quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
OS CROMOS DO BOTECO
Mensagem de Paz - Noite Feliz - Jingle Bells - Natal Branco
Interpretações do Coral Cata Vento do Recife.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
OLHAR AS CAPAS
Farpas Esquecidas
Volume II
Ramalho Ortigão
Livraria Clássica Editora, Lisboa 1946
Aí os têm ambos na estação do Entroncamento da linha férrea da História: o novo ano que vem e o ano velho que vai.
É um mistério que chega e um desengano que se retira.
O velho parte em terceira classe, com o seu alforge e o seu bordão, encanecido e caquético, de pés arrastados e de mandíbula tremente; pobre e enfermo, arruinado e gasto. A sua bagagem consta unicamente de papéis: lembranças de coisas que lhe esqueceram, notas de promessas que não cumpriu, projecto de obras que não fez, borrões de leis que não passou a limpo, planos de reformas com que não reformou coisa nenhuma, algumas quadras, um princípio de romance, várias receitas de botica, um maço de cartas de namoro, três convites para o paço, um menu de jantar, os diplomas de sócio dos Fenianos, da Associação dos Escritores Públicos, dos Prussianos do Seixal e da Sociedade de Geografia, diversos bilhetes da lotaria, de benefícios e de boas festas, um relatório, muitas contas, e um mandado de penhora.
É para a história que se dirige este passageiro. Meus senhores, tenham a bondade de deixar passar! Terceira Classe, ao fundo, bilhete de favor abonado pela companhia. É o nº 1881.
O novo tem o aspecto romanesco e aventuroso. Cobre o rosto na dobra da capa cor de muro de jardim; uma pluma azul enrosca-se-lhe na copa do sombreiro de castor preto: sai-lhe do seio com um perfume de violetas uma ponta de luva e de renda; e a extremidade da sua fina espada de paladino levanta-lhe a orla da capa, descobrindo os pés finos calçados em botas de camurça com esporas góticas, de puas recurvas e grandes rosetas polidas e tilintantes.
É este o que vem entrar na liça e combater pelo outro que sai da arena trôpego e imbecil.
Tanjam os atabales e as charamelas! Desdobrem-se os estandartes e os pendões! Icem-se as signas e os galhardetes! Acendam-se as fogueiras e aproximem as luzes! Tragam os candelabros e as tochas para vermos de perto o rosto do novo campeão, que vai desembuçar-se, descobrir a cabeça e desembainhar a espada para entrar nas justas.
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domingo, 30 de dezembro de 2012
OS CLÁSSICOS DO MEU PAI
Se por cá ainda andasse, o Sr. Francisco de Freitas Santos, meu pai e o meu ouvinte mais inteligente, fazia hoje 100 anos e estaria agora à mesa, a contar histórias, a despejar garrafas de tinto e com uma ponta de melancolia pelos milhares de cigarros Unic que fumou.
Reverter o olhar para antigamente e saber que por muito que pudesse dizer, as palavras não chegavam, a memória sufocava em hiatos de quem um dia teve a mania que essa memória seria de elefante.
Este disco do Domenico Modugno foi comprado pelo meu pai, Discoteca Universal, 26 de Julho de 1967 e custou cinquenta e cinco escudos.
As suas constantes caminhadas em busca de versões de La Mamma.
Acontece que o EP do Modugno tem uma canção que se chama Stasera Pago Io e que o meu pai logo
elegeu como uma das suas favoritas.
elegeu como uma das suas favoritas.
A canção em si e o gosto que ele tinha em pagar o petisco, os copos.
De certeza certa, apenas sei de me ter deixado pagar os copos e o resto, em duas ocasiões: quando os meus filhos nasceram.
Quando outros dizem as coisas melhor do que digo, não é difícil, desço pela esquerda baixa e dou entrada ao José Agostinho Baptista:
EVOCAÇÃO
Que fazer com esta saudade,
como trazer hoje para junto de mim os
barcos que passavam noutros tempos,
ao largo de outra cidade,
quando me sentava sem palavras,
sem violinos,
e bebia sem fim,
como hei-de dizer-te, pai, que não levei as tuas
cinzas no fundo do coração,
que não pedi aos músicos do sonho para
tocarem a mais bela marcha fúnebre,
no campo santo das ilhas aonde não
regressei.
Tenho medo, tenho frio.
Dói, oh, como dói
a noite que se aproxima, sem um abraço,
sem um amigo,
sem um punhal que rasgasse para
sempre este corpo imóvel,
com todas as sua janelas fechadas onde
já não vem cantar o melro dos teus
ninhos, pai,
onde só as ervas da amargura sobem
os muros,
e definitivamente só,
entro neste túnel eterno, sem uma luz ao
fundo.
