quinta-feira, 23 de abril de 2015

DO BAÚ DE POSTAIS


Algés, Cruz Quebrada, Trafaria foram as praias da minha infância e adolescência. 
Toldos e barracas de pano às riscas de diversas cores. 
Os papagaios de papel voando nos ares e ficava a olhá-los. Surpresa feliz.
Hoje, vêem-se nas praias outros papagaios, mas sofisticados representando diversas figuras. 
Os do meu tempo eram feitos de papel de seda colorido, pedaços de canas cruzados, um longo rolo de corda.
O conselho de quem sabia: os papagaios de papel sobem contra o vento e não a favor dele.

SARAMAGUEANDO


Neste momento, a nossa dificuldade – e agora falo naquilo que se passa hoje mesmo – está em dar substância àquilo que antes bastava ser aquilo a que chamávamos esperança, porque então parecia que ela tinha um conteúdo. Esse conteúdo, ou essa possibilidade, esfarelou-se, e, agora, temos esperança que é aquilo que nos mantém vivos. Mas o nosso problema é não saber que conteúdo dar a essa esperança a não ser a da utopia. Mas a utopia, como se sabe, não está em sítio nenhum e aquilo de que precisamos é saber o que neste sítio e neste momento, podemos pôr nessa esperança.

José Saramago em José Saramago: Aproximação a Um Retrato de Baptista Bastos

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da imagem.

ONDE AS MINHAS PALAVRAS NÃO CHEGAM


Vê se há mensagens
no gravador de chamadas;
rega as roseiras;
as chaves estão
na mesa do telefone;
traz o meu
caderno de apontamentos
(o de folhas
sem linhas, as linhas distraem-me).
Não digas nada
a ninguém,
o tempo, agora,
é de poucas palavras,
e de ainda menos sentido.
Embora eu, pelos vistos,
não tenha razão de queixa.

Senhor, permite que algo permaneça,
alguma palavra ou alguma lembrança,
que alguma coisa possa ter sido
de outra maneira,
não digo a morte, nem a vida,
mas alguma coisa mais insubstancial.
Se não para que me deste os substantivos e os verbos,
o medo e a esperança,
a urze e o salgueiro,
os meus heróis e os meus livros?

Agora o meu coração
está cheio de passos
e de vozes falando baixo,
de nomes passados
lembrando-me onde
as minhas palavras não chegam
nem a minha vida
Nem provavelmente o Adalat ou o Nitromint.

Manuel  António Pina 3º dos Monólogos de Cuidados Intensivos em Poesia Reunida


Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da imagem.

OS IDOS DE ABRIL DE 1975


23 de Abril de 1975

A POPULAÇÃO da Azambuja decide ocupar uma herdade, entre Alcoentre e Rio Maior, pertencente ao Duque de Lafões, que irá dar origem à Cooperativa Agrícola Torre Bela.
Os camponeses optaram por não pedir o apoio do Partido Comunista Português, que vinha sendo procedimento corrente, optando por pedir ajuda à LUAR. A ocupação foi, então, dirigida por Camilo Mortágua e ficou registada num documentário realizado porThomas Harlan.

O NÚNCIO APOSTÓLICO, em nome da Santa Sé, e o ministro Melo Antunes, em representação do Governo português, assinaram esta manhã os instrumentos de ratificação do Protocolo Adicional à Concordata, que possibilita o divórcio aos cidadãos casados pela Igreja.

NUM DOS COMÍCIOS eleitorais do Partido Socialista, Mário Soares clarificou:
Não temos o projecto de copiar experiências alheias, de introduzir em Portugal um socialismo à russa, à chinesa, à sueca ou à cubana. Queremos um socialismo à portuguesa. Lutamos por um poder que pertença de facto aos trabalhadores, e não aos burocratas que falam em nome dos trabalhadores.
Os tempos vieram a mostrar que o socialismo de Mário Soares era algo que podia ser acomodado, pelos séculos dos séculos, no fundo de uma gaveta.

