sábado, 6 de junho de 2015
APESAR DE TUDO
Tendo andado
longos anos por capelinhas, começou a ser conhecido quando entrou na Catedral.
Deram-lhe
matéria-prima, nem sempre a aproveitou da melhor maneira.
Fez alguma
coisa.
Poderia ter
feito muito mais.
Trabalhava bem
mas estragava tudo quando se punha a inventar.
Como nunca gostei
do personagem, e não tem apenas a ver com futebol, sinto-me aliviado.
Obrigado, apesar
de tudo.
OLHAR AS CAPAS
Memória de Lisboa
Rómulo de
Carvalho
Apresentação de
Natália Nunes
Capa: Fernando
Mateus
Relógio d'Água
Editores, Lisboa Setembro de 2000
Nos anos setenta e oitenta dedicava s suas tardes de
domingo a percorrer e a remomerar a velha Lisboa, onde nasceu (à Sé), onde
crescera (na Graça), e que tanto amava e tão bem conhecia, não apenas de visu
mas igualmente pela história estudada e dos seus bairros, ruas, praças e
monumentos
Embora não gostasse de ser fotografado, praticava com
muito gosto a fotografia e, creio, enquanto amador, as suas fotografias são
excelentes.
Recolheu assim um vasto material, com que se compões
este livro (que foi organizado em cinco álbuns e muitas mais fotografias, aqui
não incluídas) que a sua família e o editor Francisco vale e Vasconcelos
/Relógio d’Água) resolveram dar à estampa.
«Memória de Lisboa» não constitui apenas um conjunto
de fotografias sobre a nossa Capital, ainda que vista pelos seus, dele,
Rómulo/António, olhos de poeta, que tanto a admirou pela sua beleza e pelo seu
cunho existencial de cidade vinda já da Antiguidade e desenvolvida entre o
Mediterrâneo e o Atlântico.
É que neste álbuns as fotografias são sempre
acompanhadas por legendas com a história da vida urbana, social e política dos
sítios e monumentos, redigidos, (no original, com a sua linda e legível
caligrafia) naquele estilo didáctico, preciso, elegante e claro que caracteriza
todas as suas obras,
«Memória de Lisboa» é um belo roteiro, descrito
simultaneamente pela ciência de um Historiador e pelo jeito didáctico daquele
que foi também um grande Professor e um admirável Poeta.
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António Gedeão Livros,
Lisboa,
Olhar as Capas
OS IDOS DE JUNHO DE 1975
6 de Junho de 1975
RECORTE tirado do Avante de ontem.
RECORTE tirado do Avante de ontem.
NACIONALIZAÇÃO
da Carris, do Metro e da Empresa Geral de Transportes.
EM ENTREVISTA ao
semanário O Jornal, Saldanha Sanches, director do Luta Popular,
órgão informativo do MRPP, disse que Estaline cometeu erros mas o mais grave é
ser o responsável pela restauração do capitalismo na União Soviética.
Fontes:
- Acervo
pessoal;
- Os Dias
Loucos do PREC de Adelino
Gomes e José Pedro Castanheira.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
POSTAIS SEM SELO
Quando eu morrer voltarei para buscar
os instantes que não vivi junto do mar.
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Postais Sem Selo,
Sophia de Mello Breyner Andresen
OS TESOUROS DE SINATRA
Por finais de
Fevereiro comecei, por aqui, a colocar o percurso que fiz pelas quase 200
páginas de Os Tesouros de Sinatra de Charles Pignone.
Encontrei o
livro no Boteco e achei, acontecendo que no dia 12 de Dezembro se
assinala o centenário do nascimento de Sinatra, que seria interessante, deste
modo, referir a efeméride.
Não coloquei
todos os tesouros., apenas aqueles que me pareceram mais significativos.
Esta fotografia
de 1940, destinada a ser distribuída pelos fans, mostra um charmoso Frank
Sinatra e é último desses tesouros.
Acabamos em
beleza.
