sexta-feira, 15 de abril de 2011

DÁMEABOLA!



Tal como ontem, o Porreiro dizia ao Pá, nada de desesperos, com a futebolada da jornada europeia a crise, o FMI a p.q.os.p. pode esperar… e sentadinhos para não se cansarem!..
Decididamente o que nós queremos é futebol!

POSTAIS SEM SELO


O meu pai e eu vivíamos num pequeno andar da Rua Santa Ana, junto da praça da igreja. O andar ficava situado mesmo por cima da livraria especializada em edições de coleccionador e livros usados herdada do meu avô, um bazar encantado que o meu pai contava que um dia passasse para as minhas mãos. Criei-me entre livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó e cujo cheiro conservo ainda nas mãos.

Carlos Ruiz Zafón em A Sombra do Vento

Legenda: Fotografia de Chillingworth

O APOIO AMERICANO


Em Outubro de 1972, o senador democrata George Mc Govern, acusava o Presidente Richard Nixon de apoiar, em África, regimes brancos ditatoriais. O senador adiantava que com a chegada de Nixon à Casa Branca, a política externa dos Estados Unidos foi modificada passando de crítica ao encorajamento dos regimes coloniais, tornando-se mais evidente nas relações dos Estados Unidos e Portugal.

“Em nome de duvidosas vantagens militares a curto prazo temos ajudado a perpetuar o domínio colonial português em África, temos ajudado a consolidar o regime ditatorial português sobre o seu próprio povo e conseguimos assim destruir a nossa reputação e bom nome como defensores dos direitos humanos.”

As “duvidosas vantagens militares”, referidas por McGovern, eram a utilização da Base das Lajes, e acrescentava:

“Não se trata, porém, de auxílio destinado a beneficiar o povo de Portugal, que é um país pobre. Esse auxílio ajudará o Governo português a manter o seu regime colonial em África.”

quinta-feira, 14 de abril de 2011

PORREIRO, PÁ!


O Sr, Dominique Strauss-Kahn, responsável do FMI, afirmou hoje que a ajuda monetária a Portugal vai ser um processo longo e muito difícil.
Nas entrelinhas deixou entender que a Europa perdeu a paciência com Portugal e fez notar que “não é possível um país gastar mais do que tem durante muito tempo”.
Foi isso o que nos aconteceu e forte e claramente fez-se ouvir:
 “Agora vocês têm que voltar a entrar nos eixos de uma forma ou de outra.”
As condições difíceis, dado que a receita é velha e revelha, são fáceis de enumerar: corte de salários, corte de pensões, corte nas prestações sociais, casas mais caras, aumento generalizado dos bens de consumo, flexibilização dos despedimentos e por aí fora…
Mas nada de desesperos.
Como dizia há pouco António Costa, na “SIC Notícias” no findar da “Quadratura do Círculo, depois do habitual serrar presunto com o Pacheco Pereira e o Lobo Xaviere:, que por lá acontece: “saudemos as equipas portuguesas que passaram às meias-finais na Liga Europa.”
Amanhã as grandes discussões andarão à volta das variantes da noite europeia do pontapé na bola.
A crise, o FMI  podem esperar!..

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS

Inscrição no Cemitério do Alto de São João.

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Claro que o “Metro” ainda existe e, hoije em dia, com percursos mais alargados.
O que já não existe são estes velhos bilhetes e pelo preço que eram: um escudo e cinquenta centavos ou quinze tostões, como vulgarmente se dizia.
Encontrei-o dentro do livro do Carlos de Oliveira, “Sobre o Lado Esquerdo”, a marcar, pág. 29, o poema “Cinema”

OLHAR AS CAPAS


Sobre o Lado Esquerdo

Carlos de Oliveira
Iniciativas Editoriais, Lisboa, Janeiro de 1968

CINEMA

I

O écran petrificado,
muros, ossos,
o movimento áspero da câmara
mergulhando nos poços
das leis universais,
o rigoroso cálculo da luz
em que a matéria já cansada,
autómatos, metais,
se envolve pouco a pouco
no vagaroso amor
que é o trabalho quase imperceptível
das manchas de bolor,
a ferrugem, o espaço rarefeito,
e um relógio apressado no meu peito.

II

A lentidão da imagem
faz lembrar
o automóvel na garagem,
o suicídio com o gás do escape,
quer dizer,
o coração vertiginoso
e a lentidão do mundo
a escurecer
nas bobines veladas
dos suaves motores crepusculares
ou, por outras palavras,
flashes, combustões,
entregues ao acaso das artérias,
melhor, das pulsações.

