sexta-feira, 28 de setembro de 2018

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Mais de uma vez, expressei por aqui a ideia de que os romances de António Lobo Antunes tornaram-se-me de difícil leitura, por vezes, mesmo incompreensível.

De um só fôlego li Memória de Elefante, Os Cus de Judas, Explicação dos Pássaros e disse para comigo que tinha ali um autor para a vida.

Acontece até que os títulos que Lobo Antunes arranja para os seus romances, são uns excelentes achados. Mas já são livros que não li, ou deixei-os nas primeiras 50 páginas, que é a medida que coloquei a mim mesmo para que um livro me leve até ao fim.

Exemplos:

Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura,
Que farei quando tudo arde?,
Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo,
Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?,
Não É Meia Noite Quem Quer,
Caminho Como Uma Casa Em Chamas,
Para Aquela que Está Sentada no Escuro à Minha Espera 
Até Que as Pedras Se Tornem Mais Leves Que a Água
A Última Porta antes da Noite.

Sou, pois, um desistente leitor de António Lobo Antunes.

Hélas!

Pelos tempos que correm, apenas leio as crónicas que vai publicando na imprensa, e que, lamentavelmente, o autor determinou que não mais seriam recolhidas em volume.

A editora que o suporta consentiu na patetice do autor, ou teve receios que o autor, dado o seu conhecido mau feitio, saísse porta fora a caminho da concorrência.

Mas volta e meio pego em alguns livros para os trazer até ao Olhar as Capas.

Foi o caso, agora, de A Morte de Carlos Gardel.

Não consegui repegar. Andei aos saltos pelas páginas sem alegria, mesmo com desconforto para encontrar uma citação que é norma colocar no Olhar as Capas.

Soube-se agora que António Lobo Antunes foi chamado a fazer parte da prestigiada Colecção Pléiade.

Disse aos jornalistas:

«Sonhei com este prémio desde a adolescência até agora. É o maior reconhecimento que se pode ter enquanto escritor, muito maior do que o Nobel.»

Onde estiver, José Saramago não deixou de largar um enorme sorriso.

Há espinhas que nunca conseguimos descravar da garganta.

«e o Álvaro limpava um disco com a escovinha, colocava-o no prato, premia um botão, Carlos Gardel começava a cantar, e ele - Se eu fosse capaz de um grito assim era feliz»

A páginas 160 de A Morte de Carlos Gardel




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