quarta-feira, 1 de maio de 2013

1º DE MAIO



Joaquim Vieira foi director de uma revista que se publicava aos sábados, simultaneamente, no Diário de Notícias e no Jornal de Notícias.

Por um 25 de Abril, publicou um texto a que chamou: O QUE FALTA CUMPRIR.

Onze pontos, algumas coisas que ainda não sucederam em Portugal para dar sentido ao 25 de Abril:

ELEGER políticos que ponham o serviço público à frente de quaisquer outros interesses.

AUMENTAR a produtividade a todos os níveis, do sector público ao privado, para nos podermos intitular europeus de pleno direito.

ACABAR com a pequena corrupção, que favorece a permissividade, levando inevitavelmente à grande corrupção (a qual, por sua vez, carece de repressão mais eficaz e intransigente).

 CUMPRIR o direito à saúde, entre outras coisas acabando com as listas de espera hospitalar.

APOSTAR em métodos de educação que cativem os jovens, de forma que a universalidade do ensino obrigatório seja mais do que mera intenção escrita no papel.

ADMINISTRAR uma justiça célere, que em tempo útil promova a condenação dos culpados, a ilibação dos inocentes e o ressarcimento das vítimas ou dos seus herdeiros.

REFORMAR  a função pública, para que agilize a máquina do Estado e resolva os problemas dos cidadãos; e para que os seus quadros sejam recrutados só por avaliação de competência.

PLANEAR cada projecto público tendo como prioridade um país onde se viva melhor.

DEFENDER o ambiente como património nacional, protegendo-o das agressões urbanísticas e desenvolvimentistas sem ceder a pressões.

PROTEGER as crianças e os jovens de todo o tipo de agressão. e exploração, até a nível familiar.

ESTIMULAR os cidadãos a informar-se melhor e facilitar o seu acesso às manifestações culturais que devem informar-se melhor e facilitar o seu acesso às manifestações culturais, que devem ser multiplicadas por forma a disponibilizar ao público mais alternativas.

Parafraseando alguém à espera de ser libertado enquanto se derrubava um regime: portugueses, mais um esforço para ser verdadeiramente revolucionários.

Nem revolucionários conseguimos ser, quanto mais verdadeiros revolucionários.

Passado um tempo, bem perto dos dez anos, olha-se a lista elaborada por Joaquim Vieira, e constatamos que nem só nada disto aconteceu como, em grande maioria, regredimos a situações  bem dramáticas.

Quem neste 25 de Abril saíu às ruas, apesar da alegria, dos encontros, dos abraços, dos beijos, dos cravos no peito, no cabelo ou na mão, os punhos no ar, adivinhava-se uma certa melancolia, quase tristeza, sentimentos que, normalmente, acontecem a gentes derrotadas.

Mas não deve ser isso...apenas a minha velha tendência para o pessimismo...

Final da crónica que Baptista-Bastos, publicou, esta semana, no Jornal de Negócios:

Trinta e nove anos depois de Abril, que resta do "dia inicial inteiro e limpo"? Cantado por Sophia. A vitória de um capitalismo que se não confronta com nada; o regresso dos ódios ancestrais à Alemanha; a traição dos partidos socialistas; o retorno da violência nazi-fascista; a escassa força do comunismo; o recrudescimento de uma arrogância da chamada elite dominante (atente-se nas declarações dos banqueiros) que julgávamos definitivamente arredado do nosso horizonte. A Europa, dominada pelo Partido Popular Europeu, onde se acoitam as expressões mais hediondas da extrema-direita, e da direita encolhida, impõe normas violentíssimas aos países sob tutela. Portugal está entre as baias de uma política desordenada e sem direcção. O grupo do PSD, que trepou ao poder nos andaimes da mentira, da omissão e do desprezo, não passa de uma enunciação sórdida do que de mais suportável existe. Resta-nos a força de não-querer, a energia que advém da nossa história de resistentes. E nunca esquecer de que o 25 de Abril existiu, embora estes que tais desejem apagá-lo.

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