Se não queres que te escreva mais, diz-me. Depois decido eu o que faço. Às vezes é preciso pôr os pontos nos ii. E ao dizer isto deu-se conta que o ponto do i não era outra coisa senão uma ilha.
Claudio Hochman em Ilhas
Se não queres que te escreva mais, diz-me. Depois decido eu o que faço. Às vezes é preciso pôr os pontos nos ii. E ao dizer isto deu-se conta que o ponto do i não era outra coisa senão uma ilha.
Claudio Hochman em Ilhas
O Signo da Ira
Orlando da Costa
Colecção Autores Portugueses nº 22/23
Editorial Arcádia, Lisboa, Fevereiro de 1961
Escravizados à lei do sol e das chuvas, os homens do campo olharam constrangidos para tudo quanto de novo acontecia à sua volta e assistiram, perplexos e temendo a sua própria revolta, à fraqueza e ao declínio dos batcarás, senhores das terras que amanhavam. Viram apodrecer sob o chão alagado a última semente do senhor e à beira do desespero conteve-os a submissão e a esperança. E por isso suportaram a fome caminhando de mãos dadas com o sol no meio de uma paisagem de verdura luxuriante, onde só os frutos suspensos e as ervas de pasto pareciam sobreviver. Mal-aventuradas gentes condenadas a ver as monções vestir de verde a própria morte!
Chegámos a admitir que o Poder Local era umas das mais
bonitas conquistas do 25 de Abril.
Foi sol de pouca dura.
Quando alguns autarcas descobriram como se transformarem
em ricaços, serem proprietários de não sei quantas casas, não sei quantos
carros-to-de-gama, o pântano aconteceu.
A corrupção, o desvario, o compadrio, tomaram conta das autarquias, das juntas de freguesia e o escândalo instalou-se.
Para ultrapassarem as leis, os partidos permitem que os
seus autarcas mudem de concelhos como mudam de camisa.
Assiste-se a uma transumância reles, sem limites, sem
vergonha.
O Grande Prémio da Fórmula 1, a realizar em Maio, no
Algarve, não terá público.
Os autarcas, os dirigentes de associações, os empresários
disto e daquilo, insurgiram-se, lembrando ao governo que a Fórmula 1 gere um
impacto de 40 milhões de euros na economia
nacional.
Sim, a economia nacional é uma preocupação, a retoma do
turismo é importante, mas acima de tudo está a saúde pública.
Esta gente, sem escrúpulos, já esqueceu os dramas que o
país viveu nos meses de Janeiro e Fevereiro e de que estamos a recuperar
lentamente.
Querem deitar tudo a perder?
As palavras começam a ficar velhas: têm
dores nas articulações e rangem, de vez
em quando, sem razão; reclamam óleos
e resinas, tempo e açucares mais lentos.
Mas também eu estou velha demais para
oficinas, tão cansada de livros e papéis,
morta por viver outras coisas — por amor,
talvez espreitasse de novo nas mangas do
mundo e escrevesse uma fiada de búzios
no pulso da areia. Mas quantos dos teus
beijos perderia? Perdoem-me os que
ainda esperam por mim. Não sei se volto.
Maria do Rosário Pedreira em Poesia Reunida
Não é que ser possível ser feliz acabe, quando se aprende a sê-lo com bem pouco.
Jorge de Sena
Legenda: fotografia
Shorpy
Um livro pode ler-se de tantas maneiras.
O gosto de ler, depois o gosto de reler, fornece
cambiantes diversas.
Quantas vezes, um livro nos revela algo que, na
primeira leitura, nos passou despercebido, ou a que não dedicámos a atenção devida.
Há livros que gosto de ler devagar, muito devagar e
onde navega sempre o medo de chegar ao fim. Saudades do tempo que passei a ler
o livro. O livro está sempre à mão, voltar atrás e ler mas já não é o mesmo
tempo a mesma surpresa. Não perguntem porquês porque não sei explicar. Apenas o
medo de chegar ao fim…Algo tão velho como dizer:
Os meus livros estão abundantemente sublinhados.
