sexta-feira, 22 de maio de 2015
OS TESOUROS DE SINATRA
Num esforço para angariar fundos para o senador Kennedy concorrer à presidência, Sinatra gravou uma versão especial da canção «High Hopes». John Kennedy reconheceu a importância da iniciativa e escreveu uma carta de agradecimento.
Charles Pignone
OS IDOS DE MAIO DE 1975
22 de Maio de
1975
MEMBROS do
Partido Socialista não participarão no Conselho de Ministros enquanto não fora
dada solução ao «Caso República».
Na conferência
de imprensa realizada durante a manhã, estiveram presentes, para além de Mário
Soares, Salgado Zenha, Jorge Campinos, Pedro Coelho, Sottomayor Cardia, Manuel
Alegre, Tito de Morai e Raul Rego.
O Partido Socialista acredita no socialismo e não
admite que o povo, supostamente reacionário, tenha votado socialista por engano
ou contra os seus interesses profundos.
Foi refutada a
interpretação que o Conselho da Revolução fez da actuacção do P.S. nos
incidentes do comício do 1º de Maio e perguntou-se:
Por que razão instâncias do M.F.A. criticam tão
frequentemente o P.S. e nunca o P.C.P.
ÁLVARO CUNHAL
esteve, ontem, no programa televisivo «Responder ao País», e enfrentou
perguntas feitas por Adelino Gomes, José Megre e José Manuel Galvão Teles.
Não somos um Partido para nos servirmos da Revolução.
Somos um Partido para servir a Revolução. Não somos um Partido que procure
benefícios de qualquer espécie, partidários ou pessoais.
O COMPLEXO
turístico do Muxito, em Vale de gatos, conselho do Seixal, chama-se agora Comuna
Che Guevara.
Numa área de 35
hectares existem planos para a criação de creches, parques infantis, um centro
cultural e um espaço de ocupação dos tempos livres das crianças em idade
escolar.
O CONSELHO DA
REVOLUÇÃO mostra-se crítico em relação ao modo alarmista e superficial
como a imprensa está a acompanhar o processo angolano. Foi reafirmado que o
exército português assume em Angola uma posição de neutralidade, respeitando os
Acordos de Alvor e manifesta-se esperançado em que os dirigentes dos três
movimentos de libertação encontrem a plataforma de entendimento político que
conduza à independência do País.
Fontes:
- Acervo
pessoal;
- Os Dias
Loucos do PREC de
Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.
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Verão Quente 1975
OXALÁ EU SEJA ETERNO!
As Bodas de Fígaro no Trindade inteiramente cantada por portugueses -felizes por cantarem Mozart.
Uma das tristezas da morte-morte é esta de NUNCA MAIS tornar a ouvir As Bodas de Fígaro pelos tempos fora...
Oxalá eu seja eterno!
José Gomes Ferreira em Dias Comuns, 7º volume.
OLHAR AS CAPAS
O Fósforo Na Palha
Egito Gonçalves
Capa: Fernando
Felgueiras
Cadernos de
Poesia nº 11
Publicações Dom
Quixote, Lisboa, Abril 1970
Um dia finalmente amarrarei
os teus joelhos entre duas mãos
as minhas mãos então serenas
para que não possas caminhar sem mim
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quinta-feira, 21 de maio de 2015
POSTAIS SEM SELO
Somos um povo de analfabetos. Destes há alguns que não
sabem ler.
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Vergílio Ferreira
OS IDOS DE MAIO DE 1975
21 de Maio de 1975
O CASO REPÚBLICA
continua a inflamar o ambiente político do País.
Segundo o Jornal
Novo, Mário Soares e Salgado Zenha foram ontem a Belém dizer ao Presidente
Costa Gomes que os titulares do PS não comparecerão no Conselho de Ministros
enquanto não estiver solucionado o caso.
Convocada para
amanhã uma conferência de imprensa e uma maifestção de protesto para o Rossio.
