quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

NATAL DOCE, DOCE NATAL


O pacotinho de açúcar de hoje da Sidul, fala de ALEGRIA.

A alegria é uma manifestação de contentamento e júbilo. É um sinónimo de felicidade, um estado de espírito que resulta dos Doces Momentos já vividos e por isso, tornados em grandes memórias.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

MIUDEZAS DE NATAL

OS PRESÉPIOS DA CASA


Comprado em Barcelos em 1978.

SARAMAGUEANDO


Lanzarote, 26 de Dezembro de 1994

Dizem-me que em Nápoles há o costume, não sei se de sempre ou destes dias, de mandar vir um café e pagar mais do que se tomou. Por exemplo, quatro pessoas entram, sentam-se, pedem quatro cafés e dizem: «E mais três em suspenso.» Passado um bocado aparece um pobre à porta e pergunta: «Há por aí algum café em suspenso?» O empregado olha o registo dos adiantados, a verificar o saldo, e diz: «Há.» O pobre entra, bebe o café e vai-se embora, suponho que agradecendo a caridade. A mim, parece-me isto bem. Trata-se de uma solidariedade barata, é certo, mas se este espírito se fortalece acabaremos por ir ao restaurante e pagar dois almoços, entrar numa sapataria e pagar dois pares de sapatos, comprar um frango e deixar dois pagos, e tudo na mesma conformidade. Aliás, parece que não iremos ter outro remédio. Como o Estado cumpre cada vez menos e cada vez pior as suas obrigações para com os cidadãos, caberá a estes tomar conta da sociedade antes que nos tornemos todos, excepto os ricos e riquíssimos, em pobres de pedir, e portanto sem ninguém que nos pague um cafezinho.

José Saramago em Cadernos de Lanzarote, Vol. II, Editorial Caminho, Lisboa Março 1995.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

MIUDEZAS DE NATAL

POSTAIS SEM SELO



Se você consegue ficar deitado no chão sem se agarrar, então não está bêbado.
Dean Martin
Legenda: O velho Dino morreu no dia de Natal do ano de 1995.
O postal pertence ao infindável Baú de Postais da Aida.

OLHAR AS CAPAS


As Farpas
Vol. I
Ramalho Ortigão
Livraria Clássica Editora, Lisboa 1948
Não a vida não é uma festa permanente e imóvel, é uma evolução constante e rude. O Natal é a festa das lágrimas para todos aqueles para quem ele não é a festa da inexperiência. E todavia pensavam alguns que era útil não deixar de a celebrar. Que importa que o número ou que o nome dos convivas varie em cada ano? Que importa que alguns amados velhos faltem ao banquete? Que importa que nós mesmos faltemos para o ano que vem na festa dos mais novos?
Esta noite de alegria para as crianças será sempre de alguma saudade para os adultos. Assim teremos a esperança terna de sobreviver, por algum tempo, na lembrança dos que amamos – uma boa vez ao menos – de ano a ano.

OS MORTOS


 Eu sei, é preciso esquecer,
desenterrar os nossos mortos e voltar a enterrá-los,
os nossos mortos anseiam por morrer
e só a nossa dor pode matá-los.

Tanta memória! O frenesim
escuro das suas palavras comendo-me a boca,
a minha voz numerosa e rouca
de todos eles desprendendo-se de mim.

Porém como esquecer? Com que palavras e sem que palavras?
Tudo isto (eu sei) é antigo e repetido; fez-se tarde
no que pode ser dito. Onde estavas
quando chamei por ti, literalidade?

E todavia em certos dias materiais
quase posso tocar os meus sentidos,
tão perto estou, e morrer nos meus sentidos,
os meus sentidos sentindo-me com mãos primeiras, terminais
Manuel António Pina, Os Livros, Assírio &Alvim, Lisboa Novembro 2003.
Legenda: pintura de Stephen Darbishire.

PARA QUE NÃO DIGAM QUE NÃO VOU À MISSA!



Pelo menos uma vez por ano, a música sacra leva-me a campos de lírios que olho, mas não frequento.
Na quinta-feira, na Gulbenkian, a Grande Missa em Dó Menor, K. 427 de Wolfang Amadeus Mozart
Não sou de credos nem religiões.
Vivo bem com a fé e as religiões dos meus semelhantes
Tanto como gostaria que respeitassem não os acompanhar na fé que têm
Há que dizer que tive a sorte, - que lhe poderei chamar? -  de me caírem nas mãos, livros e autores que me contaram a história de uma outra maneira.
Lembro uma entrevista de António Gedeão, aproximavam-se os seus últimos tempos de vida:
Claro que eu não sou capaz de perguntar quem criou isto tudo. Por isso, não pergunto.
Ou o meu avô paterno dizendo, ou alguém por ele, que os milagres são mais próprios dos homens do que dos deuses.

Em 1783, perante a doença grave da sua mulher, Mozart terá feito uma promessa a Deus: no caso de Constance Weber recuperara, comporia uma grande missa em agradecimento. Constance recuperou e Mozart lançou-se à criação de uma obra monumental que, por razões desconhecidas não chegou a terminar. No entanto, mesmo incompleta, a Grande Missa em Dó menor chegou a ser apresentada na Abadia de Saint-Pierre de Salzburgo, tendo Constance cantado as partes de soprano. É, de pleno direito, uma das obras-primas do compositor de Salzburgo.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

APESAR DE TUDO...


Aos amigos, aos que por aqui passarem, um Bom e Santo Natal.

OLHAR AS CAPAS


Diário

IV Volume
Miguel Torga
Edição do Autor, Coimbra Abril 1949

S. Martinho de Anta, Natal – Uma consoada triste, com minha Mãe a apodrecer no cemitério. À chegada, já não estava ela à porta a esperar-nos, nem ao jantar as rabanadas tinham o mesmo gosto. O velho, coitado, foi até onde pôde para se mostrar mais humanizado, Recebeu-nos ele, e fez as honras da casa. Como era impossível delegar na companheira perdida as delicadezas e os sorrisos, a sua timidez esforçou-se e apresentou-se gentil e afectuosa.
É fácil, porém, descobrir nos seus modos e nas suas palavras um desprendimento do mundo que não terá remédio. É como se ele tivesse também morrido já, mas estivesse condenado a fingir de vivo mais algum tempo.

OS PRESÉPIOS DA CASA



Um presépio Made in China, na casa há uns 24 anos.

UTILIDADES


Da sua viagem, no Verão, a Miami, o Miguel trouxe-me esta comovente mensagem.
Guardei-a para publicar no dia de hoje.
Apreciar o tempo que passo com a minha mãe

DO BAÚ DOS POSTAIS


Desde Suberburg, na Alemanha, os votos natalícios da Suzanne.

UM DESEJO DE NATAL

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Nasceu, em Grabtown, na véspera de Natal do ano de 1922.
Um oportuno capricho de Mr. Santa Claus, uma bela prenda de Natal oferecida aos homens, os de boa ou má vontade.
Quando lhe perguntaram se tinha animais em casa. Respondeu que sim: um poster de Ava Gardner, o mais belo animal do mundo.

domingo, 23 de dezembro de 2012

MIUDEZAS DE NATAL

NATAL, DOCE NATAL


Aventura

OS PRESÉPIOS DA CASA






O presépio mais antigo da casa.
Na família desde 1950.

O APELO DA TERRA



A chuva caiu farta, alagou a terra e deixou-me este sabor a húmido. Esta vontade de sol. O ar ficou cheio e eu não gosto do Inverno, dos dias curtos. Sinto a nostalgia do sol, do calor, das tardes infinitas, dos crepúsculos avermelhados. Sinto.
Sigo ainda o ritmo dos meus avôs, guio-me pelas estações, pela chuva, pelo vento, pelos dias grandes ou pequenos. Conheço as regras da água, o apelo da terra. Em mim, uma família inteira deixou uma herança. Tão grande que me foge das mãos, que me pede um caminho. Não sei qual. Não sei. E vejo que definham perante os meus olhos. Estão velhos e cansados os braços que me embalaram. Sinto que lhes pesa o tempo nos ombros, enquanto guardo no coração a infância. E temo. E sinto o avanço dos dias.

Marquesa D'Aires.

À LUPA


Passos Coelho disse que esta crise só é comparável à de 1974. Não se lembra da crise de 1973...

José Medeiros Ferreira no Córtex Frontal

sábado, 22 de dezembro de 2012

MIUDEZAS DE NATAL

POSTAIS SEM SELO


Sou indiferente ao frio do Inverno. O que temo é o coração frio dos homens.

Saigo Takamori


Legenda: quadro de Claude Monet

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...



É incontornável: tudo, ou quase, o que nos marca a vida vem lá de trás, da infância. Procura-se e encontramos tanta coisa…

Tenho dentro de mim o cheiro das tangerinas que, para o jantar do Dia de Natal, vinham da horta do meu tio no Lavradio.

O cheiro espalhava-se pelo barco movido  a carvão que nos trazia até Lisboa.

Tantas vezes que o meu pai falava desse maravilhoso, único cheiro.

Mas não era apenas o cheiro.

Aquelas tangerinas metia-se o polegar e abriam-se de uma só vez.

Depois era a doçura.

Hoje procuram-se tangerinas e raramente as encontramos.

Aparece-nos uma coisa a que chamam clementinas…

Sobre tangerinas poderia ficar a falar infindamente.

De uma maneira mais simples fiquemos com  o Eugénio d’Andrade  e um seu poema sobre o fascínio das tangerinas:

Pêssegos, peras, laranjas,
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
ó música dos meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor, pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.

CONVERSAS DESTES DIAS


Se não nos voltarmos a ver, um Bom Natal!