Vou pegar em alguns, trazê-los aqui, e copiar pedaços
que resultaram de segunda ou terceira leituras. Nos pontos de exame de Português,
havia aquele momento: Comente o seguinte
texto.
Assim se vai chamar.
Começo com Miguel Torga.
Miguel Torga não é um
escritor que me entusiasme. Provavelmente nunca o soube ler. Mas do que
escreveu, os Diários são o que me despertaram mais a atenção.
Lamento de José
Saramago no momento da morte de Miguel Torga;
«Não conheci Miguel Torga. Nunca o procurei, nunca lhe
escrevi. Limitei-me a lê-lo, a admirá-lo muitas vezes, outras não tanto. Foi só
de leitor a minha relação com ele. Algumas vezes, nestes últimos tempos, os
nossos nomes apareceram juntos, e sempre que tal sucedia não podia evitar o
pensamento de que o meu lugar não era ali. Por uma espécie de superstição
induzida pela pessoa que foi e pela obra que criou? Não creio. O motivo é
certamente muito mais subtil do que aquele que se poderia deduzir de um mero
balanço de qualidades suas e defeitos meus. Achava que havia em Torga algo que
eu gostaria de ter, e não tinha: o direito ganho por uma obra com uma dimensão
em todos os sentidos fora do comum, a música profunda de uma sabedoria que
nascera da vida e que à vida voltava, para não se tornarem, ambas, mais ricas e
generosas. Que Torga não era generoso, dizem-no. Mas eu falo de outra
generosidade, a que se entranha nesse movimento de vaivém que em raríssimos
casos une o homem à sua terra e a terra toda ao homem.
Demasiado cedo morreu Miguel Torga. Compreendo agora
quanto gostaria de tê-lo conhecido. Demasiado tarde».
Volta e meia, pego
num qualquer volume do Diário, e folheio.
No 1º volume, há uma
entrada, 10 de Novembro de 1939, a que, na primeira leitura, não liguei a
atenção necessária, ter-me-á passado despercebido, ou os tempos de leitura, a
idade em que os lemos, deitam outros olhos à prosa, mas encerra uma sabedoria
que cativa, uma verdade eterna, como
a classifica Torga.
«Mais duas horas de
prosa.
Uma coisa sêca,
retalhada, sem nenhuma grandeza. A-pesar-de ter a consciência disso, suei
honradamente aquelas quatro páginas, E, afinal, é o que é precisos. Puxar,
puxar, até o corpo não poder mais e cair de vez. Dar à vida, numa palavra, o
que a vida pede: cada momento cheio de qualquer esfôrço.
Quando eu era
pequeno, havia em casa de meu pai, no cimo dum lameiro, uma costeira que era só
fraga; e meu pai, na vessada, cavava também aquêle bocado, que nunca deu sequer
feijão chícharo. Só com dez anos de vida, sem conhecer o pavor dos retalhos de
tempo, preguntava-lhe eu, já cansado:
- Mas porque é que
cava também isto?
E êle, como quem sabia
uma verdade eterna:
- Para se acabar o dia.»
O pai de Miguel Torga
era um cavador, um enorme apego à terra, S. Martinho da Anta de seu nome,
província de Trás-os-Montes. Saberia ler e escrever, não sei ao certo, o resto,
diz-nos Torga: um homem duro, duma dureza
quase agressiva, e rijo, e fero, de homem sem medo aos dias.
Homens de verdades e
sabedorias únicas, palavras e ensinamentos que transcendem as normalidades quotidianas.
Onde é que as
aprenderam?
Tal como José
Saramago, em Estocolmo, quando recebeu o Nobel da Literatura, disse ao Mundo:
«O homem mais sábio
que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever.»
O seu avô Jerónimo, «um homem sem oportunidades, talvez um
Einstein perdido sob uma camada espessa de impossíveis, um filósofo, um grande
escritor analfabeto.
Momentos, palavras que encerram a beleza de gestos que prolongam a vida.»
«Para se acabar o dia», a verdade, o esplendor que fica.
