Na Biografia do Herberto Helder escrita pelo João Pedro George, também há um capítulo que poderia entrar na secção de Livros Autografados.
Paramos na página 630 e cito:
«Outro amigo a quem Herberto ofereceu Flash foi
António Barahona. Dias depois. Disse que o tinha perdido e Herberto
ofereceu-lhe outro exemplar. Acontece que, mais tarde, os dois apareceram à
venda num alfarrabista, o que enfureceu Herberto: julgava que tinha um amigo
mas, afinal, o que tinha era um amigo que o estava a usar. Olga Lima recorda a
amarga decepção que Herberto sofreu quando se apercebeu disso: »O Herberto
zangou-se com o Barahona porque lhe ofereceu dos exemplares do Flash
autografados e o Barahona vendeu-os porque precisava de dinheiro. Depois disso
o Herberto nunca mais lhe ofereceu livro nenhum.»
No funeral de Herberto Helder, António
Barahona resolveu aparecer sem ser convidado. Quando Olga, a viúva do Herberto,
o viu, não resistiu e atirou-lhe na cara:
«Tu aqui!!!??? O Herberto dedicava-te livros e depois
ias vendê-los aos alfarrabistas.» Gisela Oliveira estava a sair do elevador do
piso de casa do pai quando deparou com esta cena, Olga à porta, muito exaltada
impedindo Barahona de entrar e dizendo-lhe que estava proibido de ir ao
funeral. Porque Olga, diz a filha, associava também «o Barahona ao grupo de
críticos que tinham dito muito mal do último livro do meu pai. Lembro-me de ver
o Barahona quase em lágrimas, a dizer: “Ola, isso não é verdade, eu amava o
Herberto!”».
Legenda: capa de uma 1ª edição de Flash à
venda, na internet, por 1200 euros.

2 comentários:
Esta é a parte que me faz mais confusão da biografia e da vida de Herberto Helder.
Mesmo sabendo que foi esta sua filosofia que valorizou tanto a sua obra...
Tenho um historial longo de leitura de biografias, autobiografias, correspondência entre intelectuais, mas não tenho ideia de ter lido algo como a biografia de Herberto Helder. Tive a confirmação de coisas que desconfiava, a redução de exemplares dos livros que publicava, mais ou menos, é uma delas, as relações entre amigos, críticos, editores, conselheiros permitiu que Herberto Helder, deixando de lado a qualidade da sua poesia, nem toda em minha opinião, subisse ao pedestal em que permaneceu longo tempo da sua vida. Nesses aspectos a vida literária portuguesa não se modificou muito, ou quase nada.
E há inúmeras e bem desagradáveis surpresas. Cito uma: alguns procedimentos de Vitor Silva Tavares perante alguns pares, que estaria longe de imaginar que as praticasse. Enfim…
Neste momento ando a ler, devagar, devagarinho, «Nos Passos de José Rodrigues Miguéis» de Teresa Martins Marque, um livro notável, e Miguéis conta algo dos escritores e críticos daqueles tempos que me deixaram de boca aberta. Por exemplo, Manuel Mendes, um intelectual respeitável, que não primou pela lealdade para com Rodrigues Miguéis.
Entretanto Setembro chegou ao fim e ainda não atinei com o nosso, sempre adiado, encontro.
Abraço.
Enviar um comentário