quinta-feira, 28 de maio de 2015

QUOTIDIANOS


Um jovem de 20 anos, vivia com a namorada numa casa arrendada no Porto Brandão. Era o senhorio que recebia a correspondência do jovem pescador e ficou-lhe com o envelope que continha o cheque do Rendimento Social de Inserção, no valor de quase 180 euros.
O rapaz foi ter com o homem e pediu-lhe o envelope mas este recusou e entrou na habitação. Voltou segundos depois com uma caçadeira e, sem dizer uma palavra, disparou a poucos centímetros do rapaz, causando-lhe a morte.
Uma vizinha disse aos jornalistas que o homicida é um homem perturbado, vivia completamente transtornado depois das finanças, por causa de dívidas, lhe levarem quase tudo.

OS TESOUROS DE SINATRA






Durante a campanha presidencial de John Kennedy (1961), Frank Sintra, nos bastidores, foi um trabalhador incansável. Quando ganhou as eleições John Kennedyfoi ter com o seu cunhado Peter Lawford e com Frank Sinatra para produzirem a Gala da sua tomada de posse.
Estas são páginas do programa retiradas, como habitualmente do livro de Charles Pignone,

Curiosamente a primeira parte da gala termina com a orquestra de Nelson Riddle a tocar Lisboa Antiga.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

OS IDOS DE MAIO DE 1975


27 de Maio de 1975


TÍTULO E RECORTE do Diário de Lisboa de 27 de Maio de 1975.

OS TRABALHADORES da Rádio Renascença ocupam os emissores de Lisboa. A Rádio Renascença deixa de se apresentar como emissora católica portuguesa e o novo slogan é Rádio Renascença ao serviço dos trabalhadores.

ENTROU em vigor a Lei do Divórcio. É publicado o decreto-lei que revoga o artigo 372º do Código Penal, o qual, segundo o preâmbulo do diploma conferia ao marido ofendido um autêntico direito de matar a mulher achada em adultério.
A lei previa uma pena de desterro para fora da comarca, por seis meses, ao homem casado que, achando a sua mulher em adultério, a matasse a ela ou ao adúltero, ou a ambos, ou lhes fizesse qualquer ofensa grave.

FOI DESTRUÍDA a sede do MDP/CDE em Bragança. Nas paredes interiores liam-se inscrições com ameaças de morte e promessas do regresso do ELP.

A ASSEMBLEIA DO MFA reunida ontem durante dezasseis horas, aprovou uma fórmula para reforçar a aliança POVO/MFA, reafirmou o seu apoio ao primeiro-ministro Vasco Gonçalves e criticou os dirigentes do PS
Texto de opinião, assinado por Mário Ventura, no Diário de Notícias de 27 de Maio de 1975:


Fontes:
- Acervo pessoal;
- Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.

OLHAR AS CAPAS


Pequenos Burgueses

Carlos de Oliveira
Capa: Lima de Freitas
Fotografias: Augusto cabrita
Publicações Dom quixote, Lisboa, Abril de 1970

Nos começos do estio, uma dessas veredas da gândara é um enovelado fiar e desfiar de pegadas. Não faltam sinais de pés descalços, tamancos, cascos, ferraduras, na poeira grossa e ainda húmida das últimas chuvas da primavera. O calor, contudo, aperta dia a dia, o chão começa a esboroar-se e há-de criar o pó amarelado e solto de agosto. Então, adeus pegadas. Não é preciso vento, basta o sopro dum pássaro para as levar. Por agora, a humidade molda-as e conserva-as Nada que se compare a um atalho quase barrento de abril ou maio, longe disso, mas também não se pode existir tanto em julho, que demais a mais principiou bastante quente.

EXTINTA A SOCIEDADE PORTUGUESA DE ESCRITORES


Maio de 1965.

Salazar mandou encerrar e destruir a Sociedade Portuguesa de Autores.

O pretexto foi a atribuição do Grande Prémio da Novela a Luandino Vieira pelo seu livro Luuanda.

Por aqui, acedendo à etiqueta Sociedade Portuguesa de Escritores, encontrarão mais pormenores sobre o miserável atentado.