Legenda: a fotografia que mostra o pai, a irmã e a mãe de Miguel Torga foi tirada do livro Miguel Torga de José de Melo, Colecção A Obra e o Homem nº 3 da Editora Arcádia.
Chegou neste exacto
momento, se os relógios estão certos às 09,37 horas, o equinócio da Primavera.
Pessoas em frenesim,
saem à rua e não entendem nada do que os cerca.
Preocupar-se-ão com
os telemóveis, com o que não há para dizer e, quais baratas tontas, nem o
pequeno grito de Bom dia, Primavera, vão
dizer.
Valha-nos São
Vivaldi.
E eu chego e sento-me ao lado
da primavera.
Ruy Belo, do poema Povoamento em Aquele Grande Rio Eufrates
O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional assumiu-se inconformado com a discriminação da modalidade no plano de desconfinamento face à pandemia de Covid-19.
Pedro Proença não entende que o plano de desconfinamento preveja a reabertura de salas de espectáculos para actividades culturais, como o cinema e o teatro e ao futebol não se dê a possibilidade de o público voltar aos estádios.
O dirigente do pontapé da bola vive em Marte.
Não quer entender que o futebol, ao contrário do que diz, é um exemplo de irresponsabilidade que engloba dirigentes, público, frequentadores das roulottes de bifanas e sandes de couratos.
Está em causa a saúde pública, senhor dirigente.
Alguém lhe faça um desenho.
Recorte encontrado no blogue Bicho Ruim.
Não lembra porque não
colocou a data neste velho recorte.
Sabe que pertence ao Diário
de Lisboa, possivelmente tirado do suplemento A Mosca, talvez
um texto do João Paulo Guerra, nunca teve certezas sobre nada,
talvez um exagero, mas enfim…
De certeza sabe que
esperávamos por um tempo novo mas sem muitos contornos desses tempos por
chegar, apenas uns murmúrios trocados entre um café ou uma cerveja, muitos
silêncios…
Esperávamos pela
Primavera, vinda não se sabe de onde, trazida por alguém, não muito claramente
se sabia desse alguém, ou desses alguéns.
O Mário Castrim dizia
sempre que mais importante que a Primavera, era estarmos à espera dela.
Faltavam alguns dias,
algumas semanas, alguns meses para um Abril… e ficava a importância do que então
não se dizia...
Hoje é o Dia do Pai.
Sempre me disseram que esta coisa dos Dias, seja do que for: Pai, Mãe, Mulher, etc., são um
negócio. Contudo, as escolas, principalmente nos jardins de infância, cultivam
a ideia de os miúdos fazerem desenhos em cartolina, em azulejos, para levar aos
pais. Essa parte ainda aceitei, depois, já crescidinhos, tratei de dizer, aos
meus filhos, que não contassem comigo para esse folclore.
Importa agora
dizer-vos, que o meu pai, por motivos que nunca descortinei claramente, tinha
pela cultura alemã uma profunda admiração: o Natal, música clássica, livros
(gostava de Goethe, Karl Marx, adorava Rainer Maria Rilke e lamentava que Rilke
tivesse nascido em Praga e não numa qualquer cidade alemã) e tudo acabava com ele a dizer que não havia nada no mundo como
os electrodomésticos de marcas alemãs, de carros não falava porque nunca teve
carta de condução.
Eu era miúdo, teria
uns 8 anos, lembro-me de ele ter chegado a casa com um disco de 78rpm do trompetista
Eddie Calvert a tocar uma velha canção «Oh,
Mein Papa». Ele adorava esta canção e quando fazia anos, gostava de a por a
tocar. O disco partiu-se e alguns anos antes de ele nos deixar, consegui encontrar
na Feira da Ladra, um EP do Eddie Calvert. O disco terá pertencido a alguém
chamado Ilda que lhe terá sido oferecido em 21 de Fevereiro de 1964, mas as
coisas não terão corrido bem, vendeu o disco e riscou a dedicatória.
