidade, por exemplo, do Odeón – Théâtre de l’Europe, ou do Théâtre de la
Ville. Acreditamos, porque no-lo ensinaram, que um público mais informado e mais
exigente reivindicará num futuro próximo aquilo que lhe é devido.
Podíamos ter ficado a chorar sobre o leite
derramado—mas a gente não escolhe assim
.
Rodrigo Francisco
Director
Artístico
(Detalhes e programação em 30ªFestival de Almada).
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Joaquim Benite,
José Saramago,
Pancadas de Moliére
LENDO VERSOS, OUVINDO BOB DYLAN
CANÇÃO PARA WOODY
Aqui estou a mil milhas de casa
Percorrendo um caminho que outros homens percorreram
Vejo o teu mundo de pessoas e coisas
Os teus pobres e camponeses e príncipes e reis.
Ei, ei, Woody Guthrie (1), e escrevi-te uma canção
Sobre um singular velho mundo que está a surgir
Parece doente e está faminto, cansado e dilacerado
Parece moribundo e ainda mal nasceu
Ei Woody Guthrie, mas eu sei que tu sabes
Todas as coisas de que estou a falar e muitas vezes mais
Estou a cantar-te a canção, mas não consigo cantar o suficiente
Pois não há muitos homens que tenham feito as coisas que fizeste
Saúdo Cisco e Sonny e Leadbelly (2) também
E toda a gente boa que viajou contigo
Saúdo os corações e as mãos dos homens
Que chegam com a poeira e partem com o vento
Parto amanhã mas poderia partir hoje,
Para algum lado estrada abaixo qualquer dia
A última coisa de todas que queria fazer
É dizer que a minha viagem tem sido dura também
Bob Dylan em Canções, Volume I (1962-1973) Relógio D’Água, Lisboa Setembro de 2006
(1) Woody Guthrie, de seu nome completo Woodrow Wilson Guthrie (1912-1967), compositor, cantor e escritor norte-americano. Foi a maior influência ( e não somente musical), assumida pelo próprio, na carreira de Bob Dylan.
(2) Cisco Houston (1918-1961), Sony Terry (1911-1986) e Leadbelly (Huddie William Ledbetter, 188-1949) são cantores, de música folk e de blues, que trabalharam com Woody Guthrie. Todos eles tiveram uma forte influência da orientação musical de Dylan, que chegou a conhecer Cisco Houston umas semanas antes da sua morte. Sonny Terry, que Dylan também conheceu e cujo trabalho na harmónica influenciou o seu modo de tocar aquele instrumento, ficou mumdialmente famosos pela dupla que formou com o guitarrista de blues Brownie McGhere.
(Notas dos tradutores).
Nota do editor: o título é roubado a uma crónica que
José Cardoso Pires publicou no Diário Popular de 30 de
Março de 1967.
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