III

Radioscopia incerta
como nós,
mas provável, exacta
na dosagem da sombra com o cálcio
da sua arquitectura
milimetricamente interior,
transforma-se o espectáculo
por fim
no próprio espectador
e habita agora
a fluidez do sangue:
cada imagem de fora,
presa ao fotograma que já foi,
de glóbulo em glóbulo se destrói.

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS

Francisco Casal-Ribeiro era um ultra salazarista.
Em 5 de Agosto de 1967 fez publica, no “Jornal do Oeste” este anúncio:

“Tenho três filhos, qualquer deles a atingir o momento de servir a Pátria.
Um deles é alferes piloto aviador, em vésperas de partir para África. São os meus três filhos o meu único tesouro, e se é certo que sentirei, como qualquer outro pai, a sua ausência, orgulhar-me-ei de os ver no cumprimento da missão que lhes couber. Para eles, apenas pedirei a Deus que os proteja, os traga em boa hora e com a consciência do dever cumprido.”

NÃO VOTEM EM PARTIDOS MARXISTAS


Na sua edição, de 14 de Abril de 1975, “A Capital” dava conta das conclusões da Assembleia Plenária do Episcopado Português  – os senhores bispos desaconselhavam os portugueses a não votar em branco.

O voto em branco foi uma orientação de alguns elementos do MFA por considerarem que grande parte do eleitorado não estava em condições de poder escolher. A ideia consistia em fazer coincidir o voto em branco com uma atitude de confiança no MFA. Num comunicado lido na televisão o Movimento das Forças Armadas afirmava que o “voto em branco tem tanto valor como o voto em qualquer partido.”



 Num artigo publicado no “Boletim do Movimento das Forças Armadas” podia ler-se:
“Votar em branco não é crime nem traição. Ao fazê-lo estamos a escolher, estamos livremente a dizer o que pensamos e o que sentimos, cumprindo o nosso dever de patriotas, sem violentarmos a nossa consciência, nem voltarmos essa arma contra nós próprios.”




Pelo seu lado o Vaticano, numa clara intromissão na vida política portuguesa, pedia aos católicos portugueses que não votassem a favor de partidos políticos marxistas, antes votassem naqueles partidos que apoiem a religião, a família e o emprego.

“Não devem dar os seus votos a partidos, cujas opiniões e métodos são incompatíveis com a doutrina cristã do homem e a sua vida social.
Ninguém ainda conseguiu demonstrar que a visão católica do mundo e da vida pode ser reconciliada com ideias marxistas.”.

Curiosamente nunca vimos os bispos portugueses, o Vaticano, preocupados com a guerra colonial, com as perseguições e os crimes da PIDE.

O céu podia esperar!..

quarta-feira, 13 de abril de 2011

PORREIRO, PÁ!

A operação de resgate financeiro a Portugal dará um lucro aproximado de 520 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional e de 1060 milhões aos países europeus.

NÃO SEI O QUE DIGA!...


Otelo Saraiva de Carvalho garante que hoje em dia não faria a revolução, se soubesse que o país iria estar no estado em que está.

POSTAIS SEM SELO


“O António Torrado costuma dizer que para escrever uma história basta olharmos pela janela”

Alice Vassalo Vieira.

Legenda: Fotografia de Gérard Castello Lopes

RAPIDAMENTE E EM FORÇA


A partir de 13 de Abril de 1961, Salazar passava, também, a exercer as funções de Ministro da Defesa Nacional e faz uma declaração à Nação, em que profere a frase que ficou para história, consubstanciada num  para Angola, rapidamente e em força.

“Se é preciso uma explicação para o facto de assumir a pasta da Defesa Nacional mesmo antes da remodelação do Governo que se verificará a seguir, e explicação pode concretizar-se numa palavra e essa é ANGOLA.
Pareceu que a concentração de poderes da Presidência do Conselho e da Defesa Nacional bem como a alteração de alguns altos postos noutros sectores das forças armadas facilitaria e abreviaria as providências necessárias para a defesa eficaz da Província e a garantia da vida, do trabalho e do sossego das populações.
Andar rapidamente e em força é o objectivo que vai pôr à prova a nossa capacidade de decisão.
Como um só dia pode poupar sacrifícios e vidas, é necessário não desperdiçar desse dia uma só hora para que Portugal faça todo o esforço que lhe é exigido a fim de defender Angola e com ela a integridade da Nação.”

Legenda: desfile de soldados desembarcados em Luanda em Maio de 1961, fotografia retirada de “Guerra Colonial: Fotobiografia” de Renato Monteiro e Luís Farinha, “Círculo de Leitores/ Publicações Dom Quixote”, 1990.

terça-feira, 12 de abril de 2011

PORREIRO, PÁ!


Já está nos escaparates das livrarias, na do “El Corte Inglês” os livros estavam no chão com um tubo de alumínio no meio, a biografia (?) de Pedro Passos Coelho, escrita (?) por Felícia Cabrita.