EU TINHA UM MOTIVO PARA ISSO
Num final de tarde, estávamos a descer a rua 8 quando
ouvimos o «Because the Night» saindo de sucessivos estabelecimentos. Era a
minha colaboração com o Bruce Springsteen, o single do álbum Easter. O Robert foi o nosso primeiro ouvinte após
termos gravado a canção. Eu tinha um motivo para isso. Era o que ele sempre quisera
para mim. No Verão de 1978, a canção subiu ao décimo terceiro lugar nas tabelas
do Top 40, cumprindo o sonho do Robert de que um dia eu haveria de ter um disco
que fosse um êxito.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
POSTAIS SEM SELO
Não conhece a arte de navegar
quem nunca navegou no ventre
de uma mulher, remou nela,
naufragou
e sobreviveu numa das suas praias.
de uma mulher, remou nela,
naufragou
e sobreviveu numa das suas praias.
NOTÍCIAS DO CIRCO
Pedro Passos Coelho e Paulo Portas estiveram lado a lado, num hotel em Lisboa, para apresentar as “linhas de orientação geral para a elaboração do programaeleitoral”.
Jorge Jesus é o novo treinador do Sporting.
Já deu para ver, claramente visto, quais são as preocupações da esmagadora maioria dos portugueses no dia de hoje, e nos que se vão seguir.
O governo bate palmas e agradece do fundo do coração!
CONTAGEM DECRESCENTE
Faltam 270 dias
para Cavaco Silva regressar à Coelheira ou à marquise da Travessa do Possolo.
Logo para azar
nosso, o Fevereiro do próximo tem 29 dias e mais um dia com aquela múmia é algo
de terrífico.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
POSTAIS SEM SELO
trouxeste a frase que nunca antes leras,
o meu corpo a disse, e não reparaste que ficaste com
ela escrita
Gabriela Llansol
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Maria Gabriela Llansol,
Postais Sem Selo
COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...
Cine Romance
Nº 1 de 26 de
Novembro de 1954
Director António
Feio
Editor António
Sottomayor Corrêa de Oliveira
Coleccionando “Cine-Romance” terá em sua mão os
melhores filmes realizados em todo o Mundo.
Os filmes
resumidos ou, como eles diziam, novelizados.
Neste número:
Moulin Rouge
de John Huston que estava em exibição no Tivoli.
Novelização de
J. Sousa Martins
Até À Eternidade que estava eme exibição no Império e no Éden
Novelização de
Jorge Pelayo
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Coisas Extintas Ou Em Vias de...
OLHAR AS CAPAS
Rútilo é o «I»
Pedro Alvim
Capa: José
Araújo
Editorial
Caminho, Lisboa, Junho de 1980
terça-feira, 2 de junho de 2015
POSTAIS SEM SELO
Porque, acreditava-o firmemente, não fora dita ainda a
palavra derradeira: a selva ali estava, aliciante, misteriosa, traiçoeira mas
prometedora. Como sempre a sonhara: difícil, grata, livre. Talvez fosse
possível desvendá-la. Descobrir a ilha que vinha nos mapas. Encontrar a floresta
sem árvores. Mandar o manuscrito na garrafa, à espera de que alguém, numa praia
longínqua ou muito próxima, soubesse avaliar o seu peso de esperança.
Daniel Filipe em
O Manuscrito na Garrafa
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Daniel Filipe,
Postais Sem Selo
RECEITA DOS AVÓS
Ontem, quando fui buscar o meu neto João, nove meses, ao Infantário, tinha esta receita à minha espera.
Deliciosa.
OLHAR AS CAPAS
Matéria Solar
Eugénio de
Andrade
Capa: Armando
Alves
Editora Limiar,
Porto, Março de 1980
Nesses lugares,
nesses lugares onde o ar
perde a mão,
os meus amigos começam a morrer.
Falar tornou-se insuportável.
Falar dessa luz queimada.
deserta.
Que fazer desta boca,
do olhar,
tão perto outrora de ser música?
OS IDOS DE JUNHO DE 1975
2 de Junho de
1975
SESSÃO INAUGURAL
da Assembleia Constituinte presidida pelo Presidente Costa Gomes. Henrique de
Barros era o Presidente interino da Assembleia.