NESTE DIA, Cristóvão Aguiar registava no seu livro Relação de Bordo:
Há poucos dias, durante a homilia da missa dominical na igreja de uma freguesia rural das cercanias, o padre falou aos seus paroquianos sobre as próximas eleições para a Assembleia Constituinte. Lançou mão da parábola para melhor se fazer compreender e disse-lhes: - Meus caros irmãos em Cristo: suponhamos que um de vós é dono de uma vaca leiteira; se ganhar o socialismo, fica o irmão com a vaca, mas tem que dar o leite a esse partido; se ganhar o comunismo, fica sem a vaca e sem o leite…

PALAVRAS DO Apontamento de José Saramago no Diário de Notícias:

Por vários modos e meios têm chegado até nós sinais de que o povo português enfrenta com alguma estes dias próximos, o das eleições e os seguintes, indícios de que, brutalmente sacudido por uma campanha eleitoral em muitos aspectos insensata, tende agora a fechar-se sobre si próprio. Há mesmo quem diga que o povo tem medo, que, submergido pela vaga de boatos alarmistas que varrem o País de lés a lés, prefere a passividade à acção participante num processo revolucionário que, contraditoriamente, só graças a ele rem prosseguido.
Admitamos que seja verdade quanto acima fica dito, que, realmente, os eleitores hesitam em sair para a rua, em entrar nas filas de espera das assembleias eleitorais e depositar o seu precioso (sim, preciosos) voto na urna. Admitamos tudo isso e perguntemos: a quem interessa que o povo tenha medo?
(…)
O medo está contra o povo? Pois então afirmemos, não apenas por palavras, mas com todos os actos necessários que o povo está contra o medo.

Fontes:
- Acervo pessoal;
Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.
- Os Apontamentos – José Saramago
- Relação de Bordo – Cristóvão Aguiar.

OLHAR AS CAPAS


As Cidades Invisíveis

Italo Calvino
Capa: Editorial Teorema
Tradução: José Colaço Berreiros
Editorial Teorema, Lisboa, Dezembro de 1996

O homem que cavalga longamente por terrenos bravios sente o desejo de uma cidade. Finalmente chega a Isidora, cidade onde os prédios têm escadas de caracol incrustadas de búzios marinhos, onde se fabricam artísticos óculos e violinos, onde quando o forasteiro está indeciso entre duas mulheres encontra sempre uma terceira, onde as lutas de galos degeneram em brigas sangrentas entre os apostantes. Era em todas estas coisas que ele pensava quando desejava uma cidade. Assim Isidora é a cidade dos seus sonhos: com uma diferença. A vida sonhada continha-o jovem; a Isidora chega em idade tardia. Na praça há o paredão dos velhos que vêem passar a juventude; ele está sentado em fila com eles. Os desejos são recordações.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

POSTAIS SEM SELO


O autor escreve apenas metade de um livro. A outra metade fica por conta do leitor.

 Joseph Conrad

Legenda: pintura de Jon Boe Paulsen

OS TESOUROS DE SINATRA




Em 1952, quando Sinatra actuou no Desert Inn em Las Vegas, havia apenas uma revista onde se podia ser notícia no caso de se estar verdadeiramente entre as melhores do que Las Vegas podia oferecer nessa semana, e essa era a revista de espectáculos de Jack Cortez. Faboulous Las Vegas.


Legenda: capa e páginas interiores do magazine Faboulous Las Vegas de Jck Cortez, 26 de Julho de 1952.

OS IDOS DE ABRIL DE 1975


22 de Abril de 1975

A campanha eleitoral aproxima-se do seu fim.
Em discussão a saída para que os não se sentem devidamente elucidados politicamente, recorram ao voto em branco.
O título deste dia, no Diário de Notícias, de Os Apontamentos de José Saramago é o Branco em Discussão:

Este branco que se discute não é o vinho a que esse nome damos, nem é já (felizmente) o português que por terras coloniais andava como colonizador e opressor. O motivo da polémica que, em todos os tons, lavra de Norte a Sul do País é o denominado voto em branco. Dizem uns (di-lo também a Comissão Nacional das Eleições) que o voto em branco é a resposta cívica daqueles eleitores que, conscientes do seu dever de votar, estão igualmente conscientes de que o esclarecimento político colhido ao longo deste ano não foi, afinal, tão claro como todos desejaríamos. Replicam outros que aconselhar o voto em branco (naquele caso) é pouco menos que insultar o eleitor, e que os 365 dias decorridos foram bastantes e sobejantes para que um povo que nunca exerceu a política se transformasse em perspicaz aferidor destes nada menos que doze partidos concorrentes.
(…)
É preciso que fique esclarecido que o voto em branco ou inutilizado com um traço também é voto. É voto que deve merecer tanto respeito como aquele que se exprime firmemente por uma opção partidária. O voto em branco é o voto de quem não sabe e o afirma. O voto em branco é uma forma de protestar contra quarenta e oito anos de fascismo que, eles sim, são os verdadeiros responsáveis por esta discussão tão pouco clara, em que se procura pescar votos como em águas turvas se pescam peixes cegos…

GRAVES INCIDENTES em comícios, ontem, realizados pelo CDS em Guimarães e no Porto. As forças militares foram obrigadas a intervir para protecção dos apoiantes democrata-cristãos. No comício de Guimarães, presidido pelo general Galvão de Melo, houve troca de tiros de que resultaram vinte feridos.