Hoje, lembrei-me do
meu pai, o melhor ouvinte e conversador que tive, e chegaram até mim as noites
de Verão em Almoçageme, numa velha casa alugada, sentados no alpendre a ouvir o
silêncio, ao longe a ronca do Cabo da Roca, ele a beber o seu whisky, eu a beber
o meu gin-tonic.
Breve
o botão que foste
e o pudor de sê-lo.
Breve
o laço vermelho
dado no cabelo.
Breve
a flor que abriu
e o sol mudou.
Breve
tanto sonho findo
que a vida pisou.
João José Cochofel em
46º Aniversário
A felicidade
sentava-se todos os dias no peitoril da janela.
Jorge de Sena
Legenda: fotografia de Albert Monier
O Fantasma Sai de
Cena
Philip Roth
Tradução: Francisco Agarez
Capa: Henrique Cayatte
Publicações Dom Quixote, Lisboa, Novembro de 2008
Tinha passado estes
onze anos sozinho numa casinha à beira de uma estrada de terra batida do
interior profundo, tendo decidido viver assim isolado de tudo uns dois anos
antes de me ser diagnosticado o cancro. Vejo poucas pessoas. Desde a morte, há
um ano, do meu vizinho e amigo Larry Hollis, podem passar-se dois, três dias em
que não falo com ninguém além da mulher-a-dias que vem todas as semanas fazer a
limpeza e do marido dela, que é o meu caseiro. Não vou a jantares, não vou ao
cinema, não vejo televisão, não tenho telemóvel nem gravador de vídeo ne,
leitor de DVD nem computador. Continuo a viver na Idade da Máquina de Escrever
e não faço ideia do que seja a World Wide Web. Já não me dou ao trabalho de ir
votar. Escrevo durante quase todo o dia e muitas vezes pela noite dentro. Leio,
principalmente, os livros que descobri em estudante, as obras-primas da ficção
cujo poder sobre mim não é menor, e em alguns casos é ainda maior, do que foi
nos meus primeiros e exaltantes encontros com elas.
Ainda existem as
ruas onde por acaso
nos encontrávamos?
Tantos dias correram
num ano, viam-me em
dias de mais
desejo apressar os
passos, olhar para
o relógio, pôr
falhando os discos
nas capas. Parecia
ter sido só uma
despedida de um dia
para o outro, agora
se escrevo é porque
és apenas uma imagem
da memória, pouco
faltará para que
guarde de ti um
risco, um embaraço.
E sempre chegarei a
tactear o rosto,
fingir que me
lembro de alguns sinais,
das poucas palavras
necessárias para que
eu aceitasse, duas
vezes o meu corpo
esteve como teu,
outras mais do que
podes pensar. Na
volta de uma esquina
não reparo,
tropeço, encontro, o último
sorriso começa a
nascer.
Helder Moura Pereira
Aquele que vê sem ser visto, ouve sem ser ouvido, pensa sem ser pensado,
conhece sem ser conhecido, e para além de quem nada há que veja, ouça, pense ou
conheça – esse é o teu próprio Eu.
Brihadaraniaka Upanishad citado por Jorge de Sena em Novas Andanças do Diabo
Cumpriram-se, ontem, 18 anos sobre o golpe anglo-americano, acolitado por Portugal e Espanha, que marcaram o pré-início da Guerra do Iraque.
A Cimeira das Lajes, na Ilha Terceira, reuniu George W.
Bush, Tony Blair, José Maria Aznar, Durão Barroso, que quiseram «mostrar» ao
mundo as armas de destruição maciça que Saddam Hussein escondia debaixo das
areias do deserto, que levaram ao desencadear da Guerra do Iraque, a 20 de
Março, e que ainda hoje, com variadas cambiantes e personagens, ainda se mantém
sem qualquer fim à vista.
Uma guerra com cidades destruídas, milhares e milhares de
mortos, milhares e milhares de feridos, milhares e milhares de refugiados, só conduziram à destruição total. As
tais armas de destruição maciça nunca apareceram, o regime democrático que quiseram implantar, no
Iraque, nunca aconteceu.