Dos 250
deputados, a maioria vinha das Faculdades de direito, mas também havia engenheiros,
escritores, actores, militares e operários.
Um elenco de
luxo. Não mais se repetiria.
Um tempo heroico, em que estávamos de alma limpa.
A sessão demorou
perto de meia hora. Os trabalhos, propriamente ditos, começariam no dia
seguinte.
VERGÍLIO
FERREIRA no seu Conta-Corrente:
Quando é que estes tipos perderão a farófia de
revolucionários? Porque tudo tem sido de um provincianismo aflitivo – a farófia
de mostrarmos ao mundo como é que é. A coisa agora é de revolução. Pois vamos
ser revolucionários como ninguém. É a nossa desgraça, isto de querermos dar
lições do que não sabemos e aprendemos engroladamente dos outros.
Como não temos génio para inventar, defendemos a
basófia acentuando a traço grosso o que os outros inventaram.
CORREWSPIONDENDO
a um apelo do PCP, MDP/CDE, FSP e Intersindical, milhares de pessoas
deslocaram-se ao Aeroporto da Portela para saudarem Vasco Gonçalves, regressado
de Bruxelas, onde participou na Cimeira da NATO.
Esperamos ter contribuído para que não haja dúvidas
sobre os nossos propósitos e quando dissermos que não somos um cavalo de Tróia
dentro da NATO é porque não somos mesmo, disse o primeiro-ministro aos manifestantes.
Fontes:
- Acervo
pessoal;
- Os Dias
Loucos do PREC de Adelino
Gomes e José Pedro Castanheira.
- Conta-Corrente de Vergílio Ferreira.
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Vasco Gonçalves,
Verão Quente 1975,
Vergílio Ferreira
segunda-feira, 1 de junho de 2015
POSTAIS SEM SELO
Não lhes deem o que eles querem mas o que eles nunca
acreditaram ser possível.
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Orson Welles,
Postais Sem Selo
OS TESOUROS DE SINATRA
Com Ella Fitzgerald, 1960.
Sinatra actuou inúmeras vezes com Fitzgerald, ao longo da sua carreira. Ela era uma grande fã sua e ele dela, embora nunca tenha sido editado um álbum dos dois juntos.
Charles Pignone
JUNTA-SE À BANDA OUTRO GAJO
Quando tocamos ao ar livre, junta-se à banda outro
gajo – São Pedro. Ou ele está bem disposto ou manda vir um vento na direcção
errada, desviando o som consigo. Alguém acaba por levar com o melhor som dos
Stones do mundo – a três quilómetros de distância e sem sequer o ter pedido.
Felizmente, tenho a minha varinha mágica. Antes de o concerto começar, na
altura do controlo de som, repito sempre o mesmo ritual: pego numa das minhas
varetas e faço uns sinais cabalísticos para o céu e no chão do palco. «Já está;
vai haver bom tempo.» É um fetiche, mas se apareço num concerto ao ar livre sem
uma vareta, toda a gente acha que estou doente. Normalmente, pouco antes de o
espectáculo começar, o tempo fica bom.
Alguns dos nossos melhores concertos decorreram sob as
piores condições inimagináveis. Em Bangalore, da primeira vez que tocámos na
Índia, a monção rebentou a meio da primeira canção e manteve-se até ao fim. Eu
mal podia ver os trastes da guitarra, com tanta chuva a jorrar e salpicar.
«Monção em Bangalore»; ainda hoje, é assim que nos referimos a essa noite.
Granizo, neve, chuva, seja o que for – o público aguenta sempre. Se lá ficares
com ele, por piores que sejam as condições, não arreda pé: fica ali a curtir o
rock e a ignorar a meteorologia. O pior é quando vem uma vaga de frio. Quando
tens os dedos gelados, torna-se mesmo difícil trabalhar. Nas raras vezes em que
acontece -, o Pierre arranja-nos uns sacos térmicos para aquecermos os dedos
por uns minutos antes da canção seguinte, só para ter a certeza de que não enregelam.
Keith Richards
em Life
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Keith Richards,
The Rolling Stones
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