Fontes:
- Acervo pessoal;
Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.

- Os Apontamentos – José Saramago.

Legenda: cartaz de Vespeira

OLHAR AS CAPAS


Memórias de Um Pinga-Amor

Groucho Marx
Ilustrações de Leo Hershfield
Tradução: Wanda Ramos
Livros de Cinema nº 2
Assírio & Alvim, Lisboa Setembro de 1987

Este livro foi escrito durante as longas horas em que esperei que a minha mulher se vestisse para sairmos. E se ela nunca se tivesse vestido, este li9vro nunca teria sido escrito

terça-feira, 21 de abril de 2015

NOTÍCIAS DO CIRCO



Pois é, Alexandra, isto não é um país, é um sítio mal frequentado.

José Cardoso Pires dixit.

Legenda: imagem do Público.

POSTAIS SEM SELO


 A alegria da viagem é o regresso a casa.

Manuel António Pina

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

UM DIA NÃO MUITO LONGE NÃO MUITO PERTO


Às vezes sabes sinto-me farto
por tudo isto ser sempre assim
Um dia não muito longe não muito perto
um dia não é que eu pareça lá muito hirto
entrarás no quarto e chamarás por mim
e digo-te já que tenho pena de não responder
de não sair do meu ar vagamente absorto
farei um esforço parece mas nada a fazer
hás-de dizer que pareço morto
que disparate dizias tu que houve um surto
não sabes de quê não muito perto
e eu sem nada pra te dizer
um pouco farto não muito hirto e vagamente absorto
não muito perto desse tal surto
queres tu ver que hei-de estar morto?


Ruy Belo em Homem de Palavra(s)

Legenda: pintura de Michael Bono                                                                       

OS IDOS DE ABRIL DE 1975


21 de Abril de 1975

O DIÁRIO DE LISBOA, publica um suplemento com o Relatório Preliminar sobre o golpe de 11 de Março.
Preliminar ficou, porque nenhum outro voltou a ser elaborado.
Como, pura e simplesmente, nada se tivesse passado.
No documento é dado especial relevo ao envolvimento de Spínola no golpe.

O DECRETO-LEI nº 212/5 cria o cargo de Provedor de Justiça

Fontes:
- Acervo pessoal;
Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.

OLHAR AS CAPAS


Canções
Volume 2 (1974-2001)

Bob Dylan
Tradução de Angelina e Pedro Serrano
Capa: Carlos César
Relógio D’Água Editores, Lisboa, Junho de 2008

SE A VIRES, DIZ-LHE OLÁ

Se a vires, diz-lhe Olá, ela pode estar em Tânger
Partiu daqui no começo da Primavera passada, ouço dizer que vive lá
Diz-lhe por mim estou bem embora as coisas andem devagar
Ela pode pensar que a esqueci, não lhe digas que não é assim

Tivemos uma zanga, como os amantes terão muitas vezes
E pensar em como ela se foi embora nessa noite, ainda me causa um calafrio
E apesar da nossa separação, feriu-me profundamente
Ela ainda vive dentro de mim, nunca estivemos separados

Se te aproximares dela, beija-a por mim uma vez
Sempre a respeitei por fugir e se libertar
Oh, o que quer que a faça feliz, não serei um entrave
Embora o travo amargo ainda perdure desde a noite em que tentei fazê-la ficar

Vejo muitas pessoas enquanto ando de um lugar para o outro
E ouço o nome dela aqui e ali quando vou de cidade em cidade
E nunca me habituei a isso, apenas aprendi a desligar
Ou estou demasiado sensível ou então a ficar mole

Pôr-do-sol, lua amarela, revivo o passado
Conheço cada cena de cor, todas passaram tão depressa
Se ela tornar a passar por este caminho, não sou assim tão difícil de encontrar

Diz-lhe que pode procurar por mim se tiver tempo

DA MINHA GALERIA


James Dean e uma das suas paixões: carros.