Que ninguém lhes perdoe!
O Caso da Loura Provocante
Erle Stanley Gardner
Tradução: Fernanda
Pinto Rodrigues
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº
234
Livros do Brasil s/d
Como Della Street, sua secretária particular, estava a passar duas
semanas de férias com uma tia que morava em Bolero Beach, Perry Mason, depois
de visitar um cliente em San Diego, resolveu fazer-lhe uma visita. Era sábado,
estava um bonito dia, e um pouco de persuasão de Della Street, mais um convite
para jantar da tia Mae, convenceram o advogado a ficar no Bolero Hotel.
- Para mais – salientou a secretária -, na segunda-feira de manhã pode
levar-me de carro.
- Trata-se de um estratagema para arranjar uma boleia ou de um conluio
entre você e a Mae para me obrigarem a ter umas férias? – perguntou-lhe o
advogado.
O meu é teu. O teu é meu
e o nosso é nosso quando posso
dizer que um dente nos cresceu
roendo o mal até ao osso.
O teu é nosso. O nosso é teu.
O nosso é meu. O meu é nosso,
e tudo o mais que aconteceu
é uma amêndoa sem caroço.
Dizem que sou. Dizem que faço,
que tenho braços e pescoço
- que é da cabeça que desfaço,
que é dos poemas que eu não ouço?
O meu é teu. O teu é meu
e o nosso, nosso quando posso
olhar em frente para o céu
e sem o ver galgar o fosso.
Mas tu és tu e eu sou eu
não vejo o fundo ao nosso poço,
o meu é meu, dá-me o que é teu
depois veremos o que é nosso.
José Carlos Ary dos Santos
Legenda: pintura de Alice Jorge
Tira-me o pão se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu sorriso.
Pablo Neruda
Legenda: Matilde Urrita
Por que razão nos sentimos impelidos a escrever? Para procurarmos o
isolamento no interior de um casulo nosso, absorvidos numa solidão que é alheia
às necessidades dos outros. Virginia Wolf trabalhava num quarto só seu. Proust,
por trás de janelas sempre cerradas. Marguerite Duras, numa casa habitada pelo
silêncio. Dylan Thomas, na sua cabana modesta. Todos em busca de um vazio para
preencher com palavras. Palavras que irão penetrar território virgem, inventar
combinações entre si jamais imaginadas, estender as suas possibilidades
infinitas. Palavras que criaram Lolita, O Amante, Nossa Senhora das Flores.
Há um grande número de cadernos em que os escritores falhados, de euforias ocas, de um caminhar feito incessantemente de avanços e recuos. É imperioso escrever, mas é também impossível não ficar envolto numa infinidade de batalhas, como se estivéssemos a domar um potro teimoso. É imperioso escrever, mas não sem um esforço persistente e um certo sacrifício: para abrir direcções no futuro, para revisitar a infância e para equilibrar os terríveis e tortuosos meandros da imaginação numa linguagem que desperte a inteligência dos melhores leitores.
Patti Smith em Devoção
Chamem-lhe
Experiência
Erskine Caldwell
Tradução: António Neves Pedro
Colecção: Os Livros das Três Abelhas nº 83
Publicações Europa- América, Lisboa, Junho de 1965
Provàvelmente, na
vida de quase todos os que ganham o seu pão a contar histórias chega uma altura
em que se perguntam a si mesmos porque é que se teriam tornado escritores, em
vez de seguirem as carreiras de actor, ou de banqueiro, ou de vendedor de
sapatos.
Em nenhuma
parte
da terra
me posso
fixar
A cada
novo
clima
que encontro
descubro
indolente
que
já de uma vez
a ele me tinha
habituado
E assim me afasto
sempre
estrangeiro
Nascendo
oriundo de eras que
de mais se
viveram
Gozar um só
minuto de vida
inicial
Busco um país
inocente
Giuseppe Ungaretti em Sentimentodo Tempo
Tem sido dito que o homem é um animal racional e eu tenho passado a minha vida, sem sucesso, à procura de provas que confirmem isto.
Bertrand Russell