Cá vamos indo, meninos, ouviu dizer, estamos à espera não se sabe bem o quê, da vacina-pró-covid?, cá vamos indo… cantando e rindo… bem, isso nunca mais… mas a juke box é capaz de ter o mambo italiano e dava para entreter, mas que versão? a do velho Dino? a da eterna Sophia Loren? cá vamos indo, meninos, ouviu dizer… mas até onde?... até… sabe lá… mas onde os limites? , de que falava Borges…
«Há uma linha de Verlaine que não mais recordarei,
Há uma rua próxima vedada aos meus passos,
Há um espelho que me viu pela última vez,
Há uma porta que eu fechei até ao fim do mundo.
Entre os livros da minha biblioteca (estou a vê-los)
Algum existirá que já não abrirei.
Este verão farei cinquenta anos;
A morte, incessantemente, vai-me desgastando.»
…a coisa mais
acertada que escreveu, mas tu nem sequer suportas o Borges, dito José, dito
Luís, dito cego, que, como contou Julio Cortazar sempre esteve alinhado com os
ditadores argentinos, um dia recusou assinar um manifesto contra a ditadura, alegando
que não sabia de nada, amargamente, Cortazar, lembrou que ele vivia junto do
edifício da polícia política,«é
cego, mas não surdo, e, certamente ouviu, os gritos dos suplicantes encarcerados.»…
vamos indo… vamos indo… desgastados… desgastados…
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