UM HOMEM DAS ARÁBIAS


Algures na sua Life, Keith Richards regista a sua admiração por Willie Nelson.

Ele tem um tipo a trabalhar para ele, com um frisbee virado ao contrário cheio de erva, e toca a enrolar, enrolar, enrolar, Aí está um verdadeiro amante de haxe, Mal se levanta, fuma uma ganza. Eu, pelo menos espero dez minutos.

De Willie contam-se centenas e centenas de histórias, qual delas a mais maluca.

Willie Nelson é um dos meus cromos de estimação.

Há uns anos, em Louisiana, numa operação stop, foi mandado parar.

Um daqueles polícias americanos, que nos filmes aparecem gingões, de óculos escuros espelhados e a mascar chiclet, aproximou-se.

Quando Willie abriu o vidro da janela, para lhe mostrar os documentos, uma enorme nuvem de marijuana envolveu o bófia.

Foi um sarilho.

Estavam à espera de quê?

Que o velho Willie exalasse delicados aromas de Paco Rabanne?

Mas agora os jornais do mundo noticiaram que Willie Nelson vai lançar marca própria de... marijuana.

A marca vai ser vendida em estados que permitem consumo de drogas leves.

Vai chamar-se Willie’s Reserve e quer ser a melhor no mercado de cannabis dos Estados Unidos da América.

Willie Nelson tem 82 anos.

Abençoada erva!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

POSTAIS SEM SELO


 Um pedante é um estúpido adulterado pelos estudos.

OLHAR AS CAPAS


As Maçãs de Orestes

Natália Correia
Capa: Fernando Felgueiras
Cadernos de Poesia nº13
Publicações Dom Quixote, Lisboa, Julho de 1970

A DEFESA DO POETA

Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto

Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim

Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes

Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei

Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
 de raptar-me em crianças que salvo
do incêndio da vossa lição

Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis

Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além

Senhores três quatro cinco e sete
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?

Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa

Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.

NOTÍCIAS DO CIRCO


Apesar de… apesar de… apesar de...


Apesar de… apesar de… apesar de...

Este rapazola é um completo nojo!...

OS IDOS DE ABRIL DE 1975


Telegrama de Nova Iorque, publicado no República de 20 de Abril de 1975, que mostra as preocupações do Sr. Kissinger sobre o evoluir da Democracia portuguesa.


Fontes:
- Acervo pessoal;
Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.

RICHARD ANTHONY (1938-2015)


Só há pouco, pelo blogue do meu amigo Luís, fiquei a saber da morte de Richard Anthony.
Apanhada de surpresa, não sei o que possa dizer.
Cada vez são menos todos aqueles que, pela vida, me deram momentos de alegria.
Este disco no Richard Anthony, que contém o Ce Monde, comprei-o na Discoteca Universal no dia 7 de Janeiro de 1967.
Tinha 22 anos.

domingo, 19 de abril de 2015

POSTAIS SEM SELO


- Sempre desejei escrever, tentei-o cedo, mas só encontrei as palavras mais tarde, disse Heinrich Boll.

- As palavras não chegam. Eu só tenho as palavras, disse ele.

- É-me necessário fazer versos, é-me vedado saber porquê, escreveu Sophia adolescente, em latim, num caderno do colégio.

OLHAR AS CAPAS


A Idade do Malogro
2º Volume dos Dias Comuns

José Gomes Ferreira
Publicações Dom Quixote, Lisboa, Setembro de 1998

6 de Abril de 1967

Todas as manhãs me imponho este pensamento, para resistir às vaidades literárias que tanto desfeiam os homens, maníacos da imortalidade.
Zé Gomes, a Poesia é mortal. Uma espécie de respiração que se pega às palavras até às vezes com certa aparência de eternidade – mas afinal, mal o Poeta morre, acaba por se desvanecer no hálito do último estertor…
E então, acredita, por mais que a família, os amigos e os leitores cândidos teimem e lutem, ninguém consegue deter a transformação das palavras em folhas secas para o Outono varrer…
Sim, Zé Gomes: a tua Poesia morrerá contigo! Os teus livros não passarão, no futuro, de cemitérios de palavras ocas…

OS IDOS DE ABRIL DE 1975


Recorte do semanário Expresso de 19 de Abril de 1975 sobre os problemas laborais na Rádio Renascença.


Fontes:
- Acervo pessoal;

Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.

À LUZ DE CANDEEIROS


Candeeiro na Rua das Escolas Gerais em Lisboa.