Consta que Salazar considerava Aquilino
um grande escritor, mas designava-o como um inimigo do regime e mandou
perseguir-lhe a obra.
É o caso de Quando os Lobos Uivam. O coronel censório que o analisou, começa
logo por escrever:
«O
autor intitula este livro de romance, mas com mias propriedade deveria
chamar-lhe um romance panfletário, porque todo ele foi arquitectado para fazer
um odioso ataque à actual situação política. »
É uma pena que Aquilino Ribeiro tenha
caído completamente no esquecimento, que os jovens não o leiam. Sim, a leitura
dos livros de Aquilino não é fácil obriga a um dicionário por perto, mas é um desfilar
daquela maravilhosa prosa barroca.
Castelo Branco Chaves, num livrinho publicado pela Seara Nova:
«O estilo é sem dúvida um dos valores
máximos da obra de aquilino, especialmente, pelo imaginoso dêsse estilo. É êste
escritor dotado de uma extraordinária imaginação verbal, de um invulgar poder
vocabular. E não é só a abundância; é também, e especialmente, o singular poder
decorativo das palavras que escolhe, a arte com que as agremia e um assombroso
sentido do seu valor prosódico. Tôdas estas riquezas do estilista sobressaem
naquelas suas páginas em que o descritivo domina e predomina. O seu estilo está
apto para toda a descrição, com um poder de colorido, uma riqueza de tons que
assombra e domina.
Possui Aquilino um verdadeiro talento
narrativo, uma arte de contar tão perfeita, acabada, de tão sugestivo desenho e
vivo colorido que lê-lo é uma maravilha e deleite.»
José Régio:
«Creio que até os que pessoalmente menos
estimam a arte de Aquilino nele sentem um Mestre.»
O que
Aquilino disse sobre a sua escrita:
«Como conheço tantas palavras? Porque li e reli os clássicos… porque estudei, esmiucei o Camilo… e porque tenho passado a vida a prestar atenção ao que os outros dizem… Sim, sim, a menos de ser surdo, um escritor que tem a peito escrever na sua língua, deve anotar cada palavra, cada expressão que lhe encanta ou lhe fere o ouvido… A língua do povo é um manancial!... Se o escritor assim proceder, verá que, no momento oportuno, todo esse léxico virá por seu próprio pé ao sabor da escrita. Mas foi com os nossos clássicos e com os homens e mulheres da minha região que elaborei a minha língua e, com ela, o meu estilo… que vale o que vale, mas que é o meu!»
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