Citado pelo Jornal
Novo, Álvaro Cunhal disse que os comunistas não querem controlar os jornais
de outros partidos, do mesmo modo que não comemos criancinhas nem damos
injecções detrás da orelha.
Num comunicado, o
MDP/CDE afirma que o PS está a desenvolver uma perigosa campanha procurando
perturbar a opinião pública e agravar o clima político do país.
Trecho do
Apontamento, Uma Nova Provocação, de José Saramago, publicado no Diário de
Notícias:
UM RELATÓRIO da
Comissão Política do Conselho da Revolução, revela que a delegação do Partido
Socialista, sendo a última a entrar no Estádio 1º de Maio, realizando um
mini-comício, provocou os incidentes de que se disseram vítimas.
NO BRASIL,
António Spínola declarou a amigos que esteve activamente envolvido nos
acontecimentos de 11 de Março e mostra-se disposto a continuar a lutar para
libertar Portugal.
Fontes:
- Acervo
pessoal;
- Os Dias
Loucos do PREC de Adelino
Gomes e José Pedro Castanheira.
- Os Apontamentos de José Saramago.
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Verão Quente 1975
LIÇÃO DE COISAS
O sangue é um líquido complexo
que circula. Vermelha é a sua cor
sem paralelo e no entanto variável
como planície sob várias luas.
O sangue contém numerosos elementos
de que algumas pessoas conhecem a fórmula.
É o nosso sangue! Ele,
que gira, circula
e nos alimenta.
O sangue escoa-se facilmente
- basta-lhe uma abertura.
Mas o sangue de um morto por acidente
não é o mesmo, na rua,
que o sangue de um morto pela liberdade,
escorrendo também ao longo da rua.
Cada um deles tem uma maneira diferente
de ser vermelho e de gritar.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
OS IDOS DE MAIO DE 1975
20 de Maio de
1975
O Caso
República continua na ordem do dia… e da noite.
Durante a
madrugada um «grupo de amigos da República» põe a circular, esta edição
policopiada do jornal.
Forças do
Copcon, mantêm um cordão de segurança em redor do edifício.
No interior do
jornal uma reunião estende-se por toda a madrugada.
As conversações
decorrem com a presença do Ministro da Comunicação Social Correi Jesuíno, o
director-geral da informação Rui Montez, Gustavo Soromenho, representando a
administração do jornal, os jornalistas João Gomes e Álvaro Guerra, em nome da
redação e a Comissão de Trabalhadores.
Gustavo
Soromenho chega a dizer: estou receptivo a possíveis acordos que desejo,
sinceramente, apareçam. A minha disposição é a de que todos nós possamos voltar
a fazer o nosso jornal.
Não foi possível
qualquer acordo.
Às 5 da
madrugada, o jornalista João Gomes, dirige-se à varando da redação e informa os
manifestantes de que o jornal vai ser encerrado.
Ouvem-se gritos:
«Fechar o jornal é fazer o jogo do Cunhal».
Durante a noite,
em plena Rua da Misericórdia, já tinham sido queimados centenas de exemplares
da edição do jornal publicada com o nome de Belo Marques no cabeçalho.
Mário Soares
mantém-se entre os manifestantes e com eles cantou e dançou ao som de Olélé,
olálá, fora do jornal com os lacaios do Cunhal.
O jornal acaba
por ser selado e encerrado no dia em que perfazia 64 anos.
Mário Soares diz
aos jornalistas:
Vamos mobilizar
o País numa guerra aberta ao poder.
Fontes:
- Acervo
pessoal;
- Os
Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.
- O Caso República de Francisco Costa e António Rodrigues.
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Verão Quente 1975
OLHAR AS CAPAS
Branco no Branco
Eugénio de
Andrade
Capa: Armando
Alves
Editora Limiar,
Porto, Setembro de 1974
Faz uma chave, mesmo pequena,
Entra na casa.
Consente na doçura, tem dó
da matéria dos sonhos e das aves.
Invoca o fogo, a claridade, a música
dos flancos.
Não digas pedra, diz janela.
Não sejas como a sombra.