Numa entrada, datada de 20 de Julho de 1968, José Gomes Ferreira, no 5º volume dos seus DiasComuns, regista o seguinte episódio:

O Nikias trouxe-me a notícia de que a Censura requisitou para ler (sabemos o que isso significa) a Apresentação do Rosto de Herberto Helder – exactamente o que o Carlos e eu tanto temíamos desde a saída do livro. E vai, por certo, mandar apreendê-lo.
É pena! ( Embora considere a Apresentação do Rosto inferior ao Retrato em Movimento. Pelo menos mais apressado.) É pena porque me custa não ver devidamente recompensados os actos de coragem. E nesta terra, destruir certos tabus sexuais literários ainda sabe a desafio de barricadas.
E aqui temos o Herberto Helder enrodilhado num sarilho contra si mesmo. O pobre Herberto Helder que, quando o Abelaira, o Manuel da Fonseca, o Pinheiro Torres, o Gaspar Simões e a Fernanda Botelho estiveram presos, se negou a assinar o débil protesto contra a dissolução da Sociedade Portuguesa de Escritores. Para não perder o emprego na Emissora – diz-se para aí nos Cafés deste país estranho de homens estranhos!
Também corre que a atitude de Herberto Helder, durante o julgamento por abuso de liberdade de imprensa do editor de um livro de Sade, não foi irrepreensível.
Bem. Já sabemos! Como cidadão o Helder pouco vale, nem quer valer, talvez. Sorri do alto do desdém de quem toca todos os dias no frio dos esqueletos.
Mas não escrevi eu já uma vez que o poeta tem deveres mais profundos e terríveis como poeta do que como cidadão?


Legenda: recorte do matutino, monárquico, católico e salazarista, A Voz de 22 de Março de 1965.

NOTÍCIAS DO CIRCO



terça-feira, 26 de maio de 2015

POSTAIS SEM SELO


Em qualquer aventura, o que importa é o partir, não o chegar.

Miguel Torga

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Anúncio publicado no Diário Popular de 13 de Maio de 1967.
Baile do Twist e o inevitável «Damas ao Bufete».
Saudades.

OS IDOS DE MAIO DE 1975


26 de Maio de 1975

O PRESIDENTE Costa Gomes preside à Assembleia Extraordinária do M.F.A que, desde as 09,30 horas, se encontra reunida no Instituto de Altos Estudos Militares.

À entrada, Otelo Saraiva de Carvalho disse aos jornalistas:


NUMA REUNIÃO entre o ministro Mário Murteira e José Manuel de Mello, foram definidos os termos em que o Estado vai intervir na CUF.

SÁ CARNEIRO, por motivos de saúde, deixou de ser o secretário-geral do PPD e regressou a Londres para tratamentos. Foi substituído por Emídio Guerreiro de 75 anos, lutador anti-salazarista pelo que passou 40 anos no exílio.

 Fontes:
- Acervo pessoal;
- Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.

DITOS & REDITOS


Há luxos que doem muito.

O possível é sempre o ideal.

É preciso ver para lá da babugem das marés.

Amor à vida é saber ver.

Só duvida quem sabe.

Pura sobrevivência.

Mais importante ser leal do que fiel.

Cá se fazem, cá se pagam.

NOTÍCIAS DO CIRCO



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É bom que não se esqueçam para depois não terem de andar, pelos cantos, a soltar desesperados lamentos.

Legenda: fotografia de Luísa da Costa

segunda-feira, 25 de maio de 2015

POSTAIS SEM SELO


Só existe uma coisa melhor do que fazer novos amigos: conservar os velhos.

Elmer G. Letterman

Legenda: fotografia de Vivian Maier

À LUZ DE CANDEEIROS


Rua das Escolas, Lisboa.