A autora é uma barata tonta a quem alguém, ao quinto “scotch” sem gelo, um dia chamou jornalista e que, não contente, acrescentou: de investigação.

O personagem é, segundo as sondagens encomendadas, o futuro primeiro-ministro do país.

Obviamente, seguindo a ideia do poeta romeno Cincinat Pavelescu, nem lerei ou comprarei o livro:

“Nigrim escreveu um livro que não tem qualquer jeito;
Comprei, mesmo sabendo que a obra era mazinha.
Nigrim, desta maneira, tirou duplo proveito:
Da parvoíce dele, e bem assim da minha!”

Segundo os “copydesk” de serviço, a coisa tem 184 páginas, chama-se “Passos Coelho: Um Homem Invulgar”     e começa assim:

 "As caniches, companheiras de muitos anos, aconchegam-se-lhe mal se senta em frente à lareira ainda sem brasas e escutam-no como se nenhuma das suas palavras fosse desperdício".

Ah! se o ridículo matasse!...

BOLETIM METEOROLÓGICO


Céu pouco nublado ou limpo, aumentando de nebulosidade. Vento fraco, sendo moderado no Algarve até ao fim da manhã e soprando moderado no litoral oeste a sul do Cabo carvoeiro durante a tarde. Condições favoráveis a trovoadas e aguaceiros durante a tarde, em especial nas regiões do interior. Na costa ocidental, ondas do mar de noroeste com 1 a 2 metros, na costa sul, ondas de sueste com 1 a 2 metros. Champanhe com grande finesse e um bouquet expressivo, com notas de tipo floral e pão torrado. Na boca tem a frescura do Chardonnay, uma untuosidade do Pinot Noir e a soupless do Pinot Meunier. Um champanhe elegante, redondo na boca e com um final de f ruta bastante persistente, ideal como aperitivo ou para acompanhar saladas, mariscos e carnes brancas.

ELOS


Bernard é dono de um quiosque de jornais perto do Arco do Triunf, em Paris. É aqui que os emigrantes portugueses aguardam a chegada dos jornais da pátria.
Bernard não acompanha a liga portuguesa de futebol, mas sabe sempre quando o Benfica ganha:
Vende mais jornais!

Legenda: Pintura de Maluda

segunda-feira, 11 de abril de 2011

PORREIRO, PÁ!


Raramente estou de acordo com Ana Gomes, mas faço-lhe a justiça de a saber com a honestidade suficiente para, muito claramente, dizer o que pensa.
Ainda agora, em Matosinhos, no Comício-Congresso do PS, para lá de todo o palavreado que elevou Sócrates às alturas, disse o que pensava da sua governação. Obviamente, fê-lo para uma sala quase às moscas., esta gente não brinca em serviço.

O secretário-geral, e a sua enorme corte, já tinha regressado a vale-de-lençóis, qualquer coisa assim, mas as palavras ficaram:

"É preciso que o PS reconheça com humildade que nem sempre tudo foram rosas na governação e que nem sempre a rosa cheirou muito bem. O PS também cometeu erros e assumi-los será meio caminho andado para corrigi-los".

 O “Público” de ontem também dava conta de uma outra opinião, a ferir a quase unanimidade em redor do grande líder, a do militante socialista, Rómulo Machado

“Entendo que, e tenho pena que não esteja aqui o nosso secretário-geral, porque gosto de dizer estas coisas na presença das pessoas, o primeiro-ministro que nos conduziu a esta situação e que conduziu Portugal a uma situação de bancarrota não tem condições para nos fazer sair dela”.

VAGUEANDO PELA CIDADE






Não tarda muito, se é que já não aconteceu, os jacarandás começarem a florescer, um pouco pela cidade.
Para lavar a alma pelos dias correm, trago hoje olaias em flor.
As fotografias foram tiradas na parte da cidade que  a elas foi buscar nome.

POSTAIS SEM SELO


Ah, comandante, quanto tarda ainda
a partida do transatlântico?
Faz tocar a banda de bordo –
músicas alegres, banais, humanas,, como a vida –
faz partir, que eu quero partir…

Álvaro de Campos

PACTO MFA/PARTIDOS



Em 11 de Abril de 1975, nove dias depois do início da campanha eleitoral, para a Assembleia Constituinte, o PCP, MDP, PS, CDS, PPD e FSP assinam a o Pacto MFA-Partidos. O Pacto é um documento controverso – o que, por aqueles tempos não era controverso? que vai permitir que, os partidos se colem ao MFA para não perderem o comboio.