Diz homem, diz criança, diz estrela.
Repete as sílabas
onde a luz é feliz e se demora.
Volta a dizer: homem, mulher, criança.
Onde a beleza é mais nova.
terça-feira, 19 de maio de 2015
POSTAIS SEM SELO
Murizio diz sempre que se obtêm as coisas, mas quando
já não são precisas para nada.
Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.
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OLHAR AS CAPAS
O Caso República
Francisco S.
Costa
António P.
Rodrigues
Edição dos Autores,
Junho de 1975
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Verão Quente 1975
OS IDOS DE MAIO DE 1975
19 de Maio de
1975
A comissão de
trabalhadores do vespertino República reúne-se com a direcção e chefia
da redacção a quem sugerem que apresentem a demissão.
Apoiada pela
maioria da redacção, a direcção rejeita.
Em resposta, a
CT apodera-se do jornal. Quando sai para a rua no cabeçalho, em vez do director
Raul Rego, sai o nome de Álvaro Belo Marques.
Mário Soares
responsabiliza o Partido Comunista pelo sucedido.
Em frente ao
jornal, militantes socialistas gritam: República
é do povo não é de Moscovo, O Jornal não é do Cunhal.
Mário Soares,
rodeado de outros dirigentes socialistas, de megafone em punho realiza um
comício:
Estamos aqui como patriotas a defender a liberdade de
expressão pois não toleramos que uma escassa minoria de pessoas calem aquela
que é porventura das poucas vozes livres que ainda existem neste país.
Militares
impedem o assalto às instalações.
Em Portugal
Depois de Abril pode ler-se:
O PS era ainda um partido mal organizado e não
adaptara os seus métodos de acção às exigências do momento. Esqueceu-se de que
os jornais, nesta altura, se ganhavam e perdiam nas tipografias e não nas
redacções. Isso, de resto acontecera-lhe já no «Diário de Notícias, quando os
tipógrafos expulsaram a direcção socialista do jornal, nomeada por Raul Rego
quando ministro da Comunicação Social.
A tipografia do «República não era dominada pelo PC
mas pela esquerda revolucionária.
Diniz de Almeida
em Ascensão, Apogeu e Queda do M.F.A.:
Forçando a crise que lhe interessa muito mais do que o
jornal, o PS acusa o PC de estar por detrás dos acontecimentos, o que é
obviamente falso. Mas a verdade já não interessa então ao PS.
Dominique Pouchin lembra a Mário Soares que os empregados
e tipógrafos do jornal, elegeram uma
Comissão de Trabalhadores e apenas dois delegados eram militantes do PC, e os
outros, mais numerosos, não escondiam a sua hostilidade ao partido de Álvaro
Cunhal, mas Mário Soares ( o livro está datado de Abril de 1976)
reafirma que o Partido Comunista foi o instigador número um do conflito.
Dominique
Pouchin lembra a Soares uma afirmação de Lopes Cardoso, membro do Secretariado
Nacional do PS, datada de 27 de Junho de 1975:
Na minha opinião, o caso República não foi
desencadeado com o acordo do Partido Comunista Português. Há alguns comunistas
na Comissão de Trabalhadores, mas o P.C. tomou posições de vários matizes, e
discretas, sobre o assunto. Não acho que seja responsável pelo caso: de resto,
não tinha interesse nisso. Não vejo nenhuma razão para acreditar que o caso
haja sido desencadeado com o acordo da direcção do Partido Comunista.
Mário Soares
apenas lembra que o PS não é um partido monolítico e cada um tem a sua opinião.
APELO dos
redactores do jornal e resposta da Comissão de Trabalhadores, na edição de 19
de Maio.
Comunicado do
Partido Socialista, e apelos à manifestação frente ao jornal, distribuídos,
durante a tarde, em Lisboa.
Fontes:
- Acervo
pessoal;
- Os Dias
Loucos do PREC de Adelino
Gomes e José Pedro Castanheira.