DEIXO ISSO PARA AS MARVELETTES


O Robert e eu encontrámo-nos diante de um dos murais com extraterrestres que decoravam o corredor do Electric Lady. Ele parecia mais do que satisfeito, mas não pôde resistir a mostrar-se um bocadinho amuado. «Patti», disse-me ele, «tu não fizeste nada que pudéssemos dançar.»
Eu disse-lhe que deixava isso para as Marvelettes.
O Lenny e eu desenhámos o disco, e chamámos à nossa etiqueta Mer. Mandámos prensar 1500 exemplares numa pequena fábrica da Avenida Ridge, em Filadélfia, e distribuímo-los por livrarias e lojas de discos, onde se vendiam a dois dólares cada. Também se podia ver a Jane Friedman à entrada dos nossos concertos vendendo aqueles que trouxera dentro de um saco das compras. Entre todos os sítios onde o tocaram, o nosso maior orgulho foi ouvi-lo na vitrola do Max’s. Ficámos surpresos ao descobrirmos que o nosso aldo B, «Piss Factory», era mais popular do que o «Hey Joe», o que nos motivou a concentrarmo-nos mais nos nossos próprios temas.
A poesia continuaria a ser o meu princípio orientador, mas andava a pensar vir um dia a oferecer ao Robert o que ele queria.

Patti Smith em ApenasMiúdos.

OLHAR AS CAPAS


Pela Estrada Fora

Jack Kerouac
Tradução: H. Santos Carvalho
Capa de Luiz Duran
Editora Ulisseia, Lisboa, Dezembro de 1978

Não tinha dinheiro. Mandei à minha tia uma carta por avião a pedir-lhe cinquenta dólares e a dizer-lhe que era o último dinheiro que lhe pedia; depois disso seria ela a receber o dinheiro que lhe mandaria logo que arranjasse o tal barco.
Depois fui ter com Rita Bettencourt e levei-a para o apartamento. Metia-a no meu quarto após uma longa conversa na escuridão da sala. Ela era uma bela rapariga, simples e verdadeira, com um medo tremendo do sexo. Eu disse-lhe que era uma coisa bela. Queria provar-lho. Ela deixou provar, mas eu fui impaciente em demasia e não provei coisa nenhuma. Ela suspirou no escuro.
- Que pretendes da vida? - perguntei. Era o que eu costumava perguntar então sempre às raparigas.
- Não sei – disse ela – Servir às mesas e tentar ir andando.
Bocejou. Pus-lhe a mão na boca e disse-lhe que não bocejasse. Tentei explicar-lhe como eu estava excitado com a vida e as coisas que podíamos fazer juntos; a dizer isto, e a planear sair de Denver daí a dois dias. Ela, tristemente, virou-me as costas. Ficámos estendidos a olhar para o tecto e a pensar por que razão teria Deus feito a vida tão triste. Fizemos vagos planos para nos encontramos em Frisco.

NOTÍCIAS DO CIRCO


Quarenta milhões de euros depois, foi, finalmente, aberto ao público o novo  Museu dos Coches.

Nenhum político conseguiu explicar o porquê da sua construção quando o anterior, tinha o glamour do antigo Picadeiro Real do Palácio de Belém, mostrava-se funcional, sendo um dos mais visitados.

Começou a ser construído em Janeiro de 2009, ficou praticamente concluído em 2012 e previa-se a sua abertura para a segunda metade de 2014.
Olhos, arquitecticamente, cegos como os meus, vêem o museu como um enorme paredão branco.

Há quem lhe chame um outro mamarracho.

As despesas de manutenção estão estimadas em 2,7 milhões de euros anuais.

Com entrada gratuita durante o fim-de-semana, o museu registou a visita de milhares de pessoas.

Uma idosa disse à reportagem do Diário de Notícias que foi porque é de graça, se fosse a pagar não vinha, enquanto uma outra se espantava com o dinheiro que tudo aquilo custou, e deixou cair um com tanta gente a passar fome.

domingo, 24 de maio de 2015

POSTAIS SEM SELO


A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.

É BOM NÃO ESQUECER!


O auto proclamado Estado Islâmico, um misto de loucos e mercenários e sabe-se lá mais o quê, tomou a cidade de Palmyra, cujas ruínas arqueológicas são património da Humanidade. 

Receia-se o pior.

O caos há muito que está lançado no Oriente.

Umas semanas atrás, Barack Obama enquadrou pela primeira vez o aparecimento e posterior expansão do grupo terrorista Estado Islâmico no contexto das decisões de política externa americana:

O Estado Islâmico é uma consequência direta da Al-Qaeda no Iraque, que cresceu da nossa invasão. É um exemplo de uma “consequência não-intencional”, razão pela qual devemos geralmente apontar antes de disparar.