OS CROMOS DO BOTECO
Os Coros Offenbach, dirigidos por Werner Blim, interpretam O Tannenbaum e Stille Nacht, Heilige Nacht
TE DEUM
Hoje, não iremos marcar presença no Te Deum na Igreja de São Roque, integrado na série de Concertos da Fundação Calouste Gulbenkian.
Se no ano passado já foi com sacrifício que despendemos 22,00 euros pelo bilhete, este ano, ainda de maior crise, teríamos de fazer maiores sacrifícios para despender 32,00 euros pelo bilhete.
Resta a consolação que, a exemplo do ano passado, a RTP 2 transmitirá o concerto em directo.
Não é bem a mesma coisa, mas, enfim, sempre é melhor que nada.
SEGUNDA-FEIRA, 31 DE DEZEMBRO
17,00 HORAS – IGREJA DE SÃO ROQUE
TE DEUM de António Leal Moreira, primeira audição moderna.
CORO E ORQUESTRA GULBENKIAN
JORGE MATTA maestro
ANA QUINTAS soprano
BENNO SCHACHTNER contratenor
FERNANDO GUIMARÃES tenor
DIOGO OLIVEIRA baixo
MARISA FIGUEIRA so prano
JOANA NASCIMENTO contralto
PEDRO CACHADO tenor
MANUEL REBELO baixo
A tradição de cantar o Te Deum no dia 31 de Dezembro, como acção de graças pelo ano que passou, deu origem a uma das cerimónias litúrgico-musicais mais importantes da Lisboa setecentista.
Depois do sucesso do ano passado, em que foi feita pela primeira vez a reconstituição histórica de uma dessas cerimónias, volta o Coro e a Orquestra Gulbenkian à Igreja de São Roque, desta vez com um Te Deum de António Leal Moreira
sábado, 29 de dezembro de 2012
NATAL DOCE, DOCE NATAL
Ternura é o tema do pacotinho de açúcar de hoje.
A ternura é um gesto genuíno de carinho e meiguice. É um sentimento pleno que dá mais Doces Momentos à sua vida., tornando-a mais repleta de sentido.
A ternura é um gesto genuíno de carinho e meiguice. É um sentimento pleno que dá mais Doces Momentos à sua vida., tornando-a mais repleta de sentido.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
BOM SENSO
O Governo brasileiro adiou, esta sexta-feira, a aplicação obrigatória do novo acordo ortográfico em três anos, para 1 de janeiro de 2016, de acordo com o decreto publicado no "Diário Oficial da União".
Até então, o decreto promulgado em 2008 previa a aplicação obrigatória das novas regras em janeiro de 2013, já na terça-feira.
A iniciativa do adiamento surgiu após um pedido de parlamentares da Comissão de Educação do Senado, que ouviram, numa audiência pública, as críticas de destacados linguistas brasileiros às novas regras.
Para os especialistas, como o linguista e professor brasileiro Ernani Pimentel, o adiamento é um primeiro passo para a reforma do Novo Acordo que, na sua opinião, não simplifica suficientemente a língua portuguesa.
Dos Jornais
À LUPA
Primeiro-ministro comentou as críticas que lhe têm sido feitas nos últimos dias a propósito da sua mensagem natalícia publicada na quarta-feira no Facebook: "Nós não somos duas pessoas. Sou primeiro-ministro e também sou cidadão."
Dos jornais.
OS CROMOS DO BOTECO
Sinos do Natal -Alegres Repicam os Sinos - Os Animais do Presépio - Duas Canções do Natal
Interpretação de Almerinda Serra e o Sexteto Feminino, com acompanhamento do Conjunto de Shegundo Galarza.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
OLHAR AS CAPAS
O Mundo à Minha Procura
Vol. I
Ruben A.
Assírio &Alvim, Lisboa Novembro 1992
Se pensar bem, vejo que nada encontrei na vida que se compare ao Natal do Campo Alegre. Era um Natal nórdico, alimentado pela combustão germânica e dinamarquesa da família de meus avós, aperfeiçoado pelos requintes trazidos ao seu brilho pelas minhas tias que, através do casamento ou por feitio, capricharam mais em festejar a data do nascimento de Cristo sob a forma tradicional das antigas lendas do Reno, do que segundo os cânones da consoada portuguesa.O Natal no Campo Alegre era o máximo na nossa vida anual. Nada se lhe comparava, nada, no decorrer da vida, me vibrou tanto como aquela noite de 24 de Dezembro em que se acertavam as medidas eufóricas dos presentes, deitar tarde, bons petiscos e liberdade de acção nas salas menos povoadas da casa.Foi nos anos que vivi em Inglaterra, que percebi bem o Natal no Campo Alegre. Em Inglaterra, o Natal começa em Outubro. No Campo Alegre, e para nossos temperamento isto já é formidável, o Natal começava nos últimos dias de Novembro, quando se preparavam medidas de prendas, projectos de decorações, de encomendas para o jantar e de muitas coisas que mais adiante se relatará.
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