- PortugalDepois de Abril de Avelino Rodrigues/Cesário Borga/Mário Cardoso
- Contra-Revoluçãode Fachada Socialista de Varela Gomes
- Portugal:
Que Revolução? de Dominique Pouchin em conversa com Mário Soares
- O Caso República de Francisco Costa e António Rodrigues.
Legenda: comunicado da nova direcção do República, publicado na 1ª página.
Legenda: comunicado da nova direcção do República, publicado na 1ª página.
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Verão Quente 1975
segunda-feira, 18 de maio de 2015
POSTAIS SEM SELO
Quando há duas
temporadas o golo de Kelvin permitiu que o Futebol Clube do Porto, fosse
campeão aos 92 minutos do jogo e fez com que o treinador Jorge Jesus ficasse, desesperadamente,
de joelhos no chão, houve quem não compreendesse e disso tirasse largo gozo.
Ontem, Julen Lopetegui,
ao ver Jackson Martinez, a um minuto do fim, falhar um golo cantado, que adiava
a atribuição do título ao Benfica, ajoelhou e levou as mãos ao rosto.
Ser-se humano
tem destes reflexos.
Não mais.
ANTIMUSA
o poema
encontrei-o na
rua.
Suportei-o nas coisas
desiguais
O merceeiro
punha maçãs à porta mas
os meninos
vendiam pentes.
Talvez o meu
poema tenha morado
nos pés
descalços
por isso trago
vozes pó cansaço
trago um poema
sujo
com cheiro a
lenha e a caminhos
trago um poema
que quero agreste
e malcriado.
O poema
encontrei-o nas flores
O jardineiro cantava baixo.
As palavras que
trago talvez
ele as dissesse
antes de mim
por isso o meu
poema se diz terra
vem suado dorido
e com orvalho
colado aos ombros
O poema colhi-o
nos outros
havia homens que
falavam de coisas belas
há daquelas
palavras que só se dizem
de mão em mão.
Foi daí que
nasceram
todas as aves do
meu poema.
Talvez os barcos
também trouxessem versos
algum dia
mas foi com eles
que aprendi
os espaços
vazios.
Os homens partem
de madrugada
foi por isso
que enchi o meu
poema de comboios
e o fechei em
volta
A rima,
desisti-a no passeio
um mendigo
tocava
Foi então que
fiquei com um poema cego.
Um poema de mãos
fechadas
Há quem saiba de
angústias e de luas.
Por mim,
Trago-te os dias
por que passo
nada mais.
Hélia Correia
DITOS & REDITOS
Quando não está bom tempo, o tempo é sempre mau.
Quem fala demais acaba por fazer asneira.
Vivam felizes hoje que amanhã será tarde.
A inteligência é um prazer.
Que bem vai a embarcação quando o arrais canta.
Deve-se combater os lobos e não uivar com eles.
Os desejos são recordações.
O que é doce nunca amargou.
domingo, 17 de maio de 2015
POSTAIS SEM SELO
O Benfica é o Benfica.
E o que tem de ser - e é - tem muita força.
Miguel Esteves Cardoso.
Legenda. não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.
OS TESOUROS DE SINATRA
Bilhetes de concertos internacionais de Frank Sinatra:
1) Maracanã, Rio de Janeiro de 26 de Janeiro de 1980. Foi a assistência mais numerosa para um artista a solo, estando registada no Guiness: 175.000 espectadores.
2) Argentina, 10 de Agosto de 1981
3) Tóquio, 18 de Abril de 1985
4) Roma, 13 de Junho de 1987,
Charles Pignone
PORQUE HOJE É DOMINGO
Always on My Mind.
Uma canção que conheci cantada pelo Elvis Presley e de que gosto muito.
Fica aqui, para além da versão do Rei Elvis, as versões de Brenda Lee e Wuillie Nelson.
Bom domingo!
E espero que seja mesmo um grande domingo!
sábado, 16 de maio de 2015
POSTAIS SEM SELO
É impossível que
esteja a correr tudo tão bem... Tenho um mau pressentimento.
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