“O Pacto dava ao MFA um poder de intervenção que ia da vigilância ao funcionamento da Constituinte através de um Comissão do MFA, até ao sancionamento das leis a elaborar pelas legislativas, a quem o Conselho da Revolução, e só ele, poderia propor alterações à Constituição, passando pela possibilidade de influenciar decisivamente a eleição do Presidente da República.
Com a velocidade que o processo histórico tomava, estes poderes, garantidos por três anos, constituíam de facto a garantia da condução do País pelo MFA. Além de declarar a independência do poder militar face ao poder civil, o Pacto terminava por impor a obrigatoriedade de a Constituição consagrar os princípios do Movimento das Forças Armadas, as conquistas legitimamente obtidas ao longo do processo, bem como os desenvolvimentos dão Programa impostos pela dinâmica revolucionária que, aberta e irreversivelmente, empenhou o País na via original para um socialismo português”

“Portugal Depois de Abril” de Avelino Rodrigues, Cesário Borga, Mário Cardoso, Maio de 1976

Legenda: Títulos , respectivamente, do "Diário de Lisboa" de 10 de Abril de 1975 e "Diário Popular" de 11 de Abril de 1975.

domingo, 10 de abril de 2011

PORREIRO, PÁ!


A factura da patética governação de José Sócrates já foi emitida:
80 000 000 000 de euros.
Para que se leia melhor: oitenta mil milhões de euros.
E a procissão ainda não saíu do adro!...

NÃO SEI O QUE DIGA!...


Fernando Nobre considerou hoje que aceitar o convite do PSD para ser candidato independente do partido a presidente da AR foi uma decisão que pode ser incompreendida.

SYDNEY LUMET (1924-2011)


Sidney Lumet morreu, ontem, em Nova Iorque, aos 86 anos.
Há pouco a dizer. Ou melhor: não há nada para dizer, no momento em que um mestre do meu cinema partiu.
Quantos restam ainda?
Ficam os filmes, o que já não é pouco.
Sidney Lumet faz parte da lista de realizadores que nunca foram oscarizados por algum dos seus filmes, e realizou para cima de quarenta.
Claro que a hipocrisia hollywoodesca , em 2005, lá lhe deu o Óscar honorário.
Lumet é mesmo um homem cá da casa. Destes gosto eu e vão por ordem de preferência:

“Doze Homens em Fúria” (1957)

“Um Dia de Cão” (1975)

“Antes que o Diabo Saiba que Morreste” (2007)

“O Veredicto” ( 1981)

“Serpico” (1973)





sábado, 9 de abril de 2011

PORREIRO, PÁ!



No Partido, tirando os amigalhaços do peito, à boca grande e à boca pequena, não há quem o suporte.

No País nem dele querem ouvir falar.

Durante o Congresso, com aquela dose de histeria, q.b., para ocasiões destas, gritou aos sentadinhos e venerandos congressistas:

“Eu só preciso de saber uma coisa, neste Congresso. Só preciso de uma resposta - e há muitos portugueses que querem conhecer essa resposta: está o PS está comigo? Estão comigo todos os socialistas neste combate? Está comigo todo Partido Socialista?”

E a plateia, levantando-se, em uníssono, ovacionou e gritou: “SIM!”

Para que conste,  97,2 por cento dos congressistas deram o seu aval à brilhante e coerente política de Sócrates. Antes, já 93,3 militantes socialistas o declararam em condições de continuar à frente do partido.

No meio de tudo isto, já começaram as contas de mercearia para o preenchimento das listas a deputados. Dois pormenores apenas:

Manuel Alegre, tratado quase a pontapé durante a eleição presidencial, antes já lhe tinham chamado traidor, já por lá anda oferecendo a sua habitual cara de esquerda (?) e António Vitorino, o tal de não há festa nem festança onde não apareça a Dona Constança, qual menino feliz de brinquedo na mão em manhã de Natal, disse do alto do palanque:

“Valeu a pena esperar para ao menos um dia na minha vida ter tido música num Congresso do PS"

Esta gente não tem vergonha na cara!

 Não tivessem deixado o país endividado, depauperado, mais pobre ainda, a que se juntam  milhares de desempregados e este congresso serviria para umas chalaças no intervalo da bica ou da imperial e tremoços,  mas a situação é demasiado grave para tais brincadeiras.

Hoje sabemos o que pensam os congressistas do PS, por outros dias iremos sabendo o que pensa o resto do País.

Nada de bom será!

OLHARES


Já há muito que não ia para os lados de Carnide. 
Uma surpresa: a quantidade de tasquinhas e pequenos restaurantes. 
Entrámos no “Miudinho” e foi o que se pode dizer uma boa escolha. 
Comida a saber a comida. 
O melhor de tudo: as boas notícias que durante o jantar fui sabendo. 
Obrigado Guida, obrigado Abílio. 
Beijinhos e felicidades,