sexta-feira, 28 de abril de 2017

OLHARES


No meu tempo de miúdo isto era um arranha-céus: o arranha-céus do Areeiro e não tem mais de nove andares.

Existe um outro na Praça de Londres.

Também com os seus nove andares, mas com uma pequena diferença: albergava um dos mais conhecidos cafés da zona chique das Avenidas Novas, o Café Londres, traço do arquitecto Cassiano Branco, a sua ampla sala e o salão de jogos com mesas de bilhar.


Hoje, é um balcão do Novo Banco e começou por ser balcão do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa, que nas noites de sexta-feira se transformava em posto de recepção da Santa Casa da Misericórdia para apostas fora de horas do Totobola e Toloto.

Do outro lado, na Avenida de Roma, havia a Pastelaria Capri e o Café Roma, onde hoje existe uma loja McDonalds e já na Praça de Londres, onde começa a Avenida Guerra Junqueiro, a Pastelaria Mexicana.


Anos mais tarde juntou-se-lhe o edifício que, no tempo da ditadura, albergou o Ministério das Corporações, inaugurado em Outubro de 1966 e que, após o 25 de Abril, passou a ser o Ministério do Trabalho.

A Lisboa das Avenidas Novas.

Era esta a Lisboa que Salazar queria mostrar.

Sim, porque havia outras Lisboas que Salazar queria que não fossem vistas.

Sem comentários: