segunda-feira, 11 de novembro de 2019

A ROSA DOENTE


A rosa que adoece
é um leito e um corpo.
Penetrou nela o verme
que em segredo a destrói.

É um verme invisível
um insecto da noite.
A vida destruída:
oculto obscuro amor.

Gastão Cruz em A Teoria da Fala

domingo, 10 de novembro de 2019

DITOS & REDITOS


Este comboio não para em Arroios.

Dançar com o diabo ao luar.

Chora quem pode, ri quem quer.

Mas uma coisa é o pão, outra coisa é o forno.

Do mau ao péssimo. Sempre a descer a ladeira.

Malhar enquanto o ferro está quente.

Freio de ouro não melhora o cavalo.

As árvores julgam-se pelos frutos.

sábado, 9 de novembro de 2019

PIOR QUE NÃO CANTAR


Pior que não cantar
é cantar sem saber o que se canta

Pior que não gritar
é gritar só porque um grito algures se levanta

Pior que não andar
é ir andando atrás de alguém que manda

Sem amor e sem raiva as bandeiras são pano
que só vento electriza
em ruidosa confusão
de engano

A Revolução
não se burocratiza

Mário Dionísio em Terceira Idade

Legenda: pintura de Vilhelm Hammershøi

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

POSTAIS SEM SELO


Pego na folha de papel, onde o bolor do poema se infiltrou, levanto-a contra a luz, distingo a marca de água (uma ténue figura emblemática) e deixo-a cair. Quase sem peso, embate na parede, hesita, paira como as folhas das árvores no outono (o mesmo voo morto, vegetal) e poisa sobre a mesa para ser o vagaroso estrume doutro poema.

Carlos de Oliveira em Sobre o Lado Esquerdo

OLHAR AS CAPAS


Público

Ano XXX – Número 10.785
2 de Novembro de 2019

O centenário do nascimento de Jorge de Sena tem passado pouco menos do que despercebido em Portugal. E as muitas e justíssima homenagens prestadas à sua amiga e correspondente Sophia de Mello Breyner Andresen, apenas quatro dias  mais nova do que o poeta de Metamorfoses, vieram provavelmente ajudar, por contraste, a tornar esta indiferença ainda mais notória. Espera-se que os dois colóquios senianos que se anunciam para este mês, o primeiro na Biblioteca Nacional e o segundo na Universidade do Minho, venham ainda a tempo de compensar esta desatenção, prestando o devido tributo a quem foi seguramente uma das figuras intelectuais mais relevantes da cultura portuguesa do século XX.

Luís Miguel Queirós

APONTAMENTO PARA UM EXERCÍCIO SOBRE STRAVINSKY


Tudo.

Ser tudo,
igual e diferente,
águia empalhada com bicos de veludo.

Desejo de voltar para trás,
repetir pó novo nas pegadas mortas,
Proteu dos tempos,
sempre o mesmo pêndulo de arame no coração,
sexo do princípio do mundo,
valsas nos serões de fantasmas dos palácios velhos,
tragédias gregas em latim francês de Cocteau,
êmbolos de fábricas de coisa nenhuma,
suor matemático de Bach,
gosto de saltar de costas,
latas de vento a baterem no muro,
ranger de portas…

Saudades de não poder inventar o futuro.

José Gomes Ferreira em Poesia IV

Legenda: Igor Stravinsky

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

POSTAIS SEM SELO


O meu tu imaginado é tudo o que me resta de ti.


Legenda: imagem Shorpy

CHÁ NUM ABRIL CHUVOSO


Assinado por Paulo Lourenço, o Jornal de Notícias publicou um trabalho sobre o fechar de portas da histórica Casa Pereira no Chiado, intitulado. «O adeus à casa de onde saiu o chá que acalmou Marcelo Caetano».

Respiga-se este pormenor:

«Sorridente, Lemos pai - natural da zona de Vila Real, apesar de desde muito novo radicado em Lisboa - recorda as vivências ao balcão. Questionado sobre se assistiu ao cerco de Salgueiro Maia ao Quartel do Carmo (que fica a uns escassos 300 metros), no 25 de Abril de 1974, acena negativamente com a cabeça, mas revela um pormenor inédito acerca desse dia: "Fechei a casa e fui-me embora. Mas antes ainda atendi um militar da GNR que veio cá buscar um chá para o presidente do Conselho, Marcello Caetano se acalmar".»

PARA SOPHIA


Gosto da poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, principalmente os poemas onde entram a Grécia e o mar, mas não daquela feliz maneira com que gosto de outros poetas aqui da casa.

Sophia faria ontem 100 anos.

Luís Eme, no seu excelente Largo da Memória, dedicou-lhe um poema.

Um poema bonito, simples, e sabemos como a simplicidade é tão difícil.  

«O mar azul e branco
torna-se mais expansivo,
e tocante,
depois de sentir
a luminosidade,
o perfume
e o encanto
das tuas palavras...»

Legenda: fotografia de Eduardo Gageiro

TRUMPALHADAS


Há dois anos, Donald Trump tinha ido jogar golfe em Sterling, na Virgínia. 

Regressava a casa, naquela ânsia de fazer coisas importantes, que são o timbre do seu dia-a-dia, batedores de polícias, alta velocidade. A comitiva ultrapassou uma ciclista que, como reacção instintiva, mostrou o dedinho do meio, aquele gesto de linguagem universal que todos conhecem e bem entendem.

A ciclista, mãe solteira, trabalhava no departamento de marketing de uma empresa que, pressionada, como se entende que tenha sido, despediu-a. Processou a empresa, ganhou e recebeu a respectiva indemnização.

De seu nome Juli Briskman, hoje com 52 anos, foi agora foi eleita pelo distrito de Algonkian para o órgão legislativo do condado de Loudoun,  na Virgínia.

Ao Washington Post, comentando a sua eleição, disse Juli:

«Doce justiça!»

Nas eleições na Virginia, os democratas conquistaram tanto a Câmara dos Representantes (54 contra 43) como o Senado estadual (21 contra 19). É a primeira vez desde 1994.

Legenda: imagem do Diário de Notícias-on line.

OLHAR AS CAPAS



A Sangue Frio

Truman Capote
Tradução. Maria Isabel Braga
Colecção Dois Mundos nº 93
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Na segunda-feira, no dia em que o último abandonava Garden City, o Telegram publicava na primeira página uma carta escrita por Mr. Howard Fox, de Oregon. Illinois, irmão de Bonnie Clutter. A carta depois de exprimir a sua gratidão às pessoas da cidade por terem aberto as suas «portas e os seus corações» à família enlutada, constituía um apelo: «Existe grande dose de ressentimento nesta comunidade (isto é, Garden City)» escrevia Mr. Fox. «Ouvi mesmo afirmar, mais do que uma vez, que o criminosos, quando fosse apanhado, deveria logo ser enforcado na primeira árvores. Não devemos pensar assim. O mal está feito e o facto de se suprimir mais uma vida nada modificava. Em vez disso tratemos de perdoar, como é da vontade de Deus. Não é bom albergar ódio no coração. O autor deste crime vai achar muito difícil viver com o remorso. Só encontrará a paz quando alcançar o perdão de Deus. Que não sirvamos nós de estorvo a isso. Mas, antes, oremos para que encontre a paz.»

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

OLHAR AS CAPAS



Convite à Violência

Lionel White
Tradução: Maria do Carmo Pizarro
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 334
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Ignorando-se, embora, os aspectos legais da questão, a dúvida subsiste. Será Gerald Hanna um patife e um criminoso? Será, de facto, um homicida cruel, um tipo que consentiu friamente o assassínio de outro homem para receber a exorbitante quantia de cem mil dólares?
Ou será que, tal como alguns dos seus amigos mais íntimos e absolutamente a par dos pormenores da situação acreditam, Gerald Hanna é meramente um cidadão corajosos e abnegado que cumpriu o dever que a consciência lhe impunha?

O GATO E A LUA


O gato passeava aqui, ali
E a lua girava como um pião,
E, parente próximo da lua,
O furtivo gato, contemplava o céu.

O negro Minnaloushe admirava fixamente a lua,
Pois, embora miasse, vagueando,
A pura e fria luz no céu
Conturbava o seu sangue animal.
Minnaloushe corre pela erva
Erguendo as delicadas patas.
Danças, Minnaloushe, danças?
Quando dois parentes se encontram
Haverá coisa melhor do que dançar?
Talvez a lua possa aprender,
Cansada dessa moda cortesã,
Um novo passo de dança.
Minnaloushe desliza pela erva
De um lugar enluarado a outro,
E a sagrada lua nas alturas
Entrou agora numa nova fase.
Saberá Minnaloushe que as suas pupilas
Passarão de mudança em mudança,
E que da lua cheia à minguante,
Da minguante à cheia elas irão mudar?
Minnaloushe desliza pela erva
Sozinho, importante e sábio,
E ergue até a lua em transição
Os olhos em mudança.

W. B. Yeats, tradução de Ana Luísa Amaral em Assinar a Pele

Legenda: imagem Pinterest

terça-feira, 5 de novembro de 2019

POSTAIS SEM SELO


Aliás há poucas coisas excitantes na vida. Dizem até que o máximo, o mais alto desejo é o da tranquilidade.

Hélia Correia em A Fenda Erótica

NOTÍCIAS DO CIRCO


No Estabelecimento Prisional de Paços Ferreira, uma prisão de alta segurança, guardas prisionais introduziam droga para ser vendida por reclusos. O negócio durava pelo menos há quatro anos.
Dois chefes e três guardas já foram detidos bem como alguns reclusos.
Foi apreendida cocaína, haxixe, telemóveis, 20 mil euros em dinheiro e diversas armas.

RELACIONADOS


Há uma passagem do 1º Concerto de brandeburgo...

OS PROBLEMAS MATERIAIS NÃO AFECTAM A COMPOSIÇÃO DA OBRA



Há uma passagem do 1º concerto de brandeburgo
de joão sebastião bach em que o ritmo se torna
melancólico, como se o compositor quisesse
fazer uma pausa naquilo que, aparentemente,
descrevia a alegria e a festa de uma corte. Mas
nesse adagio, é como se bach obrigasse
quem o ouvia a fazer uma paragem; e, de
súbito, uma desolação entra na música, sem
destruir a sua perfeição, tal como o outono
também pode trazer uma outra beleza aos
campos, quando o céu se cobre de nuvens
e as folhas adquirem uma tonalidade ruiva,
anunciando o inverno. Porém, esta mudança
não dura muito tempo; e logo a paisagem
retoma a sua vida, através do allegro em
que ressoa um esplendor de grandes salas
iluminadas. A música limita-se a reflectir
os sentimentos do homem; e se o compositor
se demora na tristeza, é porque ela é necessária
para vencer o desânimo da alma. Mas nem todos
o compreendem; e o certo é que o príncipe
de brandeburgo não lhe pagou a encomenda.

Nuno Júdice em Resumo: a poesia em 2010

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

POSTAIS SEM SELO


Na tarde que anoitece o entardecer nos prende.

Jorge de Sena

OLHAR AS CAPAS


Fogo Grande

Cesare Pavese/ Bianca Garufi
Tradução: Jaime Brasil
Capa: Octávio Clérigo
Colecção O Livro de Bolso nº 13
Portugália Editora, Lisboa s/d

Sílvia não voltou em nenhum daqueles dias. Não descobri com quem estava. Não era ela quem desaparecera; não mudara em nada a sua maneira de viver; eram meus conhecidos as palavras que dizia, a casa, os quartos, o seu despertar, as ruas; quem se tinha perdido era eu e já não via à minha volta nada conhecido. Estava como quando esperamos, a uma esquina, uma pessoa que se demora, e reparamos, estupefactos, nos transeuntes, nas manchas das paredes, nos estabelecimentos, nunca vistos antes.
Ao ver outras mulheres, pensava: «Quantas Sílvias! Qualquer mulher é uma Sílvia. É possível?» Conhecera no passado outras Sílvias. A minha vida era uma encruzilhada onde as Sílvias se tinham demorado um instante. Todas eram semelhantes e encontraram-se comigo por acaso. Desta vez sabia, no entanto, isto: quanto sofri por Sílvia não era casual. Também devia reconhecer não me ser possível viver com ela. Aqueles seus olhos, o cabelo, a voz, não eram para mim. Ao nascer, formaram-se e cresceram para ser vistos, ouvidos, beijados por outro, por um homem que não se parecesse comigo, tão diferente como um animal de um tronco. Que lhe havia de fazer?

LISBOA COM SUAS CASAS


Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos.
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
À força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.

Álvaro Campos em Poesias

domingo, 3 de novembro de 2019

POSTAIS SEM SELO


É bem certo que o melhor governante é aquele que sabe acertar o passo pelo menor dos cidadãos.

Agustina Bessa-Luís em Crónica da Manhã

OS NÚMEROS VALEM O QUE VALEM


Uma sondagem da Intercampus mostra que o Benfica, em território português, tem perto do dobro de adeptos do Sporting e do Futebol Clube do Porto.

Os números revelam que o Benfica reúne as preferências de 46% dos inquiridos, enquanto o Porto se fica pelos 24,7% e o Sporting pelos 23,8%.

A sondagem conclui que, olhando para os números da população, o número dos adeptos do Benfica rondará os 4,5 milhões.

Sondagem à parte, se dirá que, em todo o mundo, existirão 6 milhões de adeptos benfiquistas.

Na rua onde nasci, pelo ano de 1945, nas quintas que circundavam a rua, viviam pessoas em barracas e muita miudagem, mesmo muita, e digo-vos que benfiquistas, juntando a rua e a malta da quinta, eram uma esmagadora maioria.


Essas serapilheiras tinham estampadas emblemas de clubes de Lisboa. A esmagadora maioria eram emblemas do Benfica, muitos do Atlético, também do Belenenses.

No fundo, clubes populares.

Não me recordo - não recordo mesmo - de ter visto os machos com serapilheiras com o emblema do Sporting.

SACRIFÍCIO DA IMORTALIDADE


A minha voz quando estiver tão longe,
que apenas eruditos ma percebam,
no que, do tempo, eu não levei comigo,
já não dirá desilusões ou sonhos,
quantas esperanças dei não crendo nelas,
para que as vissem quem não via o mundo,
ou visse o mundo alguém, mesmo sem elas
– será como um silêncio do passado,
onde o futuro se advinha extremo,
e não sabemos qual, se será vosso,
se outro será, de que nasceu connosco
o erro de o julgar, como se fora
alheia a liberdade ao próprio tempo...

E só no tempo em vão me perderei.

Será mistério, escuridão, cansaço,
memória ténue de ansioso abraço,
em volta de um saber de coisa alguma…

Mas não será retorno. O que ficou
jamais  dirá que tornarei a ser:
pois se me enchi de instantes e de acasos,
não deixei senão quanto não morre,
ainda que a Vida se recuse a tanto.

12/6/44

Jorge de Sena de Tempo de Coroa da Terra em 40 Anos de Servidão

Legenda: Jorge de Sena

sábado, 2 de novembro de 2019

MORRER É SÓ NÃO SER VISTO


Aos poucos vamos deixando para trás o culto dos mortos.

Por este dia de finados, os caminhos para os cemitérios já não se encontram tão pejados de carros e pessoas como há uns anos atrás.

Os cemitérios já são pouco visitados.

Lembro que a Rua Morais Soares, caminho para o Cemitério do Alto de São João, há uns anos atrás, era um mar de gente com vendedoras de flores ao longo dos passeios.

José Gomes Ferreira, no dia 2 de Novembro de 1968, escrevia nos seus Dias Comuns

«Hoje, dia de esquecer os mortos… De calcá-los bem na cova – com missas, crepes, luto, flores para coroar caveiras…»

A minha avó marcava o dia de finados acendendo, numa grande cómoda, de madeira muito antiga, lamparinas que se reduziam a um pires com azeite e um paviozinho, colocadas junto aos santos de devoção e às fotografias dos seus mortos.

O  meu avó exasperava-se com esta devoção. Dizia-me que o que devemos é respeitar e amar as pessoas enquanto andam ao nosso lado, o resto é hipocrisia e os fantasmas devemos deixá-los em seu sítio.

Muitos anos depois, hei-de ler em Dóris Graça Dias:

«Apaixonamo-nos pelas pessoas, quando as escutamos. Amamo-las. E só deixamos de as desejar quando deixamos de as ouvir.»

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

QUOTIDIANOS


Miguel Torga diz que o homem é em si uma solidão:

«Nascemos sós, vivemos sós, morremos sós.»

Buscar aquele livro do Ray Bradbury «A Morte é um Acto Solitário», citar o espantoso início:

«Veneza, na Califórnia, tinha, nos velhos tempos, muito que a pudesse recomendasse a quem gostasse de estar triste. Era o nevoeiro quase todas as noites, e era, ao longo da costa, o gemer das máquinas nos poços de petróleo, e o bater da água suja nos canais, e o zumbir da areia a roçar as vidraças, quando o vento assobiava à volta das praças e ao longo das ruas desertas.
Era no tempo em que o pontão de Veneza, a cair aos bocados, morria no mar. E podia ver-se então gigantesca ossada de dinossauro, a montanha-russa, a coberto ou a descoberto, com o vaivém das marés.
No fim de um longo canal, viam-se as caravanas de um circo, decrépitas, para lá atiradas e abandonadas. E quem olhasse para as jaulas, à meia-noite, veria que lá dentro havia vida – peixes e camarões de água doce, que andavam ao sabor da maré. E tudo isto, afinal, era o circo do tempo, feito ruína, desfazendo-se em ferrugem.»

Ou fazer deslizar a agulha do gira-discos por um velho vinil de Brel:

«E que todos se divirtam como loucos, que todos dancem. No dia em que me meterem na cova.»