Saddam Husseuin, Khadafy eram o que eram, mas mantinham um controlo sobres aqueles territórios.

Todos os que sonhavam com primaveras árabes, com a queda daqueles ditadores, podem agora olhar no que tudo isso deu.

Já antes Noam Chomsky tinha dito:

 «Toda a gente está preocupada em acabar com o terrorismo. Bem, há uma maneira muito fácil: parem de participar nele.

NOTÍCIAS DO CIRCO


PORQUE HOJE É DOMINGO


Hoje não podia deixar de ser assim.
Bom domingo!

sábado, 23 de maio de 2015

POSTAIS SEM SELO


Viajar é olhar.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Legenda: fotografia de Luís Calisto

OLHARES




A Festa do 34 na Catedral.

NEUROPEU DE FUTEBOL


É grave? Não é grave? Sei lá. Verifico, apenas, que é assim por toda a parte. E isso massacra, desgosta, faz perder a razoabilidade, a isenção, o bom senso, a simples tineta.»
O que perde o futebol não é o jogo propriamente dito, mas todo o barulho que se faz à volta dele. É impossível a gente alhear-se do futebol, falado, comentado, transmitido, relatado, visto, ouvido, apostado, gritado, uivado, ladrado, festejado, bebido. O futebol passa deste modo a ser uma chateação permanente. É que não há tasca, pastelaria, sala de jogos, barbearia, recanto de jardim público, quiosque, bomba de gasolina, restaurante, Assembleia da República, supermercado, hipermercado, livraria, loja, montra, escritório, colégio, oficina, fábrica, habitação, diria até, onde, de algum modo, não se ouça falar do jogo que decorre, decorreu ou decorrerá. Quando há transmissão via TV ou Rádio, então a infernização é total. Passam sujeitos na rua de transístor aberto para ouvir o relato, para sofrer e fazer sofrer quem gosta (ou não) de futebol, ouvem-se súbitos gritos guturais, alarido dos diabos. Em casas de comida (pasto), pastelarias, etc., só se vê gente de pescoço esticado para o pequeno ecrã, alguns acompanhando simultaneamente com o rádio de bolso o jogo que está a ver. Isto sem contar com o que vem das residências particulares, quando o calor aperta e as janelas estão abertas. Depois, aparecem os jornais desportivos e os jornais não desportivos, os críticos, os especialistas, os entrevistadores, os grandes títulos tantas vezes perfeitamente idiotas, como o da presente crónica, para não me furtar ao exemplo. Enfim, o País fica futebol.
É grave? Não é grave? Sei lá. Verifico, apenas, que é assim por toda a parte. E isso massacra, desgosta, faz perder a razoabilidade, a isenção, o bom senso, a simples tineta. Que futebol pode ser um jogo lindo, emocionante, que dúvida! Ainda há momentos (estou a escrever no domingo) acabei de telever o Portugal-Espanha chutado e dei comigo aos pulos, abraçado a um filho de oito anos de idade - ainda relativamente ileso -, quando os nossos patrícios meteram o seu golo. Eu estava apanhado apenas por razões patrioteiras, que o jogo foi fraco, embora o golo tenha sido lindo.
Mas que vem a ser isto? Então eu que, ao contrário do que é costume, até gosto dos espanhóis, vou deixar-me caçar assim? Que tenho eu a ver, no fundo, com a equipa-de-todos-nós, agora exaltada num hino que dá vontade de rir?
Nestas coisas tem de se cortar cerce: nunca mais vou chupar desse tabaco que se chama futebol. Em todo o caso, sempre quero dizer que eu, se fosse o Cabrita, tinha metido o Gomes, pelo menos na segunda parte, ou estarão a poupar-lhe as pernas para o Inter de Milão?


Alexandre O’ Neill, crónica publicada no JL de 19 de Junho de 1984 e antologiada em  Já Cá Não Está Quem Falou.

DIA DE SÃO BENFICA


Hoje mais do que nos restantes dias.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

POSTAIS SEM SELO


- Enfim – suspira a senhora Bosse, voltando à sua tarefa -, não se pode fazer a felicidade das pessoas contra a sua vontade… Não é verdade, Emile?

Roger Martin du Gard em Velha França

Legenda: fotografia